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Com piora externa e Previdência, Bolsa perde os 97 mil pontos

Ibovespa fechou o dia com queda de 1,11%; dólar teve alta e chegou a R$ 3,8533

Paula Dias e Altamiro Silva Junior, O Estado de S.Paulo

09 de abril de 2019 | 13h53

A cautela predominou nos mercados globais nesta terça-feira, 9, em meio a renovados temores de desaceleração global, após cortes nas projeções de crescimento da economia mundial pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e à possibilidade de os Estados Unidos imporem tarifas sobre produtos da União Europeia no valor de US$ 11 bilhões.

O Ibovespa, que operou em queda ao longo do dia, encerrou em baixa de 1,11%, aos 96.291,79 pontos, influenciado ainda pelo sinal negativo das Bolsas em Nova York. A queda interrompeu três altas consecutivas. Os negócios somaram R$ 11,8 bilhões, novamente inferior à média das últimas semanas.

No câmbio doméstico, contrariando a fraqueza do dólar no exterior, a moeda americana avançou e chegou ao nível de R$ 3,86, para fechar com leve ganho de 0,10%, a R$ 3,8533. Ainda assim, o real foi a moeda emergente com pior desempenho.

"Vejo pouca margem para atrasos na reforma da previdência", afirma o diretor da Mirae Asset, Pablo Spyer, destacando que os investidores estão crescentemente preocupados com o 'timing' de aprovação das medidas e os recentes acontecimentos em Brasília têm dificultado essa visão. Por isso, o ambiente de incertezas em torno da reforma apoia um movimento de fuga do risco. Assim, investidores vendem Bolsa e compram dólar, reforçando posições defensivas.

No Brasil, somou-se ao ambiente mais adverso no exterior a preocupações em relação à articulação política pela reforma da Previdência, no dia em que o relatório sobre a proposta deve ser lido na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. A sessão começou pouco depois das 14h30, mas até as 18h os deputados segiam debatendo o tema.

Na comissão, apesar das tentativas de obstrução pela oposição, os governistas conseguiram aprovar requerimento para inverter a pauta e antecipar a leitura do relatório sobre a Previdência, o que está previsto para ocorrer ainda nesta noite.

As declarações, na véspera, do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), de que "não tem mais as condições que tinha antes de ser um articulador político da Nova Previdência" pesaram sobre os ativos.

Para Daniel Xavier, economista do DMI Group, o consenso no mercado ainda é de que a reforma será aprovada, embora com uma economia inferior ao R$ 1,1 trilhão defendido pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. Para ele, o mercado trabalha com um número próximo de R$ 700 bilhões, o que não seria de todo negativo.

No atual quadro de negociações, Xavier destacou os sinais de uma articulação ainda pouco coesa, sobretudo por declarações dadas na segunda-feira. "Paulo Guedes disse que não poderá ser o articulador, por não ter temperamento para isso. Rodrigo Maia afirmou que não quer liderar o processo. Já o presidente Jair Bolsonaro é quem, bem ou mal, está fazendo esse trabalho. É uma mudança importante, porque ele percebeu que não pode deixar o Congresso sozinho", disse.

Papéis em baixa

Na análise por grupos de ações, as quedas mais significativas ficaram com os papéis ligados a commodities metálicas, em reflexo dos temores de desaceleração da economia global. Vale ON caiu 1,95%, Gerdau Metalúrgica PN perdeu 2,12% e CSN ON recuou 2,51%. Com a queda dos preços do petróleo, Petrobrás ON e PN terminaram o pregão com baixas de 0,89% e 0,31%, respectivamente.

Além do petróleo, pesaram também dúvidas quanto à cessão onerosa, depois que o presidente da Câmara apontou necessidade de uma emenda constitucional para que os recursos dos leilões dos excedentes sejam divididos entre estados e municípios. A posição diverge do que afirmou Guedes, para quem a questão não necessita de aprovação no Congresso. O setor financeiro foi outro a influenciar negativamente o Ibovespa. Banco do Brasil ON caiu 1,50% e as units do Santander, 1,58%.

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