Bolsas asiáticas reagem após dia de turbulência

Bolsa de Xangai fecha em forte baixa e primeiro-ministro diz ser difícil controlar inflação

Agências internacionais,

18 de março de 2008 | 04h50

Após uma segunda-feira turbulenta nos mercados mundiais, as bolsas asiáticas fecharam o pregão desta terça-feira, 18, em alta. A Bolsa de Xangai fugiu a regra e terminou o dia em forte baixa de 3,96%. Os analistas financeiros esperam que o Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) anuncie um corte na taxa básica de juros nos Estados Unidos na reunião desta terça-feira do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês). Veja tambémMercado asiático abre em alta, após dia de perdasCrise externa eleva dólar pelo terceiro dia consecutivo BCs injetam recursos para socorrer bancosCrise no mercado global está maior, diz diretor-gerente do FMI Entenda a crise nos Estados Unidos   O sobe e desce do dólar Veja os efeitos da desvalorização do dólar O índice Nikkei da Bolsa de Tóquio fechou em alta de 176,65 pontos (1,49%), para 11.964,16. O índice Topix, que reúne todos os valores da primeira seção, subiu 13,98 pontos (1,21%), aos 1.163,63. Em Seul, o índice Kospi terminou o pregão com uma leve alta de 14,31 pontos (0,91%), aos 1.588,75. O índice de valores tecnológicos Kosdaq caiu 0,58 ponto (0,10%), para 600,10. China A Bolsa de Xangai terminou a sessão com uma forte baixa, perdendo 3,96%, em um mercado preocupado com a inflação e vertiginosa alta dos preços das commodities. O Índice Shanghai Composite, que inclui ações do tipo A e B, perdeu 151, 51 pontos (-3,96%) e ficou em 3.668,90 no fechamento. O Índice Shangai A, por sua vez, retrocedeu 157,62 pontos (-3,93%) para fechar em 3.850,78 pontos. O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, afirmou que nesta terça será difícil "alcançar o objetivo fixado" pelo governo de manter a inflação abaixo da barreira de 4,8% em 2008, especialmente devido aos temporais de janeiro e fevereiro. Na segunda-feira, 17, a bolsa de Xangai já havia retrocedido 3,6% em um movimento de queda geral na Ásia provocado pelos temores de agravação da crise do crédito. Perdas mundiais As perdas de segunda-feira nos mercados mundiais aconteceram após a compra do Bear Stearns pelo JP Morgan, patrocinada pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano). Para os investidores, a queda da primeira grande vítima do mercado imobiliário americano elevou significativamente o risco de crise sistêmica no setor bancário, com a quebra de outras grandes instituições, como o Lehman Brothers. Além disso, na tarde de domingo, o Fed anunciou o corte de 0,25 ponto porcentual na taxa de redesconto para os bancos comerciais. Tudo isso reforçou as apostas de redução expressiva na taxa básica de juros nos Estados Unidos. A maioria espera redução de 1 ponto porcentual nos juros, para 2%. Mas há quem acredite em até 1,25 ponto para estancar a crise. A deterioração do cenário americano foi traduzida numa debandada geral dos investidores de aplicações de maior risco para ativos mais seguros, como o ouro. Na Europa, a maioria das bolsas terminou o dia com quedas superiores a 3%, movimento semelhante ao da Ásia. No Brasil, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) recuou 3,19% e acumulou perda de 6,06% no ano. (Colaborou Renée Pereira, de O Estado de São Paulo)

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