Bolsas asiáticas abrem 2008 no vermelho; HK cai 0,9%

Indice Hang Seng recuou 252,13 pontos, ou 0,9%, e fechou aos 27.560,52 pontos

Fábio Michel Machado e Priscila Arone, da Agência Estado,

02 de janeiro de 2008 | 10h02

Com exceção de China e Austrália, os mercados do sudeste asiático encerraram em baixa seus primeiros pregões do ano. Na Bolsa de Hong Kong, investidores decidiram embolsar os ganhos acumulados pelas altas pré-feriado de ano-novo, o que fez o índice Hang Seng recuar 252,13 pontos, ou 0,9%, e fechar aos 27.560,52 pontos. "A atividade de window-dressing (aquisições de ações para melhoria das carteiras) próxima ao fim do ano impulsionou o mercado, e, assim, vimos algumas realizações de lucros hoje", disse Y.K. Chan, administrador de fundos do Phillip Asset Management. "Mas todo ano a primeira sessão tende a ser volátil e os negócios são baixos, portanto, a queda de hoje não é indicativa do sentimento do mercado", acrescentou.  Papéis de algumas incorporadoras subiram por conta do robusto mercado imobiliário em Hong Kong. A maior alta foi de MTR Corp., com ganho de 7,3%. New World Development subiu 2,5%, Swire Pacific Sun Hung Kai Properties avançaram ambas 0,7%. Os maiores declínios vieram de companhias relacionadas à China: China Overseas perdeu 2,9%, Citic Pacific caiu 2,3% e PetroChina recuou 2,2%. Em tendência oposta, China Eastern Airlines saltou 4,4%. Ganhos em fabricantes de alimentos e bebidas e alta em companhias aéreas compensaram as perdas da PetroChina e fizeram as Bolsas da China iniciarem o primeiro pregão do ano em alta. O índice Xangai Composto subiu 0,2% e fechou aos 5.272,81 pontos, enquanto o Shenzen Composto avançou 1,8% e encerrou aos 1.472,44 pontos. Segundo analistas, os investidores preferem papéis de indústrias alimentícias e de bebidas, porque o setor de bens de consumo é um dos que não sofrem interferência do governo e os preços da comida estão subindo. Beijing Yanjing Brewery atingiu a alta máxima de 10% enquanto Bright Dairy & Food avançou 4,1%. Empresas aéreas também subiram com a alta do yuan e a expectativa pela Olimpíada. Air China saltou 8,1% e Shanghai Airlines valorizou 3,3%. PetroChina e companhias financeiras tiveram desempenhos negativos. Essas últimas devido a ajustes de carteiras dos investidores institucionais. China Life Insurance caiu 2,5% e Citic Securities recuou 3%. PetroChina caiu 1,24%, por causa de preocupações com sobrevalorização. Uma queda na taxa de paridade central dólar-yuan ajudou a sustentar as expectativas do mercado de que a moeda chinesa irá se apreciar mais rapidamente neste ano. Assim, a moeda chinesa atingiu sua maior cotação em relação à moeda norte-americana nesta quarta-feira, 2. Dealers acreditam que o dólar ainda vá cair ainda mais esta semana, embora com um ritmo menor do que o registrado em dezembro. No mercado de balcão, a moeda norte-americana fechou cotada em 7,2934 yuans, abaixo do último fechamento, quando a moeda foi negociada a 7,3041, na sexta-feira. O índice Taiwan Weighted da Bolsa de Taipé, em Taiwan, fechou em baixa de 2,2%, aos 8.323,05 pontos. Papéis dos setores de tecnologia e alimentos lideraram a queda. "O movimento de venda se intensificou durante a tarde, em sintonia com o recuo em outros mercados asiáticos", disse Andrew Teng, gerente de vendas da Taiwan International Securities. "Ações de grandes empresas tiveram forte baixa, provavelmente guiadas por investidores estrangeiros", completou. AU Optronics fechou em baixa de 4,3%; TSMC recuou 2,4% e Uni-President Enterprises encerrou o dia com queda de 4,3%. Na Coréia do Sul, o índice Kospi da Bolsa de Seul registrou queda de 2,3% e fechou aos 1.853,45 pontos, puxado principalmente por ações do setor de telecomunicações, para o qual há perspectivas de queda no faturamento no curto prazo. "O mercado foi marcado fortemente pelo movimento de arbitragem (entre o mercado à vista e o futuro) e deve permanecer agitado no começo do mês em razão do grande volume de negócios feitos por programas de negociações por computador", disse Sung Jin-Kyung, analista da Daishin Securities. Já os papéis de construção tiveram um bom dia, em razão da divulgação de um plano do governo de construir um canal na Península Coreana. Hyundai Engineering & Construction teve alta de 5,9% e Daelim Industrial fechou com aumento de 5%. Dentre as blue chips, Samsung Electronics recuou 2,2%; a siderúrgica Posco teve retração de 2,3% e Hyundai Heavy Industries perdeu 1,7%. Nas Filipinas, os ganhos apurados na primeira parte das negociações na Bolsa de Manila não se mantiveram durante o pregão. Os investidores continuam em compasso de férias e mantêm-se cautelosos em assumir posições depois da queda em Wall Street na segunda-feira. O índice PSE Composto recuou 0,1% e terminou em 3.617,29 pontos. "Nós esperávamos um pregão calmo", disse Astro del Castillo, da First Grade Holdings. Segundo ele, "o mercado continuará sensível a sentimentos externos", com foco especial em novas altas do petróleo. PLDT teve queda de 0,8% e Ayala recuou 3,5%. Já PNOC Energy Development fechou em alta de 4,6%; Manila Water subiu 4,1% e Megaworld encerrou o dia com elevação de 5,3%. O mercado de ações australiano começou 2008 atingindo seu nível mais alto em duas semanas, graças à baixa liquidez, depois do período de fim de ano. O índice S&P/ASX 200 da Bolsa de Sydney teve alta de 0,2% e fechou aos 6.353,2 pontos, mas chegou a 6.385,7 no meio do expediente. De qualquer forma, os traders não fizeram nenhuma interpretação sobre a alta, uma vez que ela foi atingida com um volume extremamente pequeno de negócios. "As coisas vão começar a acontecer verdadeiramente na segunda-feira (dia 7). O volume será baixo por toda a semana", disse o corretor sênior da CommSec, Trent Mackie. Os papéis da Fortescue Metals tiveram o maior impacto no mercado, com alta de 8%. Newcrest valorizou 2,1%, depois que os jornais locais relacionaram a empresa como o próximo grande alvo de aquisição, já que o mercado de ouro continua em ascensão. Centro Properties fechou em alta de 3%. As informações são da Dow Jones.

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