Bolsa perde os 61 mil pontos com exterior e revisão para minério

Cenário:

ANA LUÍSA WESTPHALEN, O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2012 | 03h32

Uma conjunção de fatos negativos contribuiu para a Bovespa perder os 61 mil pontos ontem, patamar em que se manteve nos oito pregões anteriores. Em uma sessão marcada pela aversão ao risco generalizada, as notícias corporativas acabaram ganhando grande proporção, o que culminou em quedas expressivas, como foi o caso de Usiminas e Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), que recuaram mais de 8%. No setor financeiro, Bradesco e Itaú Unibanco lideraram as perdas, mas todos os bancos registraram baixas afetados pelo recente movimento de queda de juros no cartão de crédito.

Para piorar, na segunda parte do pregão, o mercado norte-americano mudou a trajetória para o negativo após o presidente do Federal Reserve da Filadélfia, Charles Plosser, afirmar que o novo programa de compras de ativos anunciado este mês pela instituição não deve impulsionar o crescimento econômico e que o Fed pode precisar elevar a taxa de juros antes de 2015. Isso acelerou as perdas das blue chips Petrobrás e Vale. Além disso, o banco Goldman Sachs reviu em baixa suas projeções para o preço do minério de ferro, derrubando as empresas ligadas à commodity. Desse modo, o Ibovespa encerrou com queda de 2,28%, aos 60.501,10 pontos. No mês de setembro, a Bolsa paulista acumula ganho de 6,03%, e, no ano, de 6,60%.

No mercado de câmbio, o dólar subiu ante o real concomitantemente com a piora das bolsas norte-americanas e a recuperação da moeda norte-americana diante do euro e de algumas divisas ligadas a commodities, Nos negócios à vista, o dólar fechou na máxima do dia, a R$ 2,0290 (+0,15%) no balcão. A presença mais ativa de exportadores e importadores ajudou a alavancar o volume de operações. O giro total à vista atingiu US$ 2,525 bilhões.

Em Nova York, no discurso de abertura da 67ª Assembleia-Geral da ONU, a presidente Dilma Rousseff criticou a política monetária expansionista nas economias desenvolvidas e afirmou que legítima defesa comercial dos emergentes não pode ser classificada como protecionismo.

Nos juros futuros, as taxas projetadas pelos contratos de DI, sobretudo curtos e intermediários, deram prosseguimento à correção de baixa iniciada com as declarações do ministro da Fazenda, Guido Mantega, na sexta-feira passada com relação à queda dos juros. A Fazenda corrigiu, mas não convenceu o mercado. Os agentes financeiros também estão em compasso de espera pelo Relatório Trimestral de Inflação, amanhã.

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