Bolsa lançará novo mercado de ações

Enquanto as discussões sobre a nova lei das S.As. emperram no Congresso, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) prepara o lançamento de um novo mercado de ações, em que a regra principal será a proteção dos direitos do acionista minoritário. Inspirado no Neuer Markt alemão, essa bolsa deve contar apenas com ações ordinárias (ON), que dão direito a voto. Além disso, as empresas terão de se submeter a regras mais rigorosas para publicar balanços e ser transparentes no relacionamento com os investidores.O projeto, que pode entrar em vigor ainda este ano, é visto com bons olhos pelos analistas. A questão é que ele pode esbarrar em alguns entraves, como os juros ainda elevados e a CPMF, que encarece as transações no mercado acionário.O diretor de Renda Variável do banco Lloyds TSB, Pedro Thomazoni, elogia a iniciativa, ressaltando que um dos problemas do mercado acionário brasileiro é o descaso com que são tratados os acionistas minoritários. É por isso, que as ações de empresas brasileiras são mais baratas do que de outras empresas similares da América Latina. Thomazoni entende que, no curto prazo, podem ocorrer algumas emissões de ações no novo mercado, mas afirma que a bolsa pode sofrer com um volume de negócios pequeno.As empresas de tecnologia são as principais candidatas a fazer parte desse mercado, porque precisam captar recursos por não ter caixa para desenvolver seus projetos. Thomazoni diz que, no médio e longo prazo, o crescimento desse mercado depende de algumas reformas estruturais, como a tributária, fundamental para tornar as empresas mais competitivas, e a da Previdência Social, para liberar a poupança de longo prazo para investimento. Nesse cenário, haveria espaço para a expansão de um mercado acionário que tenha como prioridade a defesa dos direitos dos acionistas minoritários.O vice-presidente do Banco Sul América, Roberto Teixeira da Costa, também considera a proposta interessante, principalmente se a lei das S.As. não for aprovada. Segundo Teixeira da Costa, que foi presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o caminho é educar os investidores para que privilegiem as empresas que têm compromissos com os acionistas minoritários.

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