Bolsa tem menor nível do ano com bancos e tecnologia

Bovespa caiu 3,95% e por pouco os ganhos de janeiro não foram completamente apagados: +1,15%

Claudia Violante, da Agência Estado,

14 de janeiro de 2009 | 18h36

Notícias fracas no setor corporativo, sobretudo sobre bancos, e indicadores frágeis sobre as economias norte-americana e europeia arrastaram as bolsas na Europa, Nova York e também a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) para baixo. Os dados conhecidos hoje ampliaram os temores de desaceleração da demanda, com impacto direto sobre as commodities, e com a saúde das instituições financeiras. Assim, papéis de bancos, Petrobras, Vale e siderúrgicas levaram a Bovespa ao menor fechamento em pontos de 2009.   Veja também: De olho nos sintomas da crise econômica  Dicionário da crise  Lições de 29 Como o mundo reage à crise     O Ibovespa recuou 3,95%, aos 37.981,77 pontos - menor pontuação desde 30/12/2008 (37.550,31 pontos). Na mínima, atingiu 37.658 pontos (-4,77%) e, na máxima, 39.570 pontos (+0,06%). Por pouco os ganhos de janeiro não foram completamente apagados: +1,15%. Com saída de estrangeiros, o giro financeiro somou R$ 4,412 bilhões. Os dados são preliminares.   O investidor pôde, hoje, escolher qual notícia do setor financeiro repercutir nos negócios. O Deutsche Bank alertou para prejuízo no quarto trimestre, o Morgan Stanley previu que o HSBC precisará levantar capital, enquanto o Citigroup acertou a venda da unidade de corretagem para o Morgan Stanley. Dentre os indicadores, houve pressão da leitura fraca sobre a produção industrial na zona do euro e de um declínio mais acentuado do que a expectativa do mercado nas vendas do varejo norte-americano em dezembro.   Cenário externo   Em Londres, o índice FT-100 caiu 4,97%, o índice CAC-40 da Bolsa de Paris perdeu 4,56% e, em Frankfurt, o índice Dax-30 teve declínio de 4,63%. A produção industrial da zona do euro caiu 1,6% em novembro ante outubro, e 7,7% ante o mesmo período em 2007. E o Produto Interno Bruto (PIB) da Alemanha cresceu 1,3% no ano passado, bem abaixo da expansão de 2,5% obtida em 2007 e ligeiramente menor do que previam os economistas, de crescimento de 1,4%.   Nos Estados Unidos, o catalisador da nova onda de mau humor foi o dado de vendas no varejo em dezembro, que mostrou queda de 2,7%, muito acima da baixa de 1,2% prevista por analistas. Foi o sexto declínio consecutivo. Os recuos registrados em novembro e outubro também foram revisados para pior.   Agora no final da tarde, o Fed divulgou o Livro Bege, que reúne as condições da economia norte-americana e que serve de base para a decisão sobre a taxa de juros do país. O documento destacou que a economia continuou a enfraquecer no começo de 2009 e que as vendas do varejo e a atividade de crédito recuaram, sendo que a qualidade dos empréstimos continua a preocupar. Ainda segundo o documento, as dispensas continuam na maioria dos distritos e o payroll ainda não está mostrando muitos cortes nos bancos.   Às 18h14, o Dow Jones perdia 3,28%, o S&P, 3,70%, e o Nasdaq, 3,68%. As ações do Citigroup derreteram depois que o banco confirmou acordo para a venda para o Morgan Stanley de sua unidade de corretagem Smith Barney e das unidades no Reino Unido e Austrália.   Petróleo   Os dados semanais de estoque de petróleo também pressionaram as bolsas dos EUA ao subirem 1,144 milhão de barris na semana encerrada em 9 de janeiro. O número foi alto, embora menor do que a previsão de +1,8 milhão de barris. Mas os estoques de gasolina superaram as expectativas ao cresceram 2,068 milhões de barris (ante projeção de +1,4 milhão de barris), e os de destilados aumentaram 6,346 milhões de barris (previsão de + 800 mil barris).   O preço do petróleo passou a cair fortemente após os números de estoques, e isso afetou as ações do setor energético, lá e cá. Na Nymex, o contrato para fevereiro terminou em queda de 1,32%, a US$ 37,28. No Brasil, as ações da Petrobras fecharam em baixa de 3,69% as ON e 2,71% as PN.

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