Bolsa volta a liderar ranking de investimentos

Após três meses na última posição, Bovespa termina mês de julho com alta de 10,8%; recuperação ainda não reverte perdas acumuladas no ano

Roberta Scrivano e Yolanda Fordelone, O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2010 | 00h00

Depois de três meses seguidos na última posição do ranking mensal dos investimentos, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) terminou o mês de julho no topo, com alta de 10,8% no período. Especialistas dizem que a curva de alta, semelhante à registrada na Dow Jones (7,8% no mês), demonstra que a expectativa sobre o desempenho da economia mundial já está mais otimista, fato que diminui a aversão ao risco dos investidores.

A recuperação em julho, no entanto, ainda não foi suficiente para reaver as perdas acumuladas desde o início de 2010. Levando em conta o período de janeiro a julho, a Bovespa ainda amarga queda de 1,56%.

"No primeiro semestre do ano, uma série de dúvidas, inclusive sobre a política fiscal de alguns países da Europa, impactou a bolsa", lembra o economista da Gradual, André Perfeito. "Mas o teste de estresse feito nesse mês com os bancos daquele continente, sepultou o receio que já vinha diminuindo."

Para Manuel Enriquez Garcia, professor da Faculdade de Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (FEA/USP), os resultados da Bovespa só não foram melhores porque ainda há o imbróglio da capitalização da Petrobrás, que tem sido uma força contra a alta da bolsa. "Mas temos um cenário otimista para a Bovespa como um todo de agora em diante", diz Garcia.

Outro movimento que comprova o recuo da aversão ao risco do investidor é a queda da cotação do ouro. Depois de três meses na liderança dos investimentos mais rentáveis, o metal ocupou a lanterna do ranking em julho, com queda de 3,91%. No ano, a commodity ainda está com a melhor rentabilidade: alta de 14,84%. O metal é a única aplicação a ganhar da inflação do varejo, medida pelo Índice Geral de Preços ao Mercado (IGP-M), que subiu 5,85% em 2010.

Carteira conservadora. A rentabilidade das aplicações que acompanham a taxa básica de juros (Selic) e a poupança tiveram melhora em julho, já refletindo as altas da Selic nos últimos meses. A caderneta que havia rendido 0,56% em junho avançou para 0,62% em julho. Os fundos DI renderam 0,67% em julho e os fundos de renda fixa 0,65%.

Para Fábio Colombo, administrador de investimentos, os fundos DI ainda são a opção mais segura para o investidor. "Em agosto, o rendimento bruto será na faixa de 0,60% e 0,90%, dependendo da taxa de administração", calcula.

A expectativa, no entanto, é que o retorno se mantenha nesse patamar. "Acreditamos que a Selic deva sofrer uma alta de no máximo 0,5% até o fim do ano, algo que já está precificado nos títulos públicos de renda fixa", avalia Perfeito, da Gradual.

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