Coluna

Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

Bolsa fecha em queda de 3,39%, dólar e risco sobem

Os números do mercado financeiro nesta segunda-feira revelam o aumento da percepção de risco dos investidores em relação ao agravamento da crise política no Brasil. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) encerrou o dia em baixa de 3,39%; o dólar comercial fechou cotado a R$ 2,4620, com alta de 2,67%; e as taxas de juros (pós-fixadas) negociadas em contrato na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) subiram para 18,12% ao ano nos contratos com vencimento em janeiro de 2007.O risco Brasil - taxa que mede a desconfiança do investidor estrangeiro em relação à capacidade de pagamento da dívida do país - chegou em 422 pontos base. Quanto maior esta taxa, maior é o risco do país. Neste patamar de risco país, os títulos da dívida brasileira embutem um prêmio de 4,22 pontos porcentuais acima dos juros negociados nos papéis norte-americanos, considerados sem risco.A preocupação dos investidores refere-se ao temor de que novas revelações possam aproximar a crise política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e quanto isso afetaria a política econômica no Brasil. A partir daí, passaram a adotar uma posição mais defensiva - comprando dólares, que são ativos usados como hedge (segurança), e vendendo ações, os ativos que carregam risco maior. O aumento da cautela com o cenário político nos últimos dias acompanhou primeiro as declarações de Roberto Jefferson de que tem provas contra Dirceu e não pouparia mais o presidente Lula. Em seguida vieram as notícias de que o publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza estaria chantageando o PT e teria provas contra Lula. Ele negou as chantagens, mas avisou que desembarcará em Brasília com quilos de documentos.Ao mesmo tempo, cresce a lista dos que supostamente teriam recebido recursos das empresas de Valério. Isso pode comprovar a existência do mensalão, o que colocaria por terra a tese do PT, e que Lula avalizou em entrevista no final de semana passado, de que o dinheiro era para financiamento de campanhas eleitorais.Por fim, de novo o deputado Roberto Jefferson. Em entrevista na noite de sexta-feira passada, declarou que o ministro Antonio Palocci está entre os que sabiam da existência do mensalão. Além disso, o mercado aguarda, amanhã, a entrevista da esposa de Marcos Valério, Renilda, à CPI dos Correios. Muitos membros da comissão avaliam que ela pode desmoronar.Leia aqui mais informações sobre a crise política.

Agencia Estado,

25 de julho de 2005 | 18h07

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