Reuters
Reuters

Bolsa sobe 1,14% e fecha em alta pelo quarto pregão consecutivo

Ibovespa terminou o dia aos 73.667,75 pontos, melhor pontuação em quase dois meses; dólar acompanhou o mercado externo e fechou em baixa de 0,31%, a R$ 3,8974

Paula Dias e Altamiro Silva Junior, O Estado de S.Paulo

03 Julho 2018 | 11h09
Atualizado 03 Julho 2018 | 18h19

Uma melhora do humor dos investidores no mercado internacional aumentou o apetite por risco e permitiu ao Ibovespa emplacar sua quarta sessão consecutiva de alta. O principal índice do País chegou a subir 2,3% no início da tarde, mas perdeu fôlego e fechou com ganho de 1,14%, aos 73.667,75 pontos. É a melhor pontuação em quase dois meses, desde 7 de maio.

+ Até a poupança ganhou da Bolsa no 1º semestre

+ No primeiro semestre de 2018, dólar tem alta de quase 17%

No mercado cambial, o dólar acompanhou novamente o mercado externo e teve dia de queda no Brasil, terminando a terça-feira, 3, em baixa de 0,31%, a R$ 3,8974. Ao contrário da segunda, dia marcado pelo aumento de aversão ao risco no exterior e alta generalizada da moeda dos Estados Unidos, o pregão foi de trégua e a divisa caiu ante as principais moedas de países desenvolvidos e emergentes, com uma das poucas exceções ficando com a Turquia.

+ Trabalhador pode transferir conta salário para fintech; entenda

+ Projeto congela salário de servidores

Bolsa. Apesar da recuperação, profissionais ressaltam que o clima ainda é de grande cautela no mercado brasileiro, dadas as indefinições dos cenários interno e externo. A notícia do acordo sobre a questão da imigração fechado pela chanceler da Alemanha, Angela Merkel, sustentou as bolsas da Europa em alta, com reflexos positivos nos mercados emergentes, como o Brasil.

Nos Estados Unidos, as tensões comerciais prevaleceram no final do pregão e os investidores locais optaram por manter a cautela ante a proximidade do feriado da independência do país. Com o petróleo em alta e o apetite por risco mais forte, as ações da Petrobrás subiram, com o investidor minimizando o noticiário negativo para a empresa, pelo menos por ora. Em quatro pregões seguidos de alta, o Ibovespa contabiliza ganho de 4,33%. Na máxima do dia, o indicador chegou aos 74.515 pontos.

"Foi um pregão positivo, influenciado pelo cenário externo melhor e a recuperação de alguns papéis e setores. Mas não há uma boa notícia concreta por trás dessa reação, o que significa que a cautela tende a continuar", disse Luiz Roberto Monteiro, operador da Renascença Corretora. "Há grande expectativa em relação ao anúncio de sobretaxação dos produtos da China pelos Estados Unidos e a possível retaliação do país asiático. A Bovespa foi muito bem hoje, diante de todas as incertezas que permanecem no cenário", disse.

Todas as blue chips tiveram ganhos na sessão, à exceção de Vale ON (-1,64%), que perdeu fôlego ao longo do dia, sensível à questão da tensão comercial entre Estados Unidos e China.

Os preços do petróleo, por sua vez, subiram com expectativas e especulações antes das divulgações de dados sobre a commodity que serão divulgados nos próximos dias. Com isso, as ações da Petrobrás fecharam com altas de 0,36% (ON) e 0,17% (PN), em contraposição ao noticiário negativo para a empresa.

Pela manhã, a estatal anunciou a suspensão dos processos competitivos para formação de parcerias de refino, em razão da decisão cautelar do ministro Ricardo Lewandowski, do STF, que questiona dispositivos da Lei das Estatais. A estatal também suspendeu os processos envolvendo desinvestimentos na Araucária Nitrogenados, e a alienação de 90% das ações da subsidiária Transportadora Associada de Gás (TAG).

Em comunicado, a empresa afirma que avalia medidas cabíveis em prol dos seus interesses e de seus investidores e reforça a importância do Programa de Parcerias e Desinvestimentos para a redução do seu nível de endividamento e geração de valor através da gestão de portfólio, em linha com seu plano estratégico.

Dólar. Pela sétima sessão consecutiva, o Banco Central não fez atuação extraordinária para colocar dinheiro novo no mercado por meio de contratos de swap. O BC atuou nesta terça no câmbio apenas para a rolagem de contratos de swap que vencem em 1º de agosto, em operação que movimentou US$ 700 milhões.

Na avaliação do gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo, o dólar está em uma "espiral de alta" no mundo e este movimento não dá sinais de que vai acabar, apesar da trégua de hoje. "O BC sabe que não vai conseguir mudar este movimento", ressalta ele.

Persistem as preocupações dos investidores com medidas protecionistas de Washington e retaliações pelos maiores parceiros dos EUA, como China e União Europeia. Além disso, a tendência é que o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) vai seguir subindo os juros. O medo de guerra comercial, a expectativa de mais altas de juros pelo Fed e a continuidade do programa de redução do balanço da instituição seguem afetando os fluxos de capital para os emergentes e pressionando as moedas de cada país.

Os investidores estão fugindo dos emergentes pela nona semana consecutiva, ressaltam os estrategistas do banco Nordea. Boa parte destes recursos estão indo justamente para o mercado financeiro dos EUA, ressalta relatório do banco. Estatísticas preliminares do Instituto Internacional de Finanças (IIF) divulgadas nesta terça indicam saída de US$ 8 bilhões de emergentes em junho.

Em maio, a saída já havia sido de US$ 6,3 bilhões. Considerando por região, a América Latina perdeu US$ 2,5 bilhões no mês passado.

Para Galhardo, da Treviso Corretora, a acalmada do mercado hoje e a expectativa de baixa liquidez nos próximos dias, por conta do feriado amanhã nos Estados Unidos, do dia da independência, e pelo jogo do Brasil na Copa da Rússia na sexta-feira, são momentos para os agentes pararem e reavaliarem os recentes movimentos do BC, que já colocou nas últimas semanas US$ 43 bilhões em novos contratos de swap e este mês vai rolar mais US$ 14 bilhões.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.