Bolsa sobe 0,49%, mas perde 5,39% na semana

Segundo avaliação de especialistas, mercado ainda precisa de ajuda e balanços seguem trazendo números ruins

Claudia Violante, da Agência Estado

16 de janeiro de 2009 | 18h25

A ajuda dos EUA ao Bank of America (BofA), Citigroup e a aprovação, pelo Senado do país, da segunda tranche de recursos do Tarp, de US$ 350 bilhões, trouxe alívio ao mercado acionário, mas inconsistente. Os índices, aqui e nos Estados Unidos, sustentaram ganhos firmes na primeira parte da sessão, mas depois voltaram a trabalhar com muita volatilidade, retomando a alta com mais firmeza perto do fechamento. A avaliação dos especialistas é de que, apesar de a ajuda ter sido bastante positiva, o outro lado é que o mercado ainda precisa de ajuda e os balanços seguem trazendo números ruins.   Veja também: De olho nos sintomas da crise econômica  Dicionário da crise  Lições de 29 Como o mundo reage à crise    O Ibovespa fechou em alta de 0,49%, aos 39.341,54 pontos. Na mínima, atingiu 38.578 pontos (-1,46%) e, na máxima, 39.904 pontos (+1,92%). Na semana, teve perdas de 5,39%, mas, em 2009, acumula alta de 4,77%. O giro financeiro totalizou R$ 3,593 bilhões. Os dados são preliminares.   A melhora no humor nas bolsas começou a ser desenhada ontem, com a expectativa, depois confirmada, de aprovação, pelo Senado dos EUA, da liberação da segunda parte dos recursos do Tarp do Departamento do Tesouro, de US$ 350 bilhões.   Hoje cedo, foi anunciada a ajuda extra de US$ 20 bilhões ao BofA pelo governo, que também dará garantia de até US$ 118 bilhões em proteção contra perdas em seus ativos. O Citigroup igualmente foi beneficiado com ajuda, do Fed, que, em parceria com o Tesouro e a FDIC, finalizou um acordo pelo qual terá garantidos pelo governo US$ 301 bilhões em ativos. O Citi também anunciou que vai reorganizar suas operações em duas linhas de negócios, a Citicorp, que reunirá serviços bancários de cem países, e a Citi Holdings, centrada em serviços financeiros, para gerenciamento de ativos.   Apesar dos anúncios de mais dinheiro para ajudar o sistema bancário norte-americano, os investidores foram às compras com um pé atrás. Afinal, os balanços das instituições trouxeram prejuízos consideráveis. O BofA, que adiantou a divulgação para hoje, informou perda líquida de US$ 1,79 bilhão no quarto trimestre de 2008, saindo do lucro líquido de US$ 268 milhões de igual período do ano anterior. O Citigroup, que também divulgou os números antes do previsto, teve perdas bem maiores, de US$ 8,29 bilhões no quarto trimestre, ou US$ 1,72 por ação.   Às 18h15, o Dow Jones subia 0,95%, o S&P, 0,79%, o Nasdaq, 0,88%. As ações ainda repercutiram - lateralmente - a leva de indicadores divulgados hoje. O principal foi o dado de inflação ao consumidor (CPI), que registrou em 2008 a menor inflação desde 1954, de +0,1%, por causa do tombo de mais de 20% nos preços de energia. Também saiu a produção industrial dos EUA (-2% em dezembro, ante -1,2% previsto) e o índice preliminar de sentimento do consumidor da Universidade de Michigan (subiu para 61,9 em janeiro, de 60,1 em dezembro).   Segundo o economista da Um Investimentos, Hersz Ferman, a volatilidade não deve diminuir na próxima semana, mas a posse de Barack Obama, na terça-feira, e a decisão do Copom, na quarta-feira, podem deixar os investidores mais otimistas. Mas os dois eventos têm que justificar as expectativas. Para Obama, de pulso firme para conter a crise nos EUA. Para o Copom, ousadia no corte dos juros.   Na próxima segunda-feira, os Estados Unidos terão o feriado do dia de Martin Luther King Jr., mas a Bovespa enfrentará um vencimento de opções sobre ações. Hoje, as ações mais concorridas em vencimentos, Petrobras e Vale, fecharam em alta. Petrobras ON, +1,43%, PN, +0,75%, Vale ON, +1,87%, e PNA, +0,76%. O petróleo também subiu no exterior, 3,14% para US$ 36,51. Os metais tiveram fechamentos distintos.

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