Bolsa opera em alta à espera da fala de Bernanke

O dia começou com a divulgação de um balanço ruim do banco Merrill Lynch. Bolsa caiu, tenta recuperação

Agência Estado,

17 de janeiro de 2008 | 12h36

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) opera em alta no final da manhã desta quinta-feira. Às 12h15, a valorização do Ibovespa - índice que mede o desempenho das ações mais negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) é de 1,11%. O dólar comercial é vendido a R$ 1,7620, em queda de 0,62%. Em Nova York, as bolsas operam em queda.   Veja também: Merrill Lynch tem prejuízo de US$ 9,83 bi no 4º trimestre     O dia começou com a divulgação de um balanço ruim do banco Merrill Lynch. Os números assustaram os investidores. No quarto trimestre, o banco apresentou prejuízo de US$ 9,83 bilhões , equivalente a US$ 12,01 por ação, quase três vezes mais que o previsto pelos analistas (US$ 4,57 por ação).   Depois dessa divulgação, os mercados reagiram de forma negativa, mas pouco depois outro dado divulgado nos Estados Unidos reverteu em parte o pessimismo. O número de novos pedidos de auxílio-desemprego feitos na semana encerrada em 12 de janeiro recuou em 21 mil. Analistas esperavam, em média, alta de 18 mil. Com a queda da última semana, o número de pedidos caiu para o menor nível desde 22 de setembro de 2007. Ou seja, o mercado de trabalho norte-americano não está tão ruim quanto se esperava, o que diminui um pouco o temor em relação a um desaquecimento da economia norte-americana.   Mas, em seguida, divulgação de outro dado ruim. O Departamento do Comércio informou que o número de novas construções despencou 14,2% em dezembro para a taxa anual de 1,006 milhão - menor nível em 16 anos. Economistas previam uma queda mais modesta, de 5%. Esta informação sinaliza o contrário do mostrado pelo mercado de trabalho nos EUA.   O fato é que os investidores continuam atentos à dimensão da crise norte-americana. E, com a sucessão da divulgação de dados - algumas vezes bons e outras ruim - as bolsas têm reagido com oscilação.   Agora, o mercado espera agora o depoimento do presidente do Fed, Ben Bernanke, que fala às 13 horas sobre as condições da economia em audiência do Comitê de Orçamento da Câmara, em Washington. A avaliação geral é de que o comportamento dos mercados nos próximos dias vai depender muito do que for dito por Bernanke. Segundo o Wall Street Journal, o presidente do BC dos EUA deve apresentar seu apoio ao plano de estímulo econômico que está sendo discutido pelo governo norte-americano. Além do presidente do Fed, estão previstos também discursos de outros dirigentes da instituição.   Mercado no Brasil   No Brasil, a expectativa é de que os investidores estrangeiros continuem saindo da Bovespa, seja para cobrir perdas no exterior ou com um movimento defensivo enquanto esperam passar essa tormenta financeira. A Bovespa registrou saída de cerca de R$ 480 milhões em capital externo no último dia 15 de janeiro, segundo uma fonte ouvida pela editora Aline Cury Zampieri. Do início do ano até agora, a Bolsa acumula saída de capital externo de R$ 1,821 bilhão.   Ontem, o Ibovespa perdeu a marca dos 59 mil pontos e encerrou a jornada em queda de 1,89%, aos 58.777 pontos - menor patamar desde setembro de 2007. Mas é bom lembrar que em 16 de agosto do ano passado, o Ibovespa desceu ao nível dos 44 mil pontos durante o dia, para fechar nos 48 mil pontos.   A temporada doméstica de balanços prossegue aqui. A Votorantim Celulose e Papel (VCP) anunciou hoje cedo crescimento de 27% no lucro líquido em 2007, para R$ 838 milhões. Esse crescimento, segundo a repórter Stella Fontes, foi influenciado principalmente pela melhora do resultado financeiro líquido da companhia, em razão do impacto da valorização do real frente ao dólar na parcela do endividamento que está atrelada à moeda estrangeira.   Durante a manhã, uma boa notícia do lado interno. O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho registrou em 2007 a criação de 1.617.392 novos empregos com carteira assinada. Esse resultado é a nova marca da série histórica do Caged, iniciada em 1992. Com esse resultado, o estoque de empregos do País cresceu 5,85% em relação a 2006.

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