Bolsa fecha em nível recorde e dólar recua

A divulgação de indicadores altamente positivos no Brasil nesta manhã influenciou os negócios no mercado financeiro nesta quarta-feira. O superávit primário - arrecadação menos as despesas, exceto o pagamento de juros - das contas públicas de março superou as estimativas e não correspondeu aos temores de uma parte dos investidores de que os números acumulados em 12 meses poderiam ficar abaixo da meta de 4,25% do Produto Interno Bruto (PIB). A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em alta de 1,69% nesta quarta-feira, com volume financeiro de R$ 2,939 bilhões e atingiu novo recorde, de 40.410 pontos, superando a marca de 39.937 pontos registrada em 19 de abril. Este é 19º recorde do Ibovespa - índice que mede o desempenho das ações mais negociadas na Bolsa. O dólar comercial fechou no patamar mínimo do dia, negociado a R$ 2,1180 na ponta de venda das operações, em queda de 0,42% em relação aos últimos negócios de ontem. O risco Brasil - taxa que mede a desconfiança do investidor estrangeiro na capacidade de pagamento da dívida do país - estava no patamar mínimo do dia, em 223 pontos base, ás 17h49 (horário de Brasília) Saldo positivo O superávit primário nas contas públicas do Brasil em março foi o maior já registrado nesse mês, com o que diminuíram os temores em torno de um possível aumento dos gastos públicos em um ano eleitoral. Segundo o Banco Central, o superávit nas contas públicas brasileiras em março foi de R$ 13,186 bilhões, 179% maior que o de fevereiro e 7,6% superior ao do mesmo mês de 2005. O superávit primário é a diferença entre a receita e os gastos do Estado, incluindo as contas do Governo federal, das administrações regionais e municipais e das empresas estatais, sem levar em conta os recursos destinados ao pagamento dos juros da dívida. Nos últimos dias, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e entidades como a Confederação Nacional da Indústria (CNI) manifestaram sua preocupação com o forte crescimento dos gastos públicos em pleno ano eleitoral e com a possibilidade de o Governo ser incapaz de cumprir sua meta fiscal deste ano. Apesar de o Brasil ter se abstido de renovar o acordo com o FMI e de já ter pago toda a sua dívida com o órgão internacional de crédito, o Governo manteve seu compromisso de fechar 2006 com um superávit primário equivalente a 4,25% do PIB. O temor do mercado é que, com as pressões de alguns políticos com interesses eleitorais, o Governo afrouxe este ano sua política monetária restritiva e de corte de gastos. Temores Nas últimas semanas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que ainda não confirmou se disputará um novo mandato nas eleições de outubro, aumentou suas viagens pelo país para inaugurar obras e anunciar novos projetos. Além disso, anunciou várias medidas de custo elevado, como reajustes no salário mínimo e nas pensões maiores que os previstos pelos economistas e o aumento dos recursos destinados a programas sociais. As preocupações aumentaram na terça-feira, quando o Banco Central informou que, no primeiro trimestre do ano, as despesas do Governo federal subiram 14,5% em relação ao mesmo período de 2005, para R$ 88,8 bilhões. Economia nas estatais No entanto, o relatório divulgado hoje mostrou que o aumento das despesas do Governo federal foi compensado com uma forte economia das empresas estatais e das administrações regionais. Graças ao esforço dos outros setores, o setor público brasileiro acumula nos três primeiros meses do ano um superávit primário de R$ 20,981 bilhões, equivalente a 4,39% do PIB. Apesar de o saldo positivo ser 24,2% inferior ao do mesmo período do ano passado, o superávit ainda está acima da meta para este ano (4,25% do PIB).

Agencia Estado,

26 Abril 2006 | 17h49

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