Bolsa tem 3ª queda seguida com falta de acordo fiscal nos EUA

Cenário:

ALESSANDRA TARABORELLI, O Estado de S.Paulo

28 de dezembro de 2012 | 02h06

Depois de oscilar entre altas e baixas durante a manhã, a Bovespa recuou ontem à tarde, acompanhando a performance negativa das Bolsas em Nova York. Os índices acionários norte-americanos reagiram em baixa às declarações do senador democrata Harry Reid, de que parece que a economia dos Estados Unidos está caminhado em direção ao abismo fiscal em 2013. Contudo, as perdas diminuíram no fechamento em Nova York, após a informação de que a Câmara dos Representantes voltará a se reunir no próximo domingo. No Brasil, a forte queda dos papéis da Petrobrás ajudou a ampliar as perdas do principal índice acionário doméstico.

O Ibovespa encerrou com declínio, pelo terceiro dia seguido, de 0,89%, aos 60.415,95 pontos. Com o resultado, os ganhos no mês e no ano foram reduzidos para 5,12% e 6,45%, respectivamente. O giro financeiro somou apenas R$ 4,695 bilhões.

"Não há nada que dê fôlego para a Bolsa. Todas as atenções estão voltadas para a questão fiscal dos EUA", disse um operador. O Congresso norte-americano e a Casa Branca têm até o próximo dia 31 de dezembro para evitar que uma série de cortes de gastos e aumentos de impostos entre em vigor automaticamente a partir de 1º de janeiro de 2013.

Na renda fixa, as taxas futuras caíram com a indefinição fiscal nos EUA, o IGP-M abaixo do piso das projeções e a desvalorização do dólar. Na sessão estendida, os juros reduziram levemente a queda. A taxa para janeiro de 2014 ficou em 7,14%, igual ao ajuste anterior. O juro para janeiro de 2015 indicou 7,75%, de 7,78% na véspera. Já a taxa para janeiro de 2017 ficou em 8,47%, de 8,52% no dia anterior, e para janeiro de 2021 cedeu a 9,18%, de 9,22%.

No câmbio, a percepção de que o governo quer levar o dólar para um nível mais baixo juntamente com o fator técnico das rolagens de contratos futuros preponderaram sobre o impasse na questão fiscal nos EUA. Por isso, o dólar caiu ante o real, na contramão da valorização no exterior da moeda norte-americana em relação a outras divisas com forte correlação com commodities. O dólar à vista recuou 0,54% no balcão, para R$ 2,0440 - valor mais baixo desde 8 de novembro (de R$ 2,0420). Como consequência, a moeda contabilizou baixa de 3,90% em dezembro. Mas, no ano, ainda exibia uma alta de 9,36%. No mercado futuro, o vencimento de dólar para 1º de janeiro de 2013 terminou em queda de 0,32%, a R$ 2,0430. Hoje é dia de formação da taxa Ptax de fim de mês, por isso, uma maior volatilidade no câmbio não está descartada.

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