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Bolsa cai 3,74% com Previdência e Vale

Mercado refletiu a percepção de que a reforma pode demorar mais para ser votada e a suspensão de operação de barragem da mineradora

Paula Dias e Altamiro Silva Junior, O Estado de S.Paulo

06 de fevereiro de 2019 | 18h57
Atualizado 07 de fevereiro de 2019 | 12h09

Em queda durante todo dia, diante da percepção de que a reforma da Previdência pode demorar a ser votada no Congresso, o Ibovespa (principal indicador da B3, bolsa paulista) acelerou as perdas na reta final do pregão. A notícia de que a Vale teve suspensa sua autorização para operar a barragem de Laranjeiras, que recebe os rejeitos de produção da mina de Brucutu, a maior da mineradora em Minas Gerais, levou o indicador a fechar em baixa de 3,74%, aos 94.635,57 pontos. Foi a maior queda porcentual desde 28 de maio do ano passado, época da greve dos caminhoneiros.

Além da suspensão da licença provisória da barragem, determinada pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), surgiram informações de que a mineradora sabia de problemas nos sensores responsáveis por monitorar a situação da mina do Córrego do Feijão dois dias antes do rompimento. Para completar, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) negou o pedido da empresa para retomar as operações da mina de níquel Onça Puma, no Pará.

Diante da série de más notícias, os papéis da companhia chegaram a ter a negociação interrompida, ao registrarem queda de 4,05%, logo após a divulgação de fato relevante da mineradora explicando a suspensão da licença. A ação fechou na mínima do dia, com queda de quase 5% (4,88%).

Em meio ao maior ceticismo com a reforma, alguns dos papéis do chamado Kit Brasil estiveram entre as maiores quedas do pregão. Foi o caso de Banco do Brasil ON, que fechou com perda de 6,09%. Eletrobrás PNB caiu 4,08%. Entre as ações que fazem parte do Ibovespa, apenas Suzano ON fechou em alta (+1,18%), influenciada pela valorização do dólar. 

“Desde cedo vimos que, apesar de a Bolsa ter subido bastante nos últimos dias, a queda era mais que uma realização de lucros. A percepção é que fica mais complicada a tramitação (da reforma da Previdência) a partir do zero, com a matéria passando por novo trâmite. Há quem acredite em aprovação da reforma no primeiro semestre, mas creio que essa é uma avaliação bastante otimista, dadas as idas e vindas que devem ocorrer”, disse Eduardo Guimarães, especialista em ações da Levante Ideias de Investimento.

Dólar

O dólar teve a maior alta ontem dos últimos 11 pregões e subiu 1,11%, para R$ 3,7049. O real registrou um dos piores desempenhos no mundo ante a moeda americana, que se fortaleceu ante divisas de países desenvolvidos e emergentes em meio a temores de nova paralisação no governo dos EUA e da desaceleração da economia mundial. Por aqui, preocupações com a tramitação da reforma da Previdência fizeram o investidor buscar proteção no dólar.

 

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