Bolsa volta a operar em queda; dólar e risco País sobem

O mercado financeiro intensificou a cautela nesta quinta-feira e as bolsas no mundo voltaram a operar em baixa. Na quarta, os investidores ensaiaram uma recuperação depois das fortes perdas do início da semana, mas o movimento perdeu força. A certeza que já se tem é que os próximos dias serão de oscilações, provocadas pelas incertezas com as economias chinesa e norte-americana. No início da tarde, a Bolsa de Valores de são Paulo (Bovespa) está em baixa de 2,01% e, durante a manhã, chegou a cair mais de 4%. O dólar comercial é vendido a R$ 2,1290, no patamar máximo do dia, em alta de 0,38%. Já o risco Brasil - que mede a desconfiança do investidor estrangeiro na capacidade de pagamento da dívida do país - sobe para 201 pontos, em alta de 5 pontos em relação ao fechamento de ontem.Na China, a bolsa fechou em baixa de 2,9%. No Japão, o mercado de ações encerrou o dia em queda pelo quinto pregão seguido. Nesta quinta, a perda foi de 1,6%. O mercado taiwanês registrou queda de 2,8% em um pregão com grande volume de negociação. Nos Estados Unidos, o índice Dow Jones - que mede o desempenho das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - opera em baixa de 0,43% e a Nasdaq - que negocia ações do setor de tecnologia e Internet - está me baixa de 0,54%, às 13 horas.Na Europa, o tom foi de perplexidade. Após abrirem com um tom positivo nesta manhã, refletido no teor dos relatórios das instituições financeiras, as bolsas européias voltaram a mergulhar no vermelho. Esta virada não tem causas concretas. Tanto que um veterano estrategista de um banco espanhol, ao atender a um telefonema da AE, nem esperou pela pergunta: "Não me pede para explicar por que tudo voltou a cair pois ninguém tem a mínima idéia", disse ao correspondente da Agência Estado em Londres, João Caminoto.Incertezas e volatilidadeInvestidores estão em alerta sobre a real situação da economia chinesa. É provável que ela continuará em ritmo forte, mas os ativos do mercado financeiro de lá não são vistos com tanta clareza. Para se ter uma idéia, a bolsa da China subiu 130% no ano passado. O movimento de queda iniciado nesta semana reflete as incertezas sobre a magnitude destes ativos. Isso significa que os investidores estão avaliando o valor real das ações das empresas do país, o que, com certeza, deverá provocar oscilações no mercado.Além disso, há fortes rumores no mercado de que o governo poderá tributar o ganho dos investidores e, além disso, implementar medidas para conter o aquecimento econômico do país. Ou seja, mais incertezas e, portanto, mais oscilações.Já se sabe que a China vai liberar os preços da energia, aumentar algumas taxas de exportação, importar mais recursos naturais e controlar alguns investimentos, para tentar equilibrar sua economia. Companhias de setores altamente poluentes e de uso intensivo de energia terão que pagar mais pela água e pela energia utilizada, afirmou Ma Kai, chefe da Comissão de Reforma e Desenvolvimento Nacional do país, em artigo publicado na revista oficial Money China. Essas empresas também terão dificuldades em obter empréstimos do setor bancário estatal, disse Ma. "Aumentar os esforços para economizar energia e reduzir a poluição é o caminho fundamental para transformarmos nosso modelo de crescimento econômico e aumentar nossa eficiência", escreveu. A China não cumpriu sua meta de reduzir uso de energia em 2006, um de apenas dois objetivos numéricos definido pelo Partido Comunista no plano 2006-2010. Ele afirmou que Pequim continuará incentivando a consolidação de indústrias como carvão, papel e outras usuárias intensivas de energia, e impor taxas maiores sobre suas exportações. Vendas externas de fertilizantes serão controladas. Assim como a China, a economia norte-americana também preocupa. São as duas economias mais fortes do mundo e qualquer mudança nestes países provoca impacto sobre as economias do mundo todo. Nos Estados Unidos, o temor é de que um período de recessão esteja próximo. Foi este o alerta feito pelo ex-presidente do banco central norte-americano, Alan Greenspan na terça, o que também acabou assustando os investidores.

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