Bolsa tem a maior saída de capital estrangeiro da história

Saída de R$ 7,415 bilhões em junho é maior, inclusive, do que todo o total retirado no ano até maio

Fabiana Holtz, da Agência Estado,

03 de julho de 2008 | 20h38

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) registrou em junho a maior saída de capital externo de sua história: R$ 7,415 bilhões. O movimento foi causado principalmente pela deterioração do cenário externo e o conseqüente aumento da aversão ao risco dos investidores internacionais. O resultado é superior, inclusive, ao saldo negativo acumulado no ano, que soma R$ 6,656 bilhões. O levantamento da bolsa paulista teve início em março de 1993. "Com a piora na cena internacional, quem tem posição aqui dentro precisou tirar pra cobrir as perdas lá fora", disse José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator, lembrando também o aumento do risco país do Brasil - taxa que mede a confiança do investidor estrangeiro na capacidade de pagamento da dívida do País. "No mês, o risco Brasil passou da casa dos 170 pontos para 234 pontos. A bolsa está muito exposta aos sintomas de aversão ao risco", afirmou o economista. O recorde anterior foi registrado em janeiro de 2008, com a saída de R$ 4,731 bilhões. Em junho e novembro do ano passado a Bovespa também apresentou outros dois picos de retiradas, de R$ 3,248 bilhões e R$ 3,371 bilhões, respectivamente. Depois de contabilizar a entrada líquida de R$ 6 bilhões em abril e de R$ 532,6 milhões em maio, em meio a euforia provocada pelo investment grade concedido pela Standard & Poor's (30 de abril) e a Fitch (29 de maio), parece que a piora do cenário externo voltou a pesar na Bovespa.  "Tivemos um breve 'suspiro' nos primeiros meses do ano, que atingiu o ápice em abril, mas o mercado de crédito nos EUA continua muito ruim, o desemprego não para de aumentar nos EUA, a gasolina está cada vez mais cara e ainda não sabemos ao certo a dimensão das perdas provocadas pela crise no mercado de hipotecas subprime para os bancos norte-americanos", disse Gustav Gorsk, economista-chefe do Banco Geração Futuro. Durante o mês de maio, com os investidores ainda sob influência do grau de investimento, o Ibovespa atingiu a máxima histórica de 73.516 pontos no dia 20 - com giro de R$ 7,025 bilhões. Ao longo do mês passado, porém, a alta do petróleo acelerou, os temores de inflação ganharam força e o dólar continuou em queda. Reflexo desse cenário, hoje o índice fechou em baixa de 3%, aos 59.273 pontos - voltando aos níveis de março.

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