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Investidores realizam lucros dos últimos dias e Bolsa fecha estável

Ibovespa recua 0,02%, aos 75.974 pontos; durante o pregão, mercado reagiu a pesquisa com Lula na liderança para a eleição de 2018 e ao viés de baixa das ações de Vale e siderúrgicas

Denise Abarca, Karla Spotorno, Paula Dias e Renato Carvalho, O Estado de S.Paulo

19 Setembro 2017 | 13h35
Atualizado 19 Setembro 2017 | 19h17

A oscilação da Bolsa nesta terça-feira, 19, começou sob efeito da pesquisa CNT/MDA que apontou a liderança do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva (PT) no cenário eleitoral de 2018. O fator determinante para manter o viés negativo do Ibovespa até o fechamento, no entanto, foi mesmo a queda de 4% do preço do minério de ferro, que levou os papéis da Vale e de siderúrgicas aos destaques de baixa do índice com as ações mais líquidas da Bolsa. 

Assim, à medida que, segundo operadores, ordens de compra equilibravam o cenário diante de uma já esperada realização de lucros, o Ibovespa fechou praticamente estável, com queda de 0,02%, aos 75.974,18 pontos. No mercado à vista, o dólar fechou em alta de 0,02%, aos R$ 3,1345.

Com o noticiário relativamente tranquilo, a leve realização de lucros em nada interferiu na expectativa de manutenção da tendência de alta do índice, afirmam operadores. Somente em setembro, o ganho acumulado do Ibovespa é de 7,26%. 

Diante da queda de 4% do minério de ferro no mercado à vista chinês, Vale ON terminou o dia com desvalorização de 0,96%, Usiminas PNA caiu 1,08%, CSN ON recuou 2,85% e Gerdau PN perdeu 2,94%.

Pela manhã, a divulgação da pesquisa CNT/MDA mostrando vantagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas intenções de voto para as eleições de 2018 teve efeito negativo, mas pontual sobre os negócios. Segundo o levantamento, Lula sairia vencedor em todos os cenários, tendo o deputado Jair Bolsonaro em segundo lugar, também em todas as situações simuladas. O prefeito de São Paulo, João Doria, aparece em terceiro lugar na pesquisa espontânea. 

A Bolsa, que já mostrava sinais de fraqueza, reagiu com queda à divulgação da pesquisa e chegou à mínima de 75.299,62 pontos (-0,91%), logo no início da tarde. A queda acabou por perder força ao longo da tarde, em meio a análises que relativizaram os resultados da pesquisa, uma vez que ainda não se sabe se Lula estará apto a concorrer às eleições presidenciais. Além disso, dizem os operadores, as ordens de compra permaneciam firmes, absorvendo movimentos de realização de lucros.

"Com oito semanas consecutivas de alta, o mercado fez mais uma tentativa de ajuste técnico, que acabou ficando concentrado nas ações da Vale e das siderúrgicas. Não creio que a pesquisa eleitoral tenha tido influência significativa no mercado, até porque ninguém sabe ainda se Lula será mesmo candidato em 2018", disse Pedro Galdi, chefe de análise da Magliano Corretora.

O analista afirma ainda que as oscilações na Bolsa e em outros mercados foram contidas nesta terça-feira em boa medida pelo compasso de espera da decisão de política monetária do Federal Reserve, que ocorre às 15h desta quarta-feira, 20. "A expectativa é de manutenção dos juros nos EUA, mas o mercado quer ter alguma sinalização sobre a possibilidade de haver alteração nas taxas em dezembro. Se houver sinalização de que o ajuste ficará para 2018, o otimismo estará reforçado", disse.

As ações dos bancos, bloco de maior peso na composição do Ibovespa, terminaram o pregão com sinais diferentes. Banco do Brasil ON, que não raro reage a riscos políticos, fechou em baixa de 0,12%. Itaú Unibanco PN caiu 0,36%. Já Bradesco ON e PN ganharam 0,84% e 0,30%, respectivamente. 

As ações da Petrobras definiram tendência de alta no final do dia, a despeito das quedas do petróleo no mercado internacional. Ações ordinárias e preferenciais da estatal subiram 0,32% e 0,66%, respectivamente. 

A tensão geopolítica continuou no radar do investidor, mas não interferiu nos negócios, uma vez que as bolsas de Nova York voltaram a renovar recordes históricos. Na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), o presidente norte-americano, Donald Trump, disse que, se preciso, irá "destruir totalmente" a Coreia do Norte. Segundo Galdi e outros profissionais, a tensão geopolítica é um dos fatores com potencial para deflagrar uma correção mais forte na Bolsa brasileira.

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