Pixabay/Reprodução
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Dólar cai 5,3% e Bolsa sobe 4,13% ao longo do 2º turno com perspectiva de vitória de Bolsonaro

Nesta sexta-feira, Ibovespa fechou aos 85.719,87 pontos, alta de 1,95%; dólar, que durante o dia chegou a encostar no patamar de R$ 3,64, terminou o pregão a R$ 3,6527, queda de 1,42%

Renato Jakitas, Denise Abarca, Gabriel Bueno da Costa e Luciana Antonello Xavier, O Estado de S.Paulo

26 de outubro de 2018 | 13h00
Atualizado 26 de outubro de 2018 | 18h25

A crença de que as eleições do próximo domingo definirão Jair Bolsonaro (PSL) como presidente da República fez com que o dólar ficasse mais barato 5,27% frente o real, entre o primeiro e segundo turno, ao mesmo tempo em que o Ibovespa, a cesta com as principais ações negociadas na Bolsa, acumulasse valorização de 4,13% no período.

Nesta sexta-feira, 26, o último dia útil antes da eleições de segundo turno, o Ibovespa fechou aos 85.719,87 pontos, alta de 1,95%. Já o dólar, que durante o dia chegou a encostar no patamar de R$ 3,64, terminou o pregão a R$ 3,6527, queda de 1,42%.

Futuro

Há divisão entre os analistas sobre o rumo que o mercado deve tomar na próxima semana, já com o presidente eleito. Ariovaldo Santos, gerente de mesa da Hencorp Commcor, disse que há quem aposte na alta da bolsa até os 100 mil pontos com a eleição do novo presidente. Ele mesmo não acredita nisso. Para Santos, o mais factível é a manutenção do atual patamar, com o mercado acompanhando de perto o desempenho da economia e também os balanços das companhias.

"Já podemos esperar queda do Ibovespa na segunda-feira, após as eleições. Tudo deve voltar ao normal, com os investidores atentos às contas públicas, previdência, juros americanos e China. Já sentimos um pouco isso essa semana", disse Santos.

No câmbio, a estrategista do Banco Ourinvest, Fernanda Consorte, não descarta dias de volatilidade, condicionados principalmente pelas sinalizações do novo governo. 

"Confirmada a vitória de Bolsonaro, há espaço ainda para um rali, mas daí o dólar começa a agir conforme outros fundamentos... digerindo o novo governo", explicou a estrategista de câmbio do Banco Ourinvest, Fernanda Consorte. 

No último dia de negociação antes do primeiro turno das eleições, o dólar praticamente rodou estável, terminando o dia cotado a R$ 3,8471. Nesta sexta-feira, a moeda fechou a R$ 3,6527, acumulando uma queda de 5,27% no período. Desde então, a liderança do capitão da reserva na votação de 7 de outubro e nas pesquisa de intenção de voto levou investidores a irem pouco a pouco colocando nos preços o cenário em que ele, de fato, leva a Presidência da República. 

Estatais

No mercado de ações, um sinal do humor do mercado com a perspectiva de vitória de Bolsonaro foi verificada na valorização das empresas estatais, que fazem parte do chamado "kit eleições". Nesta sexta-feira, elas fecharam no campo positivo, afastando o pessimismo do mercado externo que fez com que o Ibovespa, que passou o período da manhã no sobe e desce, terminasse com alta de quase 2%. 

Os destaques ficaram com as ações da Petrobrás, com elevação de 3,77%, a R$ 30 (ordinárias), e 4,86%, a R$ 27,60 (preferenciais), e Eletrobrás, que se valorizaram 5,81%, cotadas R$ 23,32.

Mercados internacionais

Os setores de tecnologia e serviços de comunicações voltaram a pressionar as bolsas de Nova York, no encerramento de uma semana negativa para os índices acionários, com foco sobretudo em balanços. 

O PIB dos EUA mais forte do que o esperado foi um sinal positivo da economia, apoiando o aperto monetário gradual no país, mas o índice de preços de gastos com consumo (PCE) frustrou a expectativa dos analistas. 

O mau humor global e a cautela com questões como o orçamento da Itália e a negociação da saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit) também levaram para baixo as bolsas europeias e a busca por segurança pressionou os retornos dos Treasuries. 

No câmbio, o dólar recuou ante outras moedas fortes, após o dado da inflação americana, sem manter sinal único em relação a divisas de países emergentes e ligados a commodities, com o peso argentino reduzindo perdas após o Fundo Monetário Internacional aprovar nesta tarde uma nova parcela de ajuda ao país, no âmbito do pacote antes fechado. 

No fechamento, o índice Dow Jones caiu 1,19%, a 24.688,31 pontos, o Nasdaq recuou 2,07%, a 7.167,21 pontos, e o S&P 500 teve baixa de 1,73%, a 2.658,69 pontos.

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