Bolsa oscila após sinalização dos EUA para ajudar montadoras

Casa Branca diz que pode usar pacote de ajuda para salvar o setor e investidores aliviam venda de ações

Sueli Campo, da Agência Estado,

12 de dezembro de 2008 | 14h30

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) teve nesta sexta-feira, 12, mais um motivo para continuar o processo de realização de lucros: o fracasso nas negociações dos senadores norte-americanos em torno do plano de ajuda de US$ 14 bilhões às montadoras. O mercado abriu muito pressionado, revelando a surpresa dos investidores no mundo todo com o desfecho do caso no Senado. Mas a sinalização dada pela Casa Branca no início da tarde de que estuda usar recursos do Tarp, o programa de ajuda às instituições financeiras de US$ 700 bilhões, para as montadoras, aliviou um pouco a tensão.  Veja também:EUA estudam usar plano de US$ 700 bi para ajudar montadorasGM e Chrysler avaliam concordata após fracasso de pacoteFracassa reunião sobre montadoras nos EUA Ex-presidente da Nasdaq é preso por fraude bilionária nos EUADe olho nos sintomas da crise econômica Dicionário da crise Lições de 29Como o mundo reage à crise  O Ibovespa conseguiu virar para o lado positivo no começo desta tarde e passou a oscilar entre o terreno negativo e positivo. Às 14h26, o índice tinha leve alta de 0,11%, enquanto em Wall Street as bolsas ensaiavam uma melhora pouco consistente. O Dow Jones reduziu a baixa para 0,84%, o S&P 500 cedia 0,72% e o Nasdaq subia 0,34%. As ações da General Motores, que chegaram a desabar 30% no pré-mercado, reduziram a perda para 5,34% por volta das 13h40, com o mercado mais esperançoso de que a Casa Branca possa evitar a concordata da montadora. Na Europa, as perdas também diminuíram e giravam em torno de 1% e 2%, tendo como destaque também as ações das montadoras. Pesa ainda em Wall Street o noticiário ruim sobre o setor financeiro. Ontem à noite, o Bank of America anunciou a previsão de demissão de até 35 mil funcionários em três anos. Os dados econômicos divulgados nos EUA, como PPI de novembro, vendas no varejo e confiança do consumidor de Michigan, não vieram bons, mas também não foram piores do que o previsto. Os preços das commodities, que vinham numa trajetória de recuperação nos últimos dias, contribuindo para a melhora gradual da Bolsa, estão devolvendo os ganhos na esteira do colapso nas negociações dos senadores em relação à montadoras.Petrobras Na quinta, as ações de Petrobras evitaram uma queda maior da Bovespa (baixa de 1,24%) na reta final do pregão, seguindo a disparada do preço do petróleo, que encerrou em alta de mais de 10% o barril na Nymex, acima de US$ 47. Mas hoje o quadro é o oposto da véspera.O petróleo registra baixa superior a 6%, retrocedendo ao nível de US$ 44 o barril na Nymex eletrônica. Mas a melhora esboçada em Wall Street e o vencimento de opções sobre ações na segunda-feira mantêm os papéis voláteis. Depois de terem operado em baixa de mais de 4% logo na abertura, os papéis iniciam a tarde no terreno positivo. Petrobras PN subia 0,81% e a ON avançava 1,37% às 13h57. Mais cedo, a Petrobras informou que contratou financiamento com um pool de bancos japoneses no valor de 75 bilhões de ienes, algo em torno de US$ 750 milhões. O contrato, firmado no último dia 10 de dezembro, tem prazo de dez anos e seguro da agência de fomento à exportação japonesa Nippon Export and Investment Insurance (Nexi). Segundo o diretor financeiro da Petrobras, Almir Barbassa, as condições oferecidas pelo pool de bancos japoneses foram "extremamente atrativas".

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.