Bolsa tem maior queda desde atentados terroristas de 11/9

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) registrou na tarde desta terça-feira queda de 7,52%, na pontuação mínima de 42.734 pontos (às 16h56). Segundo a assessoria da Bovespa, trata-se da maior queda do pregão desde o episódio dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, quando o índice recuou 9,17% e o pregão acabou sendo interrompido. A segunda maior queda porcentual ocorreu em 22 de julho de 2002, com perda de 6,52%. Já o dólar registrou nesta terça-feira o maior avanço diário desde maio do ano passado, refletindo uma deterioração dos mercados globais por preocupações com um desaquecimento econômico na China e nos Estados Unidos. O leilão de compra de dólares feito pelo Banco Central à tarde ajudou a acentuar a alta da moeda norte-americana. O dólar fechou a R$ 2,1200, no patamar máximo do dia, com avanço de 1,73%.Durante o dia, o dólar oscilou até a mínima de R$ 2,1000 - patamar acima do fechamento de segunda-feira, que foi de R$ 2,0840. Com o resultado desta terça, o dólar registra queda de 0,19% em fevereiro. O forte movimento de realização de lucros nos mercados globais teve como gatilho o declínio de quase 10% da bolsa de Xangai, com temores de medidas do governo para conter especulações e esfriar a economia. Dados piores que o esperado dos EUA, após o ex-chairman do Federal Reserve Alan Greenspan ter dito na véspera que a maior economia mundial pode entrar em recessão no fim do ano, ampliaram a aversão a risco dos investidores.Em Nova York, as bolsas também estão em forte queda. O Índice Dow Jones - que mede o desempenho das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - a queda é de 2,20%. A Nasdaq - bolsa que negocia ações do setor de tecnologia e Internet - a perda é de 3,14%. Não há nenhuma ação do Ibovespa operando em alta. As ações mais negociadas registram fortes perdas. As preferenciais (PN, sem direito a voto) Petrobras PN caem 5,28% e Vale PNA está em queda de 8,02%. O volume financeiro soma R$ 3,925 bilhões e projeta R$ 5,05 bilhões para o encerramento.O feito dominó atingiu inicialmente os mercados asiáticos. Em Hong Kong, o índice Hang Seng fechou em baixa de 1,8%, perto da marca psicológica de 20.000 pontos - aos 20.147,87. Além da influência da China, investidores também estão na expectativa da divulgação do orçamento que o governo fará nesta quarta-feira. A Bolsa de Taiwan chegou a registrar 7.939,50 pontos durante as negociações, mas fechou praticamente estável na comparação com o pregão de ontem.O índice Kospi, da Bolsa sul-coreana, caiu 1,1%, e o mercado filipino encerrou o pregão também em queda de 1,4%, aos 3.331,29 pontos, com uma sessão de alto volume de negócios e movimento de correção do mercado, depois de ter registrado a maior alta em pontos dos últimos 10 anos na Sexta-feira.Preocupações com a ChinaSem nenhuma notícia específica e apenas com base em rumores do mercado, os investidores passaram a avaliar o risco de restrições aos investimentos na China. A bolsa do país computou a maior perda em dez anos e a quarta desde que foi criada em 1990. O índice Xangai Composto caiu 8,9%, reduzindo para 14% os ganhos acumulados este ano e após ter computado uma impressionante alta de 130% no ano passado.Operadores não identificaram nenhum notícia específica que propiciasse a queda e atribuíram o movimento à realização de lucros em ativos de grande capitalização protagonizada principalmente por investidores institucionais - ou seja, venda das ações para apurar o ganho obtido nos últimos dias.Mas os bastidores foram movimentados por especulações de que o governo poderá tomar medidas para conter os investimentos na reunião anual do congresso chinês, que começa em 5 de março. Segundo operadores, as especulações são de aumento do juro e de impostos, o que diminuiu a atratividade do investimento em ações. Estas medidas teriam o objetivo de combater movimentos especulativos, que vêm impulsionando o mercado, e esfriar a economia.Movimento de ajustePara o diretor de economia e investimentos na América Latina do WestLB, Ricardo Amorim, o que aconteceu na China foi a desculpa para um movimento de ajuste de preços que aconteceria naturalmente muito em breve por qualquer outra razão. Provavelmente, o movimento de ajuste continuará por mais algum tempo, algo similar ao que aconteceu em maio passado, mas de magnitude menor.Ainda assim, o cenário mundial benigno de crescimento sustentado e baixas taxas de juros não mudou e o ajuste dos mercados não deve mudar a tendência de alta observada nos últimos anos. "Acho que os mercados caem mais nas próximas semanas, mas depois que isso acontecer teremos ótimas oportunidades de compras de ativos brasileiros", disse.

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