Bolsa encosta nos 76 mil pontos e já acumula alta de 7,28% no mês

No primeiro pregão da semana, Ibovespa fecha com valorização de 0,31%, aos 75.990,40 pontos; durante o dia, indicador chegou a bater 76,4 mil pontos

Paula Dias, Marcelle Gutierrez e Simone Cavalcanti, O Estado de S.Paulo

18 Setembro 2017 | 13h04

O Ibovespa, índice que reúne as ações mais líquidas da Bolsa, iniciou esta semana como havia fechado a última: renovando seu recorde histórico de fechamento. O indicador, que durante o dia chegou a alcançar o patamar inédito de 76.403,57 pontos, encerrou o pregão desta segunda-feira, 18, em alta de 0,31%, aos 75.990,40 pontos. Com este resultado, a valorização da Bolsa em setembro é de 7,28% – variação que já é superior aos 6,49% acumulados em todo o mês de agosto. No ano, a alta acumulada é de 26,17%.

O dólar à vista também registrou em alta. A cotação da moeda americana teve valorização de 0,66% ante o real, fechando aos R$ 3,1338.

O estímulo positivo para o Ibovespa veio do cenário internacional, onde as bolsas registraram ganhos, amparadas pela expectativa de manutenção dos juros nos Estados Unidos pelo Federal Reserve na reunião desta semana, a despeito da chance de anúncio do início da redução do balanço da instituição.

Em um dia de noticiário doméstico brando, a subida das bolsas de Nova York para novos patamares recordes acabou por dar impulso às ações brasileiras, mesmo que moderado. O volume financeiro de transações na Bolsa totalizou R$ 14,4 bilhões, inflado pelos R$ 4,9 bilhões movimentados no exercício de opções sobre ações.

"O Ibovespa está bastante esticado, mas vem absorvendo realizações de lucros pontuais que ocorrem durante o pregão. Na prática, o investidor quer recolher parte dos lucros, mas se sente desestimulado quando olha as bolsas de Nova York em alta e o cenário doméstico sem grandes riscos", disse Luiz Roberto Monteiro, operador da mesa institucional da Renascença Corretora. 

Monteiro e outros profissionais ouvidos pelo Broadcast observam que a Bolsa está em um momento de grande popularidade, devido aos sucessivos recordes que vem batendo. Para eles, a grande repercussão dos bons resultados tende a trazer para o mercado um contingente de investidores pessoa física interessados em aproveitar o bom momento. Em geral, momentos como esse costumam ser a "senha" para correções na Bolsa. "Desta vez, não se sabe se é isso o que vai acontecer, uma vez que o cenário interno não mostra grandes riscos", disse um profissional.

A alta do dia foi possível graças à valorização das ações do setor financeiro, que operou majoritariamente em terreno positivo. Itaú Unibanco PN, ação mais importante do Ibovespa, subiu 0,71%, enquanto Banco do Brasil ON ganhou 1,38%.

A volatilidade dos preços do petróleo e a ocorrência do exercício de opções geraram instabilidade nas ações preferenciais da Petrobras, que alternaram sinais e terminaram o dia estáveis. Já Petrobras ON avançou 0,96%. Segundo apurou o Broadcast, a estatal concluiu hoje captação de US$ 2 bilhões em bônus com vencimento em 2025 e 2028, com retorno de 5,30% e 6%, respectivamente. A demanda superou US$ 9 bilhões (leia mais em texto publicado às 15h58).

A expectativa otimista para a economia e para os setores de mineração e siderurgia levaram Vale ON a uma alta de 1,33%, que contribuiu para alavancar papéis como CSN ON (+3,41%) e Gerdau PN (+0,82%). Usiminas PNA subiu 7,14% e foi a maior alta entre as ações que integram o Ibovespa, refletindo particular otimismo dos investidores com a empresa, que passa por processo de reestruturação.

Na ponta contrária esteve JBS ON, liderando as perdas do índice com -3,95%. A queda interrompeu uma sequência de três altas consecutivas e refletiu a decisão do Conselho de Administração da empresa de escolher José Batista Sobrinho como presidente do grupo, em substituição ao seu filho Wesley, preso na semana passada acusado de atuar no mercado com insider information.

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O BTG Pactual, em comentário ao mercado, destacou que José Batista Sobrinho deve completar o mandato de dois anos de Wesley Batista, preso na semana passada. Segundo a equipe de análise do banco, a decisão reitera a posição de controle da família, fazendo com que os recentes rumores de venda de parte da empresa pelos Batistas não façam sentido. Outro ponto importante é o atraso na "tão esperada transição para uma gestão profissional", avaliaram.

Um outro operador comentou que o mercado não vê com "bons olhos" esse embate do comando do BNDES com a conselheira. "A reunião não foi organizada de forma muito clara e a conselheira do BNDES votou sem conversar com o banco. Tudo isso pesa", disse.

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No câmbio, a direção também foi dada pelo exterior. A valorização do dólar sobe ante o real reflete os ganhos da moeda ante divisas emergentes e ligados a commodities no mercado internacional. Também se trata de uma resposta à desvalorização mais acentuada do petróleo, que chegou a registrar perdas ao redor de 1%.

Essa trajetória, porém, exerce pouca influência sobre os juros futuros. As taxas rondaram a estabilidade, com viés de baixa, com o mercado já no aguardo do IPCA-15 e RTI programados para os próximos dias. A posse da nova procuradora-geral da República, Raquel Dodge, foi acompanhada sem reações nos mercados locais. Seu discurso, no entanto, ajudou a reforçar a percepção de que a atuação dela será mais moderada e discreta do que a de seu antecessor, Rodrigo Janot.

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