Goran Tomasevic / Reuters
Goran Tomasevic / Reuters

No México, bolsa, peso e principal ETF negociado em NY caem após vitória de Obrador

Vitória do candidato de esquerda causou apreensão nos mercados

Mateus Fagundes, O Estado de S.Paulo

02 Julho 2018 | 19h54

A vitória do cientista político Andrés Manuel López Obrador à presidência do México provocou a desvalorização dos principais ativos do país. A bolsa de valores da Cidade do México, o peso e o ETF mexicano mais negociado em Nova York, o EWW, tiveram baixa na sessão.

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O índice BMV/IPC, da Bolsa da Cidade do México, caiu 2,02%, para 382,69 pontos. O dólar subia 0,54%, para 19,9808 pesos mexicanos, na comparação do final da tarde de sexta-feira em Nova York. O EWW, calculado pela MSCI, cedeu 2,52%, para 45,95 pontos.

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Com 75% das urnas apuradas, López Obrador tinha 53,1% dos votos válidos, bem distante do segundo colocado Ricardo Anaya (22,5%). As projeções dos principais institutos e os próprios adversários reconhecem a vitória dele, que foi candidato pela terceira vez.

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Apesar de ter moderado o tom usado nas duas eleições anteriores, a acachapante vitória do esquerdista causou apreensão nos mercados. Isso porque a coalizão liderada pelo Movimento de Regeneração Nacional (Morena), partido criado por Obrador em 2014, deve ter ampla maioria tanto no Senado (55% das cadeiras) quanto na Câmara (70%).

"Ainda há pontos de interrogação sobre o tamanho de sua maioria no Congresso, mas há pouca dúvida sobre o mandato esmagador de Obrador. Dada a falta de transparência no campo das políticas, o principal risco é uma mudança em direção a medidas mais heterodoxas/populistas e hostis ao mercado, apesar de suas primeiras falas pós-eleitorais terem sido conciliatórias", afirmou o vice-presidente de estratégia de câmbio do Goldman Sachs, Michael Cahill, em nota enviada a clientes.

Para a agência de classificação de risco Moody's, a vitória de López Obrador pode gerar turbulência no curto prazo e aumenta os riscos dada à indefinição de políticas públicas. "A definição do governo Obrador será incerta até o final do ano, dado o prolongado processo de transição política", ressaltou o vice-presidente de crédito da Moody's, Jaime Reusche.

Para a Fitch, a vitória de Obrador pode sinalizar mudanças nas políticas fiscal, econômica e energética, ainda que a composição do Congresso seja um fator-chave.

"Obrador fez campanha para aumentar os gastos em áreas como Previdência, novos subsídios para estudantes universitários de baixa renda e investimentos públicos, mas isso pode ser contraditório em manter a disciplina orçamentária, a menos que seja compensado suficientemente com cortes de gastos ou aumentos de impostos", comentou a Fitch.

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