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Bolsa: resultados e perspectivas

O Ibovespa - Índice que mede a variação da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) - esboçou uma recuperação nos últimos dias, acumulando alta de 7,37% desde 28 de maio até sexta-feira, dia 8 de junho, mas as perspectivas para o investimento em ações continuam nebulosas para os próximos meses. A valorização recente é considerada pelos analistas uma correção técnica dos preços - que estavam muito baratos em dólar, por conta forte alta da moeda americana neste ano -, motivada em grande parte pelo sucesso da operação da troca (swap) de títulos da dívida da Argentina de curto prazo por títulos com vencimento mais longo. O grande drama para a Bolsa é que, com a crise energética, a economia vai crescer menos, reduzindo os lucros das empresas. Além disso, o cenário político ficou mais indefinido, por causa da percepção de que o racionamento de energia deve dificultar a eleição de um candidato governista nas eleições presidenciais de 2002 - um fator que preocupa bastante o mercado. Em relação ao cenário externo, se não é a maior fonte de instabilidade no momento, está longe de ser animador, uma vez que persistem as dúvidas em relação à Argentina. Isso porque, para a maior parte dos analistas, o swap argentino apenas impediu o default (calote) no curto prazo. Crescimento menor afeta BolsaCom isso, a expectativa de que 2001 seria um grande ano para a Bolsa dificilmente vai concretizar-se. Em termos nominais, o Ibovespa está em alta de 0,7% no ano. Em dólar, no entanto, o índice amarga uma perda de 16,7%. O diretor de Renda Variável da Unibanco Asset Management (UAM), Jorge Simino, diz que a principal má notícia para a bolsa neste ano foi realmente o racionamento, em razão do impacto negativo sobre os resultados das empresas, pois elas vão ganhar menos dinheiro daqui para a frente. Em 2000, o Ibovespa recuou 10,66%. Segundo Simino, as incertezas em relação aos EUA, a alta dos preços do petróleo, a crise cambial na Turquia e os temores quanto à Argentina explicaram o mau desempenho da Bolsa num ano em que a economia cresceu 4,46% e as empresas tiveram lucros expressivos. Neste ano, além dos fatores externos, há o problema do racionamento de energia que reduz o ganho das empresas.O diretor de Renda Variável do banco Lloyds TSB, Pedro Thomazoni, lembra que ainda há muita dificuldade em estimar o impacto do racionamento sobre o crescimento do PIB, além das conseqüências sobre cada setor da economia e sobre os resultados das empresas. As previsões dos analistas são muito divergentes em relação ao PIB. Há quem projete um crescimento de 1,5% a 2%, como a ABN-Amro Asset Management. No caso Indosuez W.I. Carr Securities, a aposta é que o PIB cresça 3,5%. Alta do dólar também prejudica BolsaA alta do dólar é outro fator que afeta o desempenho de muitas companhias. Um estudo da consultoria Economática com 195 empresas não-financeiras mostrou que o lucro líquido no primeiro trimestre deste ano foi de R$ 886 milhões - 78,8% menor do que o registrado no mesmo período do ano passado, basicamente por causa da valorização da moeda americana. A pressão sobre o câmbio tende a beneficiar apenas empresas que têm receita em dólares e não têm um grande endividamento em moeda estrangeira. O gestor de Renda Variável do banco JP Morgan, Eduardo Favrin, ressalta que a combinação de racionamento e alta do dólar torna muito mais delicada a avaliação das ações. Segundo ele, está ainda mais difícil recomendar um setor de maneira genérica. Ele cita o caso de duas siderúrgicas, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e a Usiminas. A primeira não só é auto-suficiente em energia - na verdade, vai até vender o excedente que gera -, como também é grande exportadora. A Usiminas, por sua vez, não produz energia e tem como foco o mercado interno. Por conta dessas diferenças, as ações ordinárias (ON, com direito a voto) da CSN está em alta de 25,28% no ano, enquanto as preferenciais do tipo A (PNA, sem direito a voto) da Usiminas acumula desvalorização de 21,30% no período.PerspectivasNesse cenário, as perspectivas para a bolsa nos próximos meses não são empolgantes. Como diz Simino, é difícil apostar em ações num ambiente marcado por incertezas em relação ao impacto da crise energética sobre a economia, indefinições no cenário político e desconforto quanto à Argentina. Segundo Simino, o investidor que aplicar por prazos longos poderá obter ganhos interessantes, mas precisa saber que a instabilidade deverá ser a regra nos próximos meses, principalmente à medida que a eleição aproximar-se. O temor dos investidores é que uma eventual vitória de um candidato oposicionista implique mudanças na direção da política econômica. Nesse quadro, os analistas estão revisando para baixo suas previsões para o Ibovespa. O diretor de Investimentos da BNP Paribas Asset Management, Gilberto Kfouri Jr., mudou sua projeção do índice para o fim do ano de 21 mil para 17 mil pontos, o que indica uma perspectiva de valorização de apenas 10,66% em relação ao nível de 15.366 pontos do fechamento de sexta-feira. O diretor de Investimentos da ABN-Amro Asset Management, Alexandre Póvoa, também não vê boas perspectivas para a Bolsa, mas não acredita que o Ibovespa vá recuar com força. Um dos principais motivos é que a alta do câmbio barateia as ações em dólar. E os preços dos papéis brasileiros estão especialmente atrativos se comparados com os das ações mexicanas. Enquanto o Ibovespa acumula perda de 17,7% em dólares neste ano, a Bolsa da Cidade do México registra alta de 20%, empurrada tanto pela valorização nominal das ações como pela alta do peso em relação à moeda dos Estados Unidos. Esse descompasso levou o banco JP Morgan a recomendar aos clientes o aumento da exposição no mercado acionário brasileiro e a redução da aposta em papéis mexicanos. Operadores notaram a presença de investidores estrangeiros na ponta de compra nos últimos dias. A questão é que esse fluxo, além de ser pouco expressivo, não deve dar sustentação à alta das cotações. Para Thomazoni, essas compras são especulativas. O investidor doméstico, por sua vez, está muito ressabiado, especialmente depois do surgimento da crise energética. E, como diz Póvoa, a forte competição das aplicações de renda fixa voltou a atrapalhar bastante. A taxa básica de juros (Selic), hoje em 16,75% ao ano, já subiu 1,5 ponto porcentual nos últimos três meses.InvestimentosNão deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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