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Bolsa precisa de calma e de juros baixos

Para manter a tendência de crescimento no volume financeiro, conforme verificado nas últimas semanas, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) ainda depende da conjuntura internacional e de um corte maior nos juros. A avaliação é feita por especialistas de mercado.Para o analista-chefe da Itaú Corretora, Reginaldo Alexandre, a melhoria do giro da Bolsa demanda uma continuidade na recuperação da economia global - verificada em alguns indicadores americanos, como o de construção civil e consumo. "No campo interno, precisamos de uma mistura de bons indicadores de inflação, da queda de juros e de política fiscal", completou.Uma pesquisa feita pela Agência Estado, com base em informações da Economática, mostrou que o volume médio da Bovespa cresceu cerca de 50% na comparação entre a primeira semana de janeiro de 2002 e o mesmo período de março, até quinta-feira passada.O giro médio da Bolsa paulista passou de cerca de R$ 500 milhões para R$ 770 milhões. O mesmo crescimento vale para o resultado em dólares, que passou de US$ 218 milhões para US$ 330 milhões.O gestor de renda variável do Banco Safra, Valmir Celestino, concorda que a redução dos juros é fundamental para manter o ritmo e acrescentou um outro fator, considerado decisivo. "O giro está ligado a uma sensibilidade melhor do mundo em relação ao Brasil, e é difícil fazer uma previsão dessas em um ano eleitoral", ponderou.Celestino acrescentou que, observadas tais condições, o capital estrangeiro começará a retornar ao País, impulsionando o giro da Bolsa local. "Com um clima favorável, o fluxo global de capitais fica mais solto, fluido, e torna-se mais fácil captar e emprestar dinheiro", completou Alexandre, da Itaú Corretora.Fatores pontuais também têm contribuído e podem continuar influenciando o volume da Bolsa. O gestor de renda variável do ABN Amro Asset Management, Marcos Zaidan, lembrou que notícias recentes envolvendo a Telemar, cujas ações preferenciais são as mais negociadas da Bolsa, puxaram o giro financeiro.A companhia anunciou que 2002 pode apresentar um crescimento de até 35% no endividamento líquido, num adicional de R$ 2,4 bilhões. A divulgação surpreendeu os analistas - que contavam com uma redução da dívida para este ano - e afetou negativamente os papéis em Bolsa.Outro ponto citado por Zaidan foi a crise política entre a Presidência da República e o PFL, o que causou um aumento do risco da Bolsa, elevando a volatilidade.

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