Dado Ruvic/Illustration/Reuters
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E-Investidor: Tesouro Direto atrai mais jovens e bate recorde de captação

Bolsas asiáticas e europeias caem no dia seguinte ao colapso dos preços do petróleo

Dólar também ganha força frente às demais divisas em movimento de proteção de capital por parte do investidor

Célia Froufe e Gabriel Costa, O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2020 | 10h02

Sem atividade de mercado financeiro nesta terça-feira, 21, em virtude do feriado de Tiradentes, os analistas monitoram a movimentação dos ativos no exterior, um dia após o derretimento dos preços de petróleo no cenário internacional.

Ontem, Pela primeira vez na história, o preço do petróleo negociado nos Estados Unidos fechou com valor negativo, refletindo a forte contração da atividade econômica e o excesso de estoques do produto provocado pela pandemia do novo coronavírus. Os contratos para entrega em maio do óleo tipo WTI - referência no mercado americano - desabaram 305,9% na Bolsa de Nova York e fecharam cotados a US$ 37,63 negativos.

Nesta terça, as bolsa asiáticas fecharam em baixa, influenciadas justamente pelo desempenho negativo dos contratos de petróleo. A bolsa de Xangai registrou queda de 0,90%. Em Tóquio, Tóquio, o índice Nikkei fechou em baixa de 1,97%. E em Hong Kong, o índice Hang Seng caiu 2,20%. 

Na Europa, os mercados também estão mal humorados. Todas as bolsas operam no terreno negativo na manhã desta terça-feira. Por volta das 8h40 de Brasília, o índice intercontinental Stoxx-600 recuava 2,02%, a 328,91 pontos, com destaque para o setor de petróleo e gás (-4,24%). O movimento de baixas é generalizado e os demais também estão no vermelho. 

Além disso, no mercado cambial, as moedas europeias caem em relação ao dólar após a divulgação de dados sobre a incidência da Covid-19 sobre a atividade econômica.

Empresas

Ainda nesta terça-feira, algumas empresas devem mostrar o impacto que sofreram com o início da disseminação da Covid-19. A francesa Peugeot Citroen deve divulgar seu balanço sobre o primeiro trimestre ao longo do dia. Mais cedo, a americana Coca-Cola disse que a demanda pelo produto caiu 25% em abril em meio ao surto da doença. Os preços internacionais do açúcar negociados nos Estados Unidos e no Reino Unido, onde está a sede da Organização Internacional do Açúcar (OIA), estão pressionados com mais esta informação sobre a queda do consumo.

Dados britânicos apontaram uma desaceleração do número total de empregados de 1,1% em fevereiro para 0,8% em março, o que também foi interpretado como um dos sinais do impacto do coronavírus sobre a economia do país. Mais cedo, o Escritório de Estatísticas Nacionais (ONS, na sigla em inglês) considerou que o número de mortes ligadas à Covid-19 no Reino Unido pode ser mais de 41% maior do que o conhecido até o momento.

Também foi publicado nesta terça o índice ZEW de expectativas econômicas na zona do euro, que subiu de -49,5 em março para +25,2 em abril. A avaliação da atual situação da economia, porém, recuou de -48,5 em março para -93,9 em abril, em meio à pandemia. Na Alemanha, o mesmo indicador aumentou de -49,5 em março para +28,2 em abril, enquanto índice das condições atuais na maior economia da Europa registrou queda de -43,1 em março para -91,5 em abril.

Ásia

Na China, a Bolsa de Xangai registrou queda de 0,90%, a 2.827,01 pontos, e a de Shenzhen, de menor abrangência, recuou 0,82%, para 1.834,82 pontos. Mesmo com o país começando a retomar a atividade, analistas ainda estão cautelosos sobre esse processo e o Nomura projetou ontem que o Produto Interno Bruto (PIB) chinês recue 0,5% no segundo trimestre, com recuperação mais lenta do que o previsto.

Na Bolsa de Tóquio, o índice Nikkei fechou em baixa de 1,97%, em 19.280,78 pontos. Recuos das companhias eletrônicas foram maiores do que os avanços em alguns papéis do setor de alimentos. TDK caiu 4,4% e Olympus, 4,6%, enquanto a fabricante de chocolates Meiji Holdings subiu 2,4% e Suntory Beverage & Food teve alta de 1,9%. Manchetes relacionadas ao coronavírus e à queda no petróleo estiveram em destaque também no Japão.

Em Hong Kong, o índice Hang Seng caiu 2,20%, para 23.793,55 pontos, com a queda no mercado acionário em Nova York e no petróleo assustando investidores locais. Sino Biopharmaceutical, fabricante de medicamentos para o câncer na China, teve o pior desempenho, em baixa de 7,9%, após revelar um plano para vender ações com um desconto.

Na Coreia do Sul, o índice Kospi fechou em baixa de 1,00%, em 1.879,38 pontos, puxada por quedas nas ações ligadas ao transporte marítimo e aos setores automotivo e de tecnologia. A Kiwoom Securities destacou o fato de que a forte baixa no petróleo deixou investidores na defensiva. Outro motivo foi uma queda forte nas exportações coreanas nas primeiras semanas de abril, com a pandemia da covid-19. Daewoo Shipbuilding & Marine Engineering caiu 4,9%, Hyundai Mipo Dockyard cedeu 4,4% e Hyundai Motor, 4,2%.

Em Taiwan, o índice Taiex registrou queda de 2,82%, para 10.288,42 pontos.

Na Oceania, o índice ASX/S&P 200 teve baixa de 2,46%, a 5.221,30 pontos, na Bolsa de Sydney. Hoje, o presidente do Banco Central da Austrália, Philip Lowe, afirmou que o impacto da pandemia de coronavírus para a economia de seu país é o maior desde a Grande Depressão, mas disse também estar otimista quanto às chances de uma recuperação dentro de três ou quatro meses.

 

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