Suamy Beydoun/Agif
Suamy Beydoun/Agif

Temores de recessão global derrubam bolsas pelo mundo nesta quarta-feira

No Brasil, movimento ganhou força com disputas em votação da reforma da Previdência

Renato Jakitas e Altamiro Silva Junior, O Estado de S.Paulo

02 de outubro de 2019 | 11h48
Atualizado 22 de outubro de 2019 | 16h20

O mercado financeiro teve uma quarta-feira de mau humor. Pesam contra os ativos da Bolsa de Valores os receios sobre uma crise internacional, que ganhou contornos novos com dados divulgados na Europa e nos Estados Unidos, acrescidos da votação conturbada da reforma da Previdência no Senado - um problema que não estava nos cálculos dos agentes financeiros.

O primeiro turno da votação foi concluído após várias derrotas para o governo, com desidratações que ultrapassaram os R$ 400 bilhões desde o início da tramitação.

Assim, o Ibovespa fechou em queda de 2,90%, aos 101.031,44 pontos . Mais cedo, o índice com as principais ações da Bolsa, a B3, chegou a cair aos 100.943,82 pontos. 

O dólar, por sua vez, destoa desse cenário. O real teve nesta quarta-feira o melhor desempenho ante o dólar considerando uma cesta de 34 moedas. A aprovação da reforma da Previdência, com o governo conseguindo derrubar os destaques nesta quarta que pudessem reduzir ainda mais o impacto fiscal das medidas, fez a divisa americana bater mínimas. Também agradou a declaração do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, de que vai tentar manter o calendário estabelecido para votação do texto em segundo turno, embora admita atraso de uma semana. No mercado à vista, o dólar encerrou em queda de 0,68%, a R$ 4,1337, o menor valor em dez dias.

Na terça, 1, o Instituto para Gestão da Oferta (ISM, na sigla em inglês) informou que o índice de atividade industrial dos Estados Unidos caiu para 47,8 em setembro, o nível mais baixo desde junho de 2009,  "o último mês da Grande Recessão", segundo relatório do órgão. O dado pegou os analistas de Wall Street de surpresa. Eles esperavam alta para 50,1 pontos.  

Aqui no Brasil, o ponto de atenção ficou com a votação da reforma da Previdência no Senado. Depois dos senadores derrubarem o artigo que restringia o pagamento do abono salarial a quem ganha até R$ 1,4 mil, medida que diminuiu a economia com a reforma em R$ 76,4 bilhões, o mercado foi afetado pelo medo de novas desidratações do texto da Previdência. 

"A briga na aprovação da reforma da Previdência não ajuda. Mas hoje a culpa maior é do cenário externo. Dow Jones está caindo 2%", diz uma fonte de uma corretora. 

Banco Central

O Banco Central informou há pouco que somente na semana entre 23 a 27 de setembro, o fluxo cambial total ficou negativo em US$ 3,7 bilhões, com as retiradas pelo canal financeiro somando US$ 2,3 bilhões.

Em meio ao clima de maior a aversão ao risco, o Credit Default Swap (CDS) de cinco anos do Brasil, uma medida do risco-país, opera em alta, a 141 pontos, ante 138 do fechamento de ontem, de acordo com cotações da IHS Markit. "A volatilidade do mercado aumentou diante de sinais de desaceleração da economia mundial", observam os estrategistas do banco espanhol BBVA esta tarde. Neste cenário de elevação do mau humor internacional, o índice Vix, um termômetro da volatilidade, disparava 11% esta tarde.

Europa

As bolsas europeias, por sua vez, fecharam com quedas consideráveis nesta quarta-feira. Com a exceção de Londres, todas elas terminaram nas mínimas do dia. O índice pan-europeu Stoxx 600 fechou em baixa de 2,70%, em 377,52 pontos.

Na própria Europa, houve um dado fraco do setor de construção civil do Reino Unido. O índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) da construção britânica caiu de 45,0 em agosto a 43,3 em setembro, na mínima desde abril de 2009. Na Alemanha, um grupo de institutos de pesquisa cortou a projeção de crescimento do país em 2019 de 0,8% a 0,5%.

Além disso, o movimento negativo se acentuou após o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, ter divulgado um plano alternativo em busca de um acordo com a União Europeia no Brexit. Johnson propõe uma zona regulatória de bens em toda a Irlanda. O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, afirmou ver avanços na carta do premiê, mas também viu "pontos problemáticos". Para a consultoria Pantheon, a chance de que o Brexit de fato ocorra em 31 de outubro, como previsto atualmente, é "muito próxima de zero".

Tudo o que sabemos sobre:
bolsa de valores

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.