Bolsa: longo prazo não é segurança para ganho

Uma das afirmações mais corriqueiras entre os especialistas de mercado, ao analisar o investimento em bolsa, é que a compra de ações é sempre um negócio rentável no longo prazo. Nenhum analista, no entanto, pode afirmar com certeza o que é o tal longo prazo. Um estudo realizado pelo sócio-diretor da GAP Asset Management, Francisco Corrêa da Costa, por exemplo, mostra que o investimento em bolsa nos últimos cinco anos resultou em perdas. Isso comprova que os ganhos em bolsa não são garantidos no longo prazo.Pelo levantamento de Corrêa da Costa, nos últimos 12 meses, os juros do CDI acumularam uma variação de 19% e o dólar uma valorização de 15% diante de uma desvalorização de 22% da Bolsa de São Paulo no período. No balanço dos últimos cinco anos, o CDI carrega juro acumulado de 171%, o dólar uma alta de 164% e a bolsa uma perda de 22%. "A bolsa se mostra um investimento pouco atraente no Brasil, mesmo se considerando o longo prazo", comenta o executivo da GAP.Fatores que prejudicam a BolsaO executivo aponta uma série de fatores, distribuídos em diversas categorias, que, segundo ele, têm sido determinantes para o mau desempenho do investimento em bolsa. Em primeiro lugar, ele cita "o ambiente regulatório desfavorável, que deixa desprotegido o acionista minoritário, e a falta de garantia de que o valor de mercado de uma empresa com ação negociada em bolsa convirja para seu valor justo".A manutenção dos juros reais, acima da inflação, em níveis bastante elevados seria outro freio à valorização da bolsa. Nesse caso, diz ele, o juro reduz o valor intrínseco dos papéis negociados no pregão e, ademais, desestimula a procura por ações pelo investidor que fica seduzido pela alta rentabilidade das aplicações de renda fixa, que exercem elevada competitividade com o mercado de ações. Um outro fator, segundo ele, é o cultural, o baixo costume do investidor brasileiro de aplicar a poupança em ações.Horizonte de longo prazoEstes números da pesquisa da GAP confirmam que o investimento em bolsa deve ser feito com horizonte de longo prazo, mas isso não implica ganhos em determinados períodos definidos. O prazo de cinco anos é longo, sem dúvida, e neste período houve etapas de grandes ganhos para os investidores que saíram antes da queda dos preços das ações. Por isso mesmo, o termo longo prazo, aplicado às bolsas, não quer dizer comprar e ficar parado. Quer dizer comprar barato e aguardar o melhor momento para vender caro.Veja mais informações sobre a estratégia de aplicação nas bolsas no link abaixo.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.