Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

No 1º pregão do ano, Bolsa fecha em leve queda e dólar sobe a R$ 5,26

Imposição de medidas mais duras de restrição, devido ao avanço da covid-19 no mundo, impediu os ganhos do mercado brasileiro nesta segunda

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de janeiro de 2021 | 09h20
Atualizado 04 de janeiro de 2021 | 19h07

A cautela diante de um novo avanço da covid-19 no mundo, que pode resultar em medidas de restrição mais duras, pesou nos ativos locais no primeiro pregão de 2021. O tom mais pessimista predominou nesta segunda-feira, 4, com o dólar fechando a R$ 5,2681, alta de 1,53%, no maior nível de fechamento desde o dia 30 de novembro. Já a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, teve leve queda de 0,14%, aos 118.854,71 pontos, após quase cair aos 117 mil pontos no pior momento do pregão.

Os mercados foram pressionados pelo aumento de casos de covid e a adoção de mais medidas restritivas. A Inglaterra decretou um novo lockdown até meados de fevereiro, enquanto a Escócia anunciou prolongamento das medidas de isolamento e a Alemanha deve seguir pelo mesmo caminho. Já o Japão considera declarar estado de emergência em Tóquio. Os estrategistas do Rabobank veem riscos de medidas mais severas persistirem ao menos até a Páscoa, arriscando a recuperação da atividade esperada para este ano.

O economista da consultoria inglesa Capital Economics, Simon Macadam, avalia que o noticiário recente aponta para um ano de movimentos distintos na economia. Com o aumento de casos de covid mundialmente, mutações do vírus e aumento de restrições em vários países, a primeira metade de 2021 deve ser marcada por mais medidas de isolamentos e endurecimento de

lockdowns, o que vai pressionar para a piora da atividade no primeiro trimestre.

Na segunda metade de 2021, Macadam observa que a vacinação em massa deve melhorar as perspectivas, embora as recentes mutações do coronavírus sejam um sinal de alerta, destaca o economista. Para o Brasil, o economista da Capital Economics cita a preocupação com o atraso no começo do processo de vacinação, ainda sem datas oficiais definidas.

No mercado acionário de Nova York, o Dow Jones chegou a recuar quase 2%, caminhando para a pior abertura de ano desde 1932, quando caiu 1,86%. Hoje, o índice fechou em baixa de 1,25%, enquanto isso, S&P 500 e Nasdaq também seguiam a mesma linha, com quedas de 1,48% e 1,47% cada.

Por aqui, ajudou a segurar as perdas da Bolsa brasileira, o bom desempenho das mineradoras e siderúrgicas, beneficiadas pela  disparada do preço do minério de ferro diante da forte demanda na ChinaVale ONCSNGerdau PN e PetroRio fecharam com altas de 4,59%, 7,28%, 6,50% e 6,57% cada. Petrobrás PN teve ganho de 2,01%. No lado oposto, afetadas pelo avanço da covid, Embraer cedeu 5,42%, JHSF, 4,74%, e Iguatemi, 4,55%. Na mínima do dia, o Ibovespa cedia aos 118.061,77 pontos - na máxima, bateu novo recorde intradia e foi aos 120.353,81 pontos.

Câmbio

O primeiro pregão do câmbio de 2021 foi marcado por dois momentos distintos do dólar. Pela manhã, a moeda americana operou em queda e chegou a cair a R$ 5,12, com os investidores animados pelas perspectivas de vacinação da população mundial. Nos negócios da tarde, a divisa foi aos R$ 5,2816 na máxima, com o endurecimento das restrições na Inglaterra. No mercado futuro, o dólar para fevereiro teve ganho de 2,02%, a R$ 5,3020, na máxima da sessão.

Com noticiário interno escasso, o real operou em linha com as moedas emergentes. Operadores destacam que pela manhã a moeda brasileira chegou a cair em ritmo mais forte que seus pares, o que atraiu compradores para o dólar. No entanto, os estrategistas em Nova York do Citigroup avaliam que com o final da desmontagem do overhedge (uma medida de proteção em excesso para ativos no exterior feita pelos bancos), na reta final de 2020, e com notícias escassas de Brasília neste início de ano, o real tende a se alinhar mais a seus pares internacionais, depois de ter um dos piores desempenhos mundiais no ano recém-terminado, junto com o peso argentino e a lira turca.

Na reta final de 2020, investidores na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CME, na sigla em inglês) passaram a ficar mais otimistas com o real e as apostas dos especuladores contra a moeda brasileira caíram ao menor nível desde julho, segundo a Commodity Futures Trading Commission (CFTC). As apostas vendidas em real, que ganham com a desvalorização da divisa, caíram para 9,5 mil contratos na semana encerrada no dia 28 de dezembro, ante 17,8 mil na semana anterior./ LUÍS EDUARDO LEAL, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.