Bolsa tem mais um dia de baixa, replicando mau humor externo

Notícias sobre o impacto da crise em diversos países desanimam investidores. Bolsa cai 2,65% no final da manhã

Sueli Campo, da Agência Estado,

23 de janeiro de 2009 | 12h27

O pessimismo externo não dá trégua e a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) continua sendo arrastada pelas más notícias que proliferam em todas as frentes. Às 12h15, o Ibovespa - índice que mede o desempenho das ações mais negociadas na Bolsa - cai 2,65%.   Veja também Desemprego, a terceira fase da crise financeira global De olho nos sintomas da crise econômica  Dicionário da crise  Lições de 29 Como o mundo reage à crise     O mercado ainda nem se recuperou do fraco resultado e as demissões anunciadas ontem pela Microsoft e já enfrenta uma outra leva de anúncios desfavoráveis. O dia começou com notícias negativas vindas da Ásia. A coreana Samsung teve o seu primeiro prejuízo desde 2000, quando começou a divulgar resultados.   Na Europa, o foco de atenção voltou-se para o Reino Unido, um dos países mais severamente atingidos pelas turbulências iniciadas mais de um ano atrás nos EUA. O PIB do país caiu 1,5% no quarto trimestre do ano passado em comparação com o terceiro, acelerando o declínio em relação à queda de 0,6% no terceiro trimestre. Foi a primeira vez desde 1991 que a economia britânica se contraiu por dois trimestres consecutivos.   A queda de 1,5% foi a maior desde o segundo trimestre de 1980. Com dois trimestres seguidos de recuo do PIB, está tecnicamente configurada a recessão - embora a percepção de que a Grã Bretanha passa por momentos terríveis dispense estatísticas.   Notícias ruins também vieram da Espanha, onde a taxa de desemprego subiu para 13,91% no quarto trimestre de 2008, o maior nível em 8 anos.   Cenário interno   Na Bovespa, a manhã traz algumas notícias sobre as blue chips Vale e Petrobrás, mas que dificilmente vão dar a direção dos papéis, que seguem reféns do quadro externo.   A Vale está dando mais um passo para consolidar sua entrada no setor de gás. Ontem à noite, a mineradora informou que está negociando a compra de metade dos 25% que a americana Woodside tem em dois blocos exploratórios na Bacia de Santos. Assim, se o negócio for adiante, a mineradora terá uma participação de 12,5% nos blocos e com isso se tornará sócia da Repsol YPF (40%), Petrobrás (35%), e da própria Woodside (25%). A aquisição somente se concretizará com a aprovação da ANP e os valores da operação não foram revelados pela Vale.   A mineradora também informou que a diretoria da empresa enviará para deliberação do Conselho de Administração proposta para pagamento de remuneração mínima aos acionistas para 2009 no valor de US$ 2,5 bilhões, correspondente a US$ 0,479523218 por ação em circulação, ordinária ou preferencial, a ser pago em duas parcelas, em 30 de abril e 30 de outubro de 2009, respectivamente.   No caso de Petrobrás, o Morgan Stanley reduziu a recomendação dos papéis da empresa - de "overweight" para "equal-weight" e cortou o preço-alvo do ADR (títulos da empresa negociados no exterior) de US$ 46 para US$ 25.   O Conselho de Administração da petrolífera se reúne às 13 horas na sede da estatal em Brasília com o ministro Guido Mantega. Esta manhã, os integrantes do Conselho e da diretoria da Petrobrás apresentarão o novo plano estratégico da companhia ao presidente Lula. A estatal deve divulgar o plano estratégico ainda hoje, no Rio.   Já as ações da TIM reagem à notícia de que a CVM informou à Telecom Italia que a sua controladora - a Telco- terá de fazer uma oferta de aquisição do controle da TIM Participações. Segundo a CVM, ainda cabe recurso da decisão. No final da manhã, as ações da companhia disparavam mãos de 28%.

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