Dario Oliveira|Estadão
Dario Oliveira|Estadão

Bolsa sobe e supera os 60 mil pontos; dólar cai para R$ 3,21

Mesmo em dia de negociação reduzida, a Bovespa conseguiu renovar o maior nível do ano

Paula Dias, Lucas Hirata, O Estado de S.Paulo

06 Setembro 2016 | 18h11

Em um dia de noticiário escasso e liquidez reduzida, o Ibovespa enfrentou alguma instabilidade, mas encontrou fôlego para avançar 0,95%, aos 60.129,43 pontos - máxima do dia e novo pico em 2016. No retorno do feriado do dia do trabalho nos Estados Unidos, as bolsas em Wall Street voltaram a figurar como importante referência para os negócios no Brasil. Por outro lado, a proximidade do feriado brasileiro do Sete de Setembro manteve uma parte dos investidores fora do mercado, à espera de definições no cenário nacional. Com isso, a terça-feira gerou R$ 6,546 bilhões em negócios, valor aquém dos R$ 7,320 bilhões da média das últimas semanas.

No mercado de câmbio, o dólar recuou mais de 2%, para o nível de R$ 3,21, na variação negativa mais acentuada desde o final de junho. 

"Não foi um dia de grandes acontecimentos pontuais, mas de continuidade da percepção positiva em relação à troca política, alta liquidez internacional e manutenção dos juros americanos por mais tempo", resumiu Fernando Góes, analista da Clear Corretora.

A Bolsa brasileira iniciou o dia em alta, acompanhando as pares americanas, mas passou a enfrentar instabilidade com a repercussão internacional de dados econômicos dos Estados Unidos mais fracos que o esperado. O principal deles foi o índice de gerentes de compras (PMI) do setor de serviços, que mostrou queda expressiva em agosto e disseminou temores em relação à força da economia americana, reduzindo apostas de aumento de juros no país em setembro. O índice, calculado pelo ISM caiu de 55,5 em julho para 51,4 em agosto. O resultado ficou bem abaixo da expectativa de analistas, que previam um índice de 55,0.

O petróleo em queda foi outra referência externa negativa para o mercado brasileiro. Ao longo do dia, porém, uma melhora dos preços da commodity beneficiou as ações da Petrobras, que haviam amargado fortes perdas pela manhã. Petrobras PN, que chegou a cair 2,17%, inverteu a tendência e fechou com ganho de 1,08% e ajudou a levar o Ibovespa à máxima do dia no fechamento. Petrobras ON, que caiu 2,30% na mínima do dia, encerrou o pregão em baixa bem menor, de 0,50%.

Apesar da falta de notícias concretas, a preocupação com o cenário político arrefeceu no pregão desta terça. Segundo operadores, essa melhora de humor pôde ser percebida principalmente no mercado de câmbio, onde a queda do dólar foi atribuída não apenas à influência internacional, mas também a uma redução da tensão com o cenário político doméstico.

"O mercado estava intranquilo desde o fatiamento da votação do impeachment e dos protestos contra o governo Temer. Mas hoje o mercado de câmbio se acalmou, o que acabou favorecendo a Bolsa", disse um profissional de uma corretora paulistana.

Já de volta de sua viagem à China, onde participou da reunião do G-20, o presidente Michel Temer se reuniu à tarde com o núcleo duro de seu governo. Esteve durante a tarde a portas fechadas com os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo) no Palácio do Planalto. Segundo Lima, um dos temas em discussão é a reforma da Previdência, tida como essencial para o sucesso do ajuste fiscal. 

"Com a falta de notícias concretas, o dado positivo no cenário interno acabou sendo a ata da reunião do Copom, que aumentou a confiança do mercado de que os juros podem cair no curto prazo. No final, um conjunto de fatores aumentou a disposição do investidor ao risco e ofuscou a percepção recente de que as coisas não estavam andando como esperado", disse Góes, da Clear Corretora.

O noticiário corporativo também não foi dos mais fortes. As ações da JBS lideraram as quedas do Ibovespa durante boa parte do dia, ainda em repercussão da Operação Greenfield, que envolveu os principais executivos o grupo J&F, holding dona do frigorífico. Ao final do dia, JBS ON teve queda de 1,70%.

Apesar de a queda do dólar ter beneficiado a Bolsa de maneira geral, as ações de empresas exportadoras, que têm receita em moeda estrangeira, terminaram o dia em baixa. Marfrig ON (-1,89%), Klabin unit (-1,42%) e Cosan ON (-0,84%) estiveram entre as maiores quedas do dia. Com o resultado de hoje, o Ibovespa passa a contabilizar alta de 3,85% em setembro e de 38,71% em 2016. 

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