Bolsas asiáticas fecham a semana em forte baixa

Medo de recessão, revisão de lucros de empresas e declarações do ex-presidente do Fed derrubam mercados

Agências internancionais,

24 Outubro 2008 | 04h47

Os mercados asiáticos fecharam a semana em forte queda. O índice japonês desabou mais de 9% ao se situar abaixo dos 8.000 pontos, pela primeira vez em quase 5 anos e meio. A valorização do iene perante o dólar, a revisão dos lucros das empresas e a possibilidade de uma recessão global amedrontam os investidores. Além disso, as declarações do ex-presidente do do Federal Reserve (Fed - Banco Central americano) ao Congresso Americano também aumentaram as incertezas do mercado financeiro.   Veja também: Consultor responde a dúvidas sobre crise   Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitos Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise A cronologia da crise financeira  Dicionário da crise    O indicador Nikkei afundou 811,90 pontos para 7.649,08, 9,6%. O Topix registrava uma queda de 6%.   Apesar dos ganhos em Wall Street, o sentimento em Tóquio está abalado com a possibilidade de uma recessão global e um iene forte. O dólar era cotado a 95,77 ienes, o menor valor em 13 anos. O euro também caiu.   O Banco do Japão (BOJ) injetou nesta sexta-feira outros 600 bilhões de ienes (US$ 6,245 bilhões) no mercado financeiro.   No total, o BOJ injetou no mercado cerca de 36 trilhões de ienes (US$ 380,971 bilhões) desde que o banco de investimento americano Lehman Brothers decretou falência, no dia 15 de setembro.   Em Seul, o índice Kospi perdeu -10,57%, e, em Hong Kong, a queda chegou a -7,24%.   As outras Bolsas asiáticas também registraram perdas. As quedas foram as seguintes: Cingapura -7,97%; Jacarta -7,11%; Kuala Lumpur -5,43%; Sydney -2,73%; Manila -2,13% e Xangai -1.92%.   Alan Greenspan   Questionado por congressistas que examinam as causas da crise financeira, o ex-presidente do Fed, Alan Greenspan - que estava à frente da instituição no nascimento da bolha imobiliária - admitiu nesta quinta-feira ter cometido alguns erros ao supor que a desregulamentação do sistema seria benéfica. Por outro lado, rejeitou a idéia de que tenha sido pessoalmente responsável pelo que chamou de "tsunami no crédito que ocorre uma vez a cada século". Greenspan disse que a crise tomou proporções inimagináveis àquela época. "Ela se transformou de uma crise de restrição de liquidez em uma no qual prevalece o medo de insolvência."O presidente do conselho, deputado Henry Waxman, do Partido Democrata da Califórnia, questionou Greenspan sobre a falta de regulamentação das hipotecas. O Fed "tinha autoridade para interromper as práticas irresponsáveis de concessão de crédito que abasteceram o mercado de hipotecas subprime", disse. Greenspan se defendeu dizendo ter levantado a questão sobre os perigos da "depreciação do risco" em 2005. Mas, quando Waxman perguntou se ele "estava errado" sobre os benefícios da desregulamentação, Greenspan respondeu: "Parcialmente". A "falha" nas premissas que defendeu durante quatro décadas, disse Greenspan, foi a de que as próprias instituições de crédito eram mais bem habilitadas para proteger o interesse de seus acionistas.

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