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Bolsa mexicana pode superar a BM&FBovespa

Em capitalização de mercado, a diferença entre as duas bolsas, que já foi de US$ 1,1 trilhão no início de 2011, está em US$ 150 bilhões

Álvaro Campos, Cláudia Violante , O Estado de S.Paulo

10 Setembro 2015 | 02h02

A bolsa brasileira corre o risco de perder o título de maior mercado acionário da América Latina para a rival mexicana. Embora o mercado de capitais no México não seja o mais atraente do mundo neste momento, a situação atual da BM&F Bovespa coloca a bolsa concorrente em vantagem. Em 12 meses, a bolsa do México registrou queda de 7,4% enquanto no Brasil, a perda chegava a 20% nesse período - antes ainda de o País perder seu grau de investimento.

Segundo cálculos do Bank of America Merrill Lynch, considerando o índice MSCI, a capitalização de mercado da Bolsa brasileira está atualmente em US$ 550 bilhões, enquanto a bolsa mexicana soma US$ 400 bilhões. Essa diferença que hoje é de US$ 150 bilhões já foi de US$ 1,1 trilhão no início de 2011.

Nas contas da Economática, considerando 299 ações da Bovespa, a capitalização de mercado é de US$ 526,1 bilhões. No caso do México, analisando 119 papéis, o volume está em US$ 477,6 bilhões.

De acordo com os números do BofA, o maior mercado do mundo é o dos EUA, com capitalização de US$ 19,7 trilhões. Em seguida, aparece o Japão, com US$ 3 trilhões, e o Reino Unido, com US$ 2,7 trilhões.

Câmbio. Para Gilberto Tonello, analista do Grupo Bursátil Mexicano no Brasil, a Bovespa, de fato, pode perder a liderança na América Latina "no curto prazo", dado não só o desempenho dos mercados acionários aqui e lá, mas também por causa do movimento de desvalorização cambial.

Enquanto no Brasil, o dólar acumula alta de quase 44% ante o real neste ano, a moeda subiu cerca de 14% em relação ao peso mexicano na mesma comparação. Quanto mais cara a moeda dos EUA, menor é o valor do mercado acionário em dólares.

Tonello comenta que a bolsa mexicana tem basicamente o mesmo nível de sofisticação da Bovespa, em termos de variedade de produtos e garantias, mas o giro diário é muito menor. Isso ocorre porque a estatal mexicana de petróleo, a Pemex, não tem capital aberto, assim como os dois maiores bancos privados do país. Lá, os principais setores da bolsa são os de telecomunicação, mineração e indústria.

"Se a Pemex, por exemplo, fosse negociada em bolsa, eles já teriam passado o Brasil há muito tempo", diz Tonello.

Neste ano, o mercado mexicano teve quatro ofertas públicas iniciais de ações (IPO, na sigla em inglês), de volumes baixos. No Brasil, por enquanto, houve só o da Par Corretora.

Segundo o especialista Alexandre Wolwacz, diretor da escola de investimentos Leandro & Stormer, o tamanho, no caso do mercado acionário, faz diferença, principalmente para o investidor estrangeiro, que acaba optando por uma praça onde há mais gente querendo negociar.

Estados Unidos. Como agora as bolsas mexicana e brasileira estão com um tamanho parecido, isso deixa de ser um grande diferencial para a Bovespa. "É mais fácil de entrar ou sair se um papel tem boa liquidez. Neste momento, o investidor com muito dinheiro pode acabar optando por outro mercado na América Latina", emenda Luis Gustavo Pereira, da Guide Investimentos.

Pereira se refere ao fato de a economia mexicana ser bastante ligada à norte-americana, que está dando sinais claros de recuperação. Enquanto isso, o Brasil sofre com a desaceleração da China, que afeta os preços das commodities, e também com as incertezas do cenário político.

Rebaixamento. Ontem, a situação brasileira ficou ainda mais crítica. A agência de classificação de risco Standard & Poor's rebaixou o rating brasileiro de BBB- para BB+, o que significa que o Brasil perdeu o selo de bom pagador. Isso, automaticamente, afasta uma série de investidores estrangeiros, que só podem colocar dinheiro em países que detêm o grau de investimento.

Tonello, do Grupo Bursátil Mexicano, lembra que o governo do presidente Enrique Peña Nieto, que assumiu no fim de 2012, promoveu várias reformas estruturantes na economia, especialmente nos setores de petróleo e energia. Isso ocorreu mesmo em um momento em que a queda nos preços do petróleo afeta a economia mexicana. "Não basta o Brasil estar apenas mais barato que o México", disse. "É preciso perspectiva de crescimento."

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