Bolsa segue Nova York e tem primeira queda em maio

Como a elevação foi bastante inflada neste período, acima de 12%, a correção também não foi modesta

Claudia Violante, da Agência Estado,

07 de maio de 2009 | 18h39

Balanços ruins e a inversão para baixo das bolsas norte-americanas fizeram a Bovespa finalmente interromper um ciclo de cinco altas seguidas. Como a elevação foi bastante inflada neste período, acima de 12%, a correção nesta quinta-feira, 7, também não foi modesta. Com o peso sobretudo de Vale, Gerdau e bancos, o índice chegou a cair abaixo de 50 mil pontos, mas conseguiu garantir esse patamar no fechamento.

 

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A Bolsa doméstica terminou a quinta-feira com recuo de 2,80%, aos 50.058,06 pontos. Na mínima do dia, tocou os 49.743 pontos (-3,41%) e, na máxima, os 52.079 pontos (+1,12%). No mês, ainda acumula elevação de 5,86% e, no ano, de 33,31%. O giro financeiro totalizou R$ 5,769 bilhões. Os dados são preliminares.

 

Aqui, assim como nos Estados Unidos, os índices acionários inauguraram o dia em alta, mas mudaram de rumo ainda pela manhã. Lá, embora os indicadores econômicos tenham vindo melhores do que as previsões, as bolsas viraram para baixo influenciadas pela queda do setor de tecnologia, já que o balanço da Cisco Systems desagradou. O setor financeiro também pesou, com os investidores à espera do resultado dos testes de estresse ao final do expediente no mercado.

 

De acordo com o Departamento do Trabalho, o número de trabalhadores norte-americanos que entraram pela primeira vez com pedido de auxílio-desemprego diminuiu 34 mil na semana que terminou em 2 de maio, após ajustes sazonais, para 601 mil, o menor nível desde o final de janeiro. Economistas esperavam aumento de 4 mil. Já a produtividade da mão de obra no setor industrial norte-americano subiu à taxa anualizada de 0,8% no primeiro trimestre, mais que o dobro do 0,3% previsto pelos analistas.

 

O Dow Jones terminou o dia em queda de 1,20%, aos 8.409,85 pontos, S&P caiu 1,32%, aos 907,39 pontos, e Nasdaq, de 2,44%, a 1.716,24 pontos. Bank of America (BofA) avançou 6,46%, mas Citigroup perdeu 1,30%, JPMorgan terminou com recuo de 5,32% e American Express, de 4,31%. As ações da GM perderam 3,61%. A montadora anunciou prejuízo líquido de US$ 6 bilhões no primeiro trimestre.

 

No Brasil, Vale, siderúrgicas - destaque para Gerdau - e bancos estiveram à frente das ordens de vendas, que contaram com a atuação dos estrangeiros. Petrobras também acabou virando para baixo, depois de uma abertura positiva, mas seu recuo foi limitado pela alta do petróleo. Na Nymex, o contrato desta commodity para junho terminou em US$ 56,71, com variação positiva de 0,66%.

 

O papel ON da estatal perdeu hoje 1,92%, e o PN, 1,75%. Em entrevista exclusiva à Agência Estado, o diretor financeiro da Petrobras, Almir Barbassa, disse apostar na capitalização da empresa por meio de reservas atualmente nas mãos do governo como uma forma de viabilizar o pré-sal, sem promover uma alavancagem da estatal superior à meta de 35%.

 

Vale ON caiu 3,75% e PNA, 3,23%. Ontem à noite, a mineradora anunciou seu balanço do primeiro trimestre, no qual revelou queda de 32,5% no lucro líquido, para US$ 1,363 bilhão, pela norma contábil dos EUA.

 

Gerdau PN recuou 4,99%. A empresa teve queda de 96,7% no lucro líquido do primeiro trimestre, para R$ 34,999 milhões, em relação a igual período do ano passado. Metalúrgica Gerdau PN terminou em -5,07%, CSN ON, em -2,83%, e Usiminas PNA, -1,94%.

 

Nos bancos, o destaque de baixa ficou com o Itaú Unibanco, que recuou 7,57% na ação PN e 4,55% na ON. A queda foi bancada pela volta dos rumores de que o BofA poderia se desfazer das ações que detêm no banco brasileiro. Bradesco PN perdeu 4,37% e BB ON, 5,03%.

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