Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Tenha acesso ilimitado
por R$0,30/dia!
(no plano anual de R$ 99,90)
R$ 0,30/DIA ASSINAR
No plano anual de R$ 99,90

Bolsa fecha o ano com queda de 18,1%

De 9 modalidades de investimentos, só o Ibovespa teve desempenho negativo em 2011; foi o 3º pior resultado da Bolsa desde o Plano Real

ROBERTA SCRIVANO, O Estado de S.Paulo

30 de dezembro de 2011 | 03h05

O Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) fechou 2011 com queda de 18,11%. É o terceiro pior resultado anual da Bovespa desde 1995, ano de implementação do Plano Real. Números mais desastrosos que esse foram vistos em 1998 (-33,46%), período em que o mundo passava pelas crises asiática e russa, e em 2008 (-41,22%), quando a quebra do banco americano Lehman Brothers deu início à atual turbulência financeira.

Em uma lista com nove modalidades de aplicação, apenas a bolsa mostrou desempenho negativo neste ano. O motivo para o investimento em ação se consolidar como o pior de 2011 é justamente a crise internacional, intensificada no segundo semestre por problemas econômicos e financeiros dos países da União Europeia.

"A grande maioria dos investidores da Bovespa é de estrangeiros. Se há crise lá fora e eles têm dificuldades financeiras, sacam seus investimentos e derrubam a cotação da nossa bolsa", explica Rafael Paschoarelli, professor da Universidade de São Paulo (USP) e da Fipecafi. Diante desse argumento, Paschoarelli diz que considera de extrema relevância o aumento do número de brasileiros pessoas físicas na Bovespa. "Ficaríamos mais imunes às oscilações externas", detalha.

Maiores altas. As duas melhores opções de investimentos de 2011 foram o ouro (alta de 15,85%) e o dólar (12,32%). A crise financeira também é a responsável pela colocação das modalidades no topo do ranking de rentabilidade. Ambos são tidos como reservas de valor e considerados alternativas mais seguras para investimento, portanto têm valorização em tempos de turbulência econômica.

"Se você olhar um período mais longo, verá que desde o ataque de Bin Laden ao World Trade Center, a procura por ouro cresceu muito. O receio de comprar algo que não é palpável ou que pode ser destruído fez as pessoas retomarem o interesse pelo ouro", completa André Nunes, diretor da corretora Reserva Metais, que negocia ouro.

A procura pelo metal precioso por pequenos investidores cresceu tanto nos últimos anos - sobretudo depois de 2008 -, que as corretoras passaram a negociar barras de menor valor no Brasil. A Reserva Metais, de André Nunes, por exemplo, vende barras de 5 gramas por R$ 500. Antes, o investimento mínimo era de R$ 5 mil em barras de 50 gramas.

As opções de aplicação que integram a renda fixa (fundos de renda fixa e DI, CDB e poupança) também tiveram bons resultados no fechamento do ano. Os fundos de renda fixa ganharam 9,59%; os fundos DI, 9,18%; os CDBs com aplicação superior a R$ 100 mil renderam 9,08%; a caderneta de poupança, 7,45%. Os CDBs com aplicação de até R$ 5 mil deram retorno de 7,03%; e os fundos DI de pequenos investidores, 7,34%.

Todas as opções superaram a inflação medida pelo IGP-M, que encerrou 2011 em 5,10%.

Previsão. Os especialistas afirmam que a atual configuração do ranking de rentabilidade tende a se manter por algum tempo. Para Samy Dana, Ph.D. em finanças e professor da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV/SP), a crise externa ainda permanecerá por algum tempo e, por isso, a bolsa continuará sofrendo. Além disso, ele diz que o risco dos investimentos em ações deve aumentar em 2012. "Em outras palavras, a variabilidade dos retornos ficará ainda maior", detalha o professor.

Os especialistas dizem, porém, que, no longo prazo, a Bovespa deve trazer ganhos aos investidores. Saber escolher papéis que estão baratos neste momento de baixa é outra indicação recorrente. Fazer compras gradativas também é prudente, dizem.

Mas a perspectiva do aumento do nível de oscilação e do risco da aplicação em ações faz os especialistas em finanças pessoais ecoarem a recomendação de cautela em 2012.

"Os mercados deverão continuar bem voláteis em 2012, por causa das incertezas sobre a solução para a crise europeia e recuperação da economia mundial", avalia Fábio Colombo, administrador de investimentos que atua no mercado há mais de 20 anos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.