Bolsas asiáticas mantêm recuperação; Hong Kong destoa e cai

Mesmo com valorização nos mercados nesta quinta, temores de recessão na economia dos EUA continuam

Agência Estado,

24 de janeiro de 2008 | 07h57

A maioria das bolsas asiáticas avançou nesta quinta-feira, 24, impulsionadas por bancos e financeiras depois que o governo dos Estados Unidos detalhou plano para auxiliar seguradoras de títulos com problemas e protelar uma nova leva de baixas contábeis bilionárias.   A Bolsa de Hong Kong, a exceção do dia, caiu 2,3%. O Hang Seng perdeu 550,90 pontos e fechou em 23.539,27 pontos, após atingir a máxima de 24.966,17 pontos durante o pregão. A mudança de sinal em HK ocorreu após o banco francês Société Générale informar que uma "fraude" relacionada a um trader irá resultar num prejuízo de 4,9 bilhões de euros e ainda irá relatar uma perda adicional de 2,05 bilhões de euros em ações por conta de sua exposição à crise subprime dos EUA.   "Estão colocando sal nas feridas, um sinal de quão ruim está a condição do crédito", disse Castor Pang, da Sun Hung Kai Financial, que acredita que o índice poderá retornar ao patamar de 24 mil pontos no curto prazo, já que os fundamentos em HK continuam fortes e há perspectiva de o Federal Reserve fazer novo corte da taxa de juros na semana que vem.   As ações das imobiliárias locais apresentaram queda, apesar das expectativas de que os bancos irão cortar a taxa de juros em linha com os movimentos do Fed. New World Development caiu 4,6% e Henderson Land perdeu 3,1%. Já o peso pesado HSBC, que representa 15% do Hang Seng, fechou em ligeira queda de 0,7%, após a CLSA Asia-Pacific Markets reduzir o preço alvo do banco por causa de sua exposição à crise hipotecária norte-americana.   As ações de empresas varejistas e de agricultura lideraram a alta no mercado acionário chinês, com as expectativas de forte demanda doméstica e aumento do preço dos produtos para o consumidor. O Xangai Composto subiu 0,3%, para 4.717,73 pontos. Já o Shenzhen Composto ganhou 1,9%, para 1.427,22 pontos.   Analistas disseram que as preocupações sobre a possibilidade de o governo chinês adotar novas medidas de aperto monetário irão capitalizar o preço das ações, já que os novos números da economia chinesa, anunciados nesta quinta, mostram que o PIB e a taxa de inflação permanecem altos. O governo informou que espera que a pressão inflacionária persista em 2008. O CPI apresentou alta de 4,8% em 2007, ante elevação de 1,5% em 2006. Já o PIB teve expansão de 11,4% no ano passado, ante 11,1% em 2006.   O mercado taiwanês fechou em alta, num pregão com baixo volume de negociações, puxado por papéis do setor financeiro, após dois dias de fortes quedas. O índice Taiwan Weighed subiu 1,5%, para 7.517,05 pontos. Traders acreditam que os investidores escolheram ações fora do setor de tecnologia como um porto seguro, já que as perspectivas para este segmento nos EUA continuam incertas. "O setor de tecnologia pode ter de esperar até o segundo trimestre, até um sinal dos EUA", disse Shawn Wang, trader da BNP Paribas. TSMC avançou 5,3% seguindo a forte alta de seus ADRs ontem, mas também com a possível compra por parte de fundos do governo, disseram participantes do mercado. UMC subiu 1,8% e Cathay Financial Holding teve ganhos de 5,8%.   A Bolsa da Coréia apresentou ganhos de 2,1%, a maior alta do mês, ajudada pela recuperação de Wall Street. O índice Kospi subiu para 1.663 pontos, com moderado volume de negociações. "Os mercados americanos cortaram o círculo vicioso (EUA, Ásia e Europa passando as perdas um para o outro), com a crescente visão de que a intervenção feita pelo Federal Reserve não será provavelmente a única", afirmou You Sung-Min, da Samsung Securities. Os investidores estrangeiros, que há semanas vendem ações, mostraram menos ansiedade. LG Electronics subiu 2,8%, por conta de previsões de ter um maior lucro líquido no quarto trimestre. Hyundai Steel ganhou 2,4%, em linha com os rendimentos do último trimestre de 2007. Hyundai Motor avançou 2,6%, após anunciar um lucro operacional maior do que o esperado para o quarto trimestre.   Já a Bolsa filipina registrou a segunda alta consecutiva, seguindo o desempenho de Wall Street. O índice PSE Composto teve aumento de 2,9%, para 3.147,42 pontos. Mas o mercado não fechou em sua maior alta, já que alguns investidores realizaram lucros no final do pregão. "Os investidores continuam cautelosos (sobre a situação econômica dos EUA) e a maioria é rápida em realizar lucros", disse Lawrence de Leon, analista da Accord Capital Equities. Philippine Long Distance Telephone Co., a ação mais negociada da sessão, subiu 3,3%. Ayala Corp. encerrou o dia em alta de 1,1%. Incorporadoras também tiveram bom desempenho, lideradas por Ayala Land Inc., que encerrou o pregão com aumento de 3,7%. Megaworld Corp. teve ganhos de 3,6%.   A Bolsa australiana continua a trajetória de recuperação após 12 sessões seguidas de queda. O índice S&P/ASX 200 subiu 3,1%, para 5.580,4 pontos, liderado por papéis do setor financeiro, seguindo o desempenho do mercado norte-americano e encorajado pelos bons dados da economia chinesa. Mas os investidores continuam cautelosos, apesar do otimismo. "O movimento foi razoável, mas não estou fascinado. Estamos apenas nos recuperando do terrível dia que foi terça-feira", disse Justin Gallagher, do ABN Amro.   As principais mineradoras tiveram alta, após a divulgação do PIB da China no quarto trimestre - alta de 11,2% ante expectativa de 11,3%. O porcentual foi alto e confirma a manutenção da demanda por commodities do país, disseram analistas. BHP Billiton fechou em alta de 2,7% e Rio Tinto subiu 2,3%. National Austrália Bank subiu 4,1%. Allco Finance Group disparou 29%. ASX, empresa que opera a Bolsa de Valores e de Futuros da Austrália, avançou 17%. Centro Properties teve alta de 35%. Zinifex teve elevação de 11%. Já Newcrest Mining perdeu 2,6%.

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