Werther Santana/Estadão
Bolsa brasileira; aos olhos de investidores dolarizados, investir no Brasil ficou “barato” Werther Santana/Estadão

Bolsa vê ingresso de R$ 24,8 bi de capital estrangeiro em janeiro

Alta pode ser uma consequência do preço do dólar e da liquidez das empresas listadas no Brasil

Bruna Camargo e Luísa Laval, O Estado de S. Paulo

31 de janeiro de 2022 | 05h00

O estrangeiro decidiu investir – e bastante – na Bolsa brasileira neste início de ano. Só até o dia 26, dado mais recente divulgado pela B3, a entrada líquida de capital foi de R$ 24,847 bilhões, ante R$ 14,547 bilhões em dezembro e equivalente a 35,1% do total de 2021 (R$ 70,758 bilhões). O volume também supera o número de janeiro do ano passado, de R$ 23,556 bilhões.

O saldo é uma surpresa positiva, de acordo com especialistas, para um 2022 que começou marcado pela tensão com a corrida presidencial, pela elevação da Selic a dois dígitos, pelo desajuste nas contas públicas e pelo aperto monetário global.

Em contraponto a esse cenário que deixa cautelosos até gestores de fundos, os estrangeiros veem alguns atrativos no mercado doméstico. Preços melhores na B3 em comparação aos de seus pares emergentes, a liquidez costumeira de início de ano e a busca por empresas de valor são alguns dos pontos citados por analistas para justificar a entrada de capital estrangeiro nos últimos dias. O empurrão é visto, inclusive, como a justificativa para o Ibovespa sustentar o sinal positivo mesmo enquanto Wall Street sofre baixas com a aversão ao risco nos mercados internacionais.

Alguns dados evidenciam que, aos olhos de investidores dolarizados, o Brasil ficou “barato”. Segundo levantamento da Economatica, o Ibovespa dolarizado sofreu perda de 8,25% em 2021, enquanto o IPyC, índice mexicano, apresentou desvalorização também em dólar de 3,98% no ano. No mesmo período, o S&P 500 e o Dow Jones, ambos em Nova York, caíram, mas bem menos: 1,11% e 2,04%, respectivamente.

“Se acreditarmos que o preço da Bolsa hoje tende a se aproximar da média, podemos dizer que há mais a ganhar estando investido no Brasil do que estando investido na China, por exemplo”, diz Victor Natal, estrategista de ações com foco em pessoa física do Itaú BBA.

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Vale, Petrobras e bancos puxam interesse de investidores na B3

Empresas são visadas por investidores estrangeiros que analisam commodities e serviços financeiros

Bruna Camargo e Luísa Laval, O Estado de S. Paulo

31 de janeiro de 2022 | 05h00

Mercados por todo o mundo estão enfrentando a inflação, o que significa que os bancos centrais estão em processo de aperto monetário para tentar contê-la. Quando os juros sobem, os investidores tendem a sair das chamadas ações de crescimento (com forte potencial imediato de alta) e buscar os papéis de valor (com preços hoje abaixo do que o próprio mercado considera justo, dada a perspectiva de lucro). A boa notícia, na avaliação de André Rosenblit, diretor da Santander Corretora, é que o Ibovespa está cheio de empresas de valor.

“(Os estrangeiros) olham a América do Sul, principalmente o Brasil, como o maior polo de commodities do mundo”, afirma. “Vale, Petrobras e bancos em geral estão sendo muito demandados pelo estrangeiro”, acrescenta ele, que entende que as empresas de commodities e de serviços financeiros estão sendo vistas como empresas de valor. E, juntas, elas representam 60% do Ibovespa.

O Brasil viu sua presença no portfólio de fundos direcionados à região diminuir de aproximadamente 30% para algo perto de 10%, segundo Victor Natal, estrategista de ações do Itaú BBA. No entanto, algumas mudanças recentes de fluxo foram notadas.

“A China vinha em uma tendência crescente até 2020 e, em 2021, deu uma caída. Isso demonstra as preocupações mais recentes com a economia chinesa”, avalia Natal. “Outro emergente também vem passando por um momento de volatilidade, que é a Rússia, com esse conflito com a Ucrânia”, acrescenta.

Janeiro é um mês costumeiramente mais líquido para mercados emergentes, com o estrangeiro aproveitando para fazer novas rodadas de investimento, segundo Rosenblit. Mas ele não acredita que isso deve se manter a ponto de, no fim do ano, o acumulado superar o saldo positivo de 2021. “Acho que talvez janeiro seja o melhor mês do ano. Diria que o número fique entre R$ 50 bilhões e R$ 60 bilhões positivo (no total de 2022).”

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