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Bolsa tem maior queda desde 2008 e mercado vê pouca chance de melhora

A Bolsa de Valores de São Paulo encerrou o primeiro semestre com uma queda de 22,14%, o pior resultado para o período de início de ano desde 1972. Quando se leva em conta também o período de fim de ano, a Bovespa teve em 2013 o pior desempenho semestral desde 2008, quando caiu 44% no segundo semestre. E o pior, segundo os analistas de mercado, é que as perspectivas não são boas.

CLAUDIA VIOLANTE, OLÍVIA BULLA, O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2013 | 02h16

Só em junho foram registradas perdas de 11,31%, quase metade da queda acumulada em 2013. Trata-se do pior primeiro semestre do índice Bovespa desde 1972, quando houve queda de 31,44%, segundo levantamento feito pela empresa de dados financeiros Economática, a pedido do Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado. Naquela época, o mundo enfrentava a crise do petróleo - que provocou recessão e elevou a inflação em vários países.

Se a comparação for feita com todos os semestres, e não apenas com a primeira metade do ano, as coisas mudam. A eclosão da crise global em 2008, com a quebra do banco Lehman Brothers, teve impacto maior nas ações do que a crise do petróleo. Na segunda metade de 2008, o Ibovespa registrou a maior perda semestral da história, com queda de 42,25%.

Humor. Para o analista sênior do BB Investimentos, Hamilton Alves, boa parte da deterioração recente da Bolsa está relacionada à mudança no humor dos investidores, diante da apreensão sobre o fim dos estímulos monetários pelo Federal Reserve (Fed, banco central americano). Quando o Fed retirar os estímulos para a economia, haverá redução de dólares no mercado e fuga de capitais dos países emergentes para os Estados Unidos. Os investidores já estão antecipando este movimento.

Também pesa sobre a Bolsa o rebaixamento da perspectiva da nota de risco de crédito (rating) do Brasil pela agência de classificação de risco Standard & Poor's (S&P). A ameaça de mudança na nota é reflexo das dúvidas sobre a política econômica e pode limitar a entrada de recursos no Brasil. "É um fator muito sério, porque impede muitos fundos de aplicarem no País", disse Alves.

Os protestos de rua também afetaram a Bolsa. Para acalmar os manifestantes, prefeituras, governos estaduais e governo federal suspenderam reajustes de tarifas de ônibus, de pedágio e de energia elétrica. Aos olhos dos investidores, aumentou o risco político de se aplicar recursos em companhias concessionárias de serviços públicos.

Alguns investidores gostariam de ver outras mudanças na economia. "É preciso um choque de gestão. O que está vindo agora traz apenas melhoras pontuais. Há ainda a complicação nos países emergentes, como China e Turquia", disse o gestor de ativos da Infinity Asset, George Sanders.

Perspectiva. Se o início do ano é um período para se esquecer, os últimos seis meses de 2013 não são promissores. Para os profissionais consultados pelo Broadcast, para a Bolsa se recuperar seria preciso uma melhora da economia brasileira e do ambiente de negócios internacional.

"Aqui está mais fragilizado por causa da fraqueza econômica e os ruídos políticos, enquanto os mercados globais ainda buscam um equilíbrio após o Fed", avaliou o economista da Órama Investimentos Álvaro Bandeira. Sanders, da Infinity, lembrou que a alta do dólar também deve ser um fator negativo para os resultados trimestrais das empresas.

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