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Bolsa opera em queda e dólar fecha na cotação máxima

O mercado financeiro reagiu nesta segunda-feira ao cenário internacional e à declaração do ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, de que o País chegou ao "fim da era Palocci". Não se trata de nervosismo, mas de um ajuste moderado ao que isso pode significar. Os investidores ainda não têm uma idéia clara sobre isso e os números no mercado refletiram, de forma moderada, esta incerteza, apesar da afirmação feita pelo ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, de que as linhas gerais da política econômica no segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva serão mantidas.Às 16h30, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) opera em queda de 1,12%. O dólar comercial encerrou o dia no patamar máximo desta segunda-feira, cotado a R$ 2,1500, em alta de 0,75%. No mercado de juros futuros, as taxas estão em alta.Para a Bovespa, outro fator negativo foi a forte queda do preço do petróleo no mercado internacional. Isso empurrou para baixo as ações da Petrobras, o que influenciou de forma negativa o índice de ações da Bolsa. No final da tarde, o barril do petróleo estava em queda de 4% na bolsa de Nova York, avaliado em US$ 58,30 o barril. Cenário políticoA declaração de Tarso vem em linha com o discurso que o governo já vem fazendo há algum tempo, de que é preciso avançar no crescimento econômico. No domingo, no discurso após a confirmação de sua vitória no segundo turno da eleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou que a economia deverá crescer 5% ao ano.Além disso, crescem as especulações - algumas fomentadas em Brasília - de que o governo pretende colocar o presidente do Banco Central novamente subordinado ao Ministério da Fazenda, como era antes de Henrique Meirelles conquistar o trânsito direto junto ao presidente da República, por ocasião da substituição de Antonio Palocci por Guido Mantega.Nada assusta ao mercado por ora e, entre operadores, prevalece a avaliação de que dificilmente o governo abrirá mão de pontos essenciais da política econômica - por meio da qual foi possível alcançar a reeleição. Até mesmo uma mudança na presidência do Banco Central ou a redução da autonomia do BC em relação à Fazenda poderia ser relevada. Tudo vai depender, segundo analistas, de quem integrará a equipe econômica, especialmente o cargo de ministro da Fazenda.EspeculaçõesO prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, esteve na tarde desta segunda-feira no Palácio do Planalto para uma audiência com a ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, e com o presidente Lula. Ele negou que possa assumir o ministério da Fazenda, no lugar de Guido Mantega. "Há muita especulação, mas não tem nada de concreto", disse ele, acentuando que "o melhor nome para o Ministério da Fazenda é o de Guido Mantega".Diante da insistência da imprensa, ao ser indagado se aceitaria se fosse convocado, respondeu: "sempre há uma disposição para a missão que ele (Lula) desejar, mas existe muita especulação e essa resposta eu só posso dar para o presidente quando houver um convite, que não houve e espero que não haja, para que eu posso terminar o meu mandato".CertezasIndependentemente de quem assuma a Fazenda, uma coisa parece certa. A intenção do governo em aumentar o crescimento econômico. Em entrevista à Agência Estado, Bernardo destacou que isso provocará alguns ajustes na política econômica. Segundo ele, esses ajustes seriam feitos na área fiscal e tributária.Evitando dar detalhes, o ministro afirmou que as medidas em estudo na área fiscal são as que já foram relatadas na imprensa, como a aplicação de um redutor nas despesas correntes do governo, e desonerações na área tributária desonerações, "ainda que setoriais"."A nossa expectativa é fazer isso (medidas na área fiscal e tributária) combinado com a possibilidade de continuar baixando a taxa de juros e com isso conseguir reunir condições para destravar de vez o processo de crescimento", explicou. Questionado sobre se o segundo mandato terá uma cara mais desenvolvimentista, como disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega, Bernardo respondeu rindo: "O governo já tem essa cara". Segundo o ministro ainda não há nada resolvido sobre esses ajustes a serem feitos na política econômica. Ele explicou que Lula deve reunir rapidamente seus ministros para dar as diretrizes e tomar decisões.

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