Bolsa recupera parte das perdas e fecha em alta de 3,24%

Bolsa foi puxado principalmente por Vale, siderúrgicas e Petrobras

Claudia Violante e Silvana Rocha, da Agência Estado,

20 de agosto de 2008 | 17h37

As notícias vindas da China permitiram à Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) um pregão de recuperação. O principal índice da Bolsa doméstica trabalhou o dia todo em alta, puxado principalmente por Vale, siderúrgicas e Petrobras, embora os ganhos tenham ocorrido de forma generalizada. No final do dia, o Ibovespa registrava alta de 3,24%, a maior variação desde os 3,37% do dia 30 de julho. Em pontos, a Bovespa situou-se em 55.377,2 pontos. Com tal desempenho, as perdas de agosto foram reduzidas a -6,94% e, as de 2008, a -13,32%. O índice oscilou hoje entre a mínima de 53.641 pontos (estabilidade) e a máxima de 55.545 pontos (+3,55%). O giro totalizou R$ 4,721 bilhões (preliminar). As ordens de compras foram motivadas pela expectativa de que a China anunciará um pacote para estimular o consumo doméstico. O vice-primeiro-ministro do país, Li Keqiang, teria dito isso e também o economista do JPMorgan Frank Gong teria citado esta possibilidade em um relatório enviado a clientes. O pacote, segundo Gong, seria entre 200 bilhões de yuans a 400 bilhões de yuans, incluindo corte de impostos e medidas para estabilizar os mercados de capital e sustentar o mercado imobiliário.  Com os rumores, as bolsas da China dispararam - o Xangai Composto teve alta de 7,6%, aos 2.523,28 pontos, no seu maior ganho porcentual diário desde 24 de abril, e o Shenzhen Composto ganhou 7,2%, aos 712,82 pontos - influenciando os demais mercados. Se confirmado, o pacote vai estimular principalmente o segmento de commodities, e isso puxou as ações das mineradoras e siderúrgicas pelo mundo. As ações desse segmento favoreceram a alta das Bolsas na Europa e conduziram os ganhos no Brasil. Vale ON (ordinária, com direito a voto) disparou 5,50% e PNA (preferencial, sem direito a voto), 6,97%. Gerdau PN teve elevação de 5,05%, Metalúrgica Gerdau PN, 6,49%, Usiminas PNA, 6,59%, e CSN ON, 5,37%.  Ainda no setor, vale registro para a aquisição, pela siderúrgica ArcelorMittal, de 100% da London Mining América do Sul ou London Mining Brasil, pertencente à mineradora britânica London Mining, por aproximadamente US$ 764 milhões. Petrobras também foi destaque de alta, ao avançar 4,90% as ações ON e 4,84% as PN. Além da alta do petróleo, os investidores teriam reagido com compras às notícias de que a empresa não faria oposição à criação de uma nova estatal do petróleo para gerir a área do pré-sal, desde que tenha garantido o direito de exploração dos nove campos já descobertos e que essas áreas sejam unificadas.  Mercado externo Nos Estados Unidos, a alta do petróleo não impediu as bolsas de subirem. Na Nymex (bolsa eletrônica de Nova York), o contrato para setembro, que vence hoje, avançou 0,39%, para US$ 114,98. O de outubro aumentou 0,89%, para US$ 115,56. O Dow Jones avançou 0,61%, aos 11.417,4 pontos, o S&P teve variação de 0,62%, para 1.274,54 pontos, e o Nasdaq teve elevação de 0,20%, aos 2.389,08 pontos.  Os índices, lá, oscilaram entre positivo e negativo, diante dos temores de que as duas agências de hipotecas Freddie Mac e Fannie Mae possam ter que receber um socorro financeiro do governo. Os papéis derreteram mais de 25% cada. Para contrabalançar a notícia ruim, o resultado da Hewlett-Packard, maior do que o esperado, agradou.  Apesar da recuperação de hoje, os analistas reforçam que a crise ainda não acabou e a volatilidade continua.  Mercado cambial O dólar à vista operou em baixa durante toda a sessão, enquanto no mercado externo a moeda norte-americana oscilou ante o euro com um viés de alta à tarde. A firme valorização da Bovespa levou os investidores a reforçarem suas apostas na queda do dólar no mercado futuro, o que afetou o comportamento do dólar, disse um operador. No exterior, a recuperação das ações ajudou a sustentar o dólar em alta ante o euro. Outro profissional afirmou que o fluxo cambial positivo no mercado à vista, embora mais fraco que o anterior e sem destaques, contribuiu ainda para o declínio das cotações. No fechamento, o dólar comercial recuou 0,52%, a R$ 1,6185 na roda da BM&F, e -0,49%, a R$ 1,619 no balcão - menor valor desde o dia 11. ÀS 16h50, o euro caía 0,15%, a US$ 1,4748; enquanto o dólar recuava 0,07%, a 109,77 ienes. Em meio à queda das cotações, o Banco Central realizou o leilão de compra de moeda no mercado á vista no fim da manhã, mas pode ter comprado apenas cerca de US$ 16 milhões. A taxa de corte foi de R$ 1,6215. Segundo um operador, quatro propostas foram aceitas, entre as cinco declaradas por cinco instituições. As ofertas declaradas variaram de R$ 1,6195 na mínima a R$ 1,6225 na máxima.

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