Amauri Nehn|Pagos
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Com Moro e cenário externo, Bolsa bate recorde e fecha aos 88,4 mil pontos

No mercado cambial, dólar acabou o pregão desta quinta-feira, 1.º, em queda de 0,8%, cotado a R$ 3,70

Paula Dias, Pedro Ladislau Leite, Altamiro Silva Junior e Bárbara Nascimento, O Estado de S.Paulo

01 Novembro 2018 | 12h05
Atualizado 01 Novembro 2018 | 23h25

O bom humor no mercado internacional e as perspectivas otimistas em relação ao governo eleito do Brasil levaram o Ibovespa, principal índice de ações do País, à sua terceira alta consecutiva, com a qual atingiu novo recorde histórico. O índice fechou esta quinta-feira, 1.º, com ganho de 1,14%, aos 88.419,05 pontos, superando o recorde anterior, de 87.652,65 pontos, registrado em 26 de fevereiro. Na semana, o Ibovespa acumulou alta de 3,15%.

No mercado de câmbio, o dólar começou o mês em queda, mesmo após ter recuado 8% em outubro, a maior desvalorização em mais de dois anos. Com a moeda americana perdendo força de forma generalizada ante divisas de emergentes, o dólar terminou o dia aqui em baixa de 0,82%, aos R$ 3,6979, perto das mínimas da quinta-feira.

O movimento de alta das ações, afirma o economista-chefe da Spinelli, André Perfeito, está relacionado ao anúncio de que o juiz federal Sergio Moro aceitou o convite para o ministério da Justiça e da Segurança Pública. Segundo o economista, a notícia reforçou a leitura de que Bolsonaro vai adotar critério técnico na reforma ministerial.

"Houve entusiasmo dos operadores com o anúncio. O governo eleito sinalizou que será firme ao seguir a linha prometida para as escolhas", explica Perfeito, destacando que o Ibovespa chegou a oscilar antes de engatar em alta mais firme somente após o anúncio.

Inicialmente, a notícia teve impacto neutro sobre os negócios, com avaliações positivas e negativas sobre o convite do presidente eleito, Jair Bolsonaro. À tarde, ganhou força a avaliação mais otimista, que levou em conta a possibilidade do nome de Moro elevar a popularidade do novo governo, o que poderia favorecer o avanço da reforma da Previdência no Congresso.

Outro fator positivo foram as bolsas de Nova York, que exerceram influência sobre o mercado brasileiro durante praticamente todo o pregão, inclusive nos momentos de fraqueza, pela manhã, quando o Ibovespa chegou a cair 0,38%. O impulso mais forte veio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apontando para uma possível aproximação da China. Pelo Twitter, Trump disse que teve uma conversa "muito boa" com o presidente chinês, Xi Jinping.

"O cenário internacional ajudou bastante, embora as ações da Petrobrás tenham sofrido forte desvalorização", disse Pedro Guilherme Lima, analista da Ativa Investimentos. "No cenário político, a notícia sobre Sérgio Moro foi bem recebida, embora não tenha impacto algum na economia. O mercado possivelmente veja na nomeação dele um indicativo de maior popularidade do novo governo, o que elevaria as chances de aprovação da reforma da Previdência", disse.

Para o analista, a alta não foi maior devido à proximidade do feriado de Finados, que manterá a Bolsa brasileira fechada nesta sexta-feira, 2, enquanto os mercados americanos operam normalmente. Além de operações pontuais de realização de lucros, a alta acabou por ser limitada pelas perdas das ações da Petrobrás (-1,81% na ON e -1,09% na PN), influenciadas pelas fortes perdas dos preços do petróleo.

Entre os bancos, o dia foi de ganhos expressivos, com alguns papéis repercutindo seus resultados trimestrais. Bradesco ON e PN subiram 5,26% e 5,71%. Já as units do Santander caíram 0,95%.

Dólar perde força

A moeda americana operou em queda durante todo o pregão, batendo na máxima de R$ 3,7133 (-0,40%) e na mínima de R$ 3,6802 (-1,29%). Na semana, acumulou alta de 1,24%.

O economista para América Latina do grupo holandês ING, Gustavo Rangel, avalia que os resultados da eleição melhoraram as perspectivas para o quadro fiscal brasileiro, o que deve ajudar a estender o rali nos ativos locais. "Ainda é muito cedo para dizer se Bolsonaro será capaz de reancorar as contas fiscais do Brasil, mas os sinais têm sido encorajadores", escreve em relatório, destacando que o presidente eleito e sua equipe parecem entender a urgência de medidas fiscais.

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