Bolsas asiáticas despencam; pânico toma conta dos investidores

Com o anúncio da primeira falência no Japão, índice Nikkei fecha em baixa de 9,62%, a maior em 21 anos

Cláudia Trevisan, de O Estado de S. Paulo,

10 Outubro 2008 | 07h59

O pânico dominou o comportamento dos investidores asiáticos nesta sexta-feira e o movimento de venda de ações provocou quedas pesadas em todas as Bolsas da região. No Japão, o índice Nikkei fechou em baixa de 9,62%, a maior em 21 anos, em um claro sinal de que as medidas adotadas até agora por bancos centrais ao redor do mundo foram insuficientes para restaurar a confiança na economia.   Veja também: Como o mundo reage à crise  Empresa japonesa vítima do subprime pede concordata Após dois novos leilões do BC, dólar fecha em queda de 4,82% Variação do dólar supera queda das commodities na crise FMI age para garantir crédito a emergentes Confira as medidas já anunciadas pelo BC contra a crise Entenda a disparada do dólar e seus efeitos Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise Entenda o pacote anticrise que passou no Senado dos EUA  A cronologia da crise financeira  Veja como a crise econômica já afetou o Brasil  Entenda a crise nos EUA    A situação foi agravada pelo aumento no número de falências e o anúncio da primeira quebra de uma instituição financeira japonesa em razão da crise norte-americana. A seguradora Yamato, que tem 170 mil apólices individuais, anunciou que a continuidade de seus negócios foi comprometida pelos prejuízos registrados nos investimentos em papéis lastreados em operações de crédito de alto risco no mercado imobiliário dos Estados Unidos.   A redução de liquidez nas operações interbancárias levou o Banco do Japão a fazer a maior injeção de recursos no mercado desde o início da crise, no 18º dia consecutivo de intervenção. A instituição emprestou 4,5 trilhões de ienes (cerca de US$ 45 bilhões) em três etapas, depois que a taxa overnight para bancos regionais atingiu 0,73%, bem acima da meta oficial de 0,5%.   Sob o impacto da forte queda em Wall Street na quinta-feira, a Bolsa de Tóquio chegou a cair mais de 11% no período da manhã - o índice já havia perdido 9,38% no dia anterior. Com o fechamento de sexta-feira, o mercado acionário japonês atingiu o mais baixo patamar em cinco anos e cinco meses.   As quedas foram acentuadas em toda a região. A Bolsa de Hong Kong recou 7,2%, a de Cingapura, 7,6%, e da Coréia do Sul, 4,13%. O mercado australiano despencou 8,3%, o maior recuo desde o crash das Bolsas mundiais em outubro de 1987.   Na Indonésia, os negócios na Bolsa estão suspensos na quarta-feira, depois que as ações registraram perdas de 21% em três dias. As autoridades pretendiam restabelecer o pregão na sexta-feira, mas adiaram a decisão em razão das quedas nos mercados da região.   Na tarde de sexta-feira, a Bolsa de Mumbai operava em baixa de 5,5%, depois de ter caído 7,92% durante a manhã. O humor dos investidores melhorou depois que o banco central decidiu injetar US$ 8,2 bilhões no mercado financeiro por meio da redução em 1,5 ponto percentual na quantidade de dinheiro que os bancos têm que deixar imobilizada, sem emprestar, o chamado depósito compulsório.   Na China, a Bolsa caiu 3,47% na sexta-feira e encerrou a que foi a pior semana da história para o mercado acionário local.

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