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Bolsas caem com temor da crise

Depois de quatro semanas de alta, desconfiança com a recuperação mundial leva investidores a vender ações

Gustavo Chacra, O Estadao de S.Paulo

18 de agosto de 2009 | 00h00

Depois de cinco meses de alta, as bolsas de valores caíram ontem no Brasil e em quase todo o mundo, puxadas por desconfiança em relação ao desempenho da economia chinesa, por um crescimento abaixo do esperado no Japão e pelos números medíocres do consumo nos Estados Unidos, divulgados ao longo da semana passada.No Brasil, o índice Bovespa recuou 2,51%. O índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, caiu 2%, e fechou em 9.135 pontos, na sua maior queda em sete semanas. O Nasdaq (-2,75%) e a o S&P 500 (-2,43%) também registraram perdas. Em Xangai, a baixa foi de 5,8% e, em Tóquio, o Nikkei encerrou o pregão a -3,10%. As principais bolsas da Europa tiveram resultados negativos. O índice MSCI, que mede a variação de ações de 23 países industrializados, caiu 2,79% ontem.A queda ocorre depois de a Bolsa de Nova York acumular alta de 42% desde quando atingiu seu piso na atual crise financeira, em 9 de março. Mesmo assim, o atual nível do índice Dow Jones equivale a dois terços do seu recorde, em outubro de 2007.A onda de vendas de ações já havia se iniciado na sexta-feira, quando a bolsa teve um fechamento semanal negativo, depois de quatro semanas consecutivas em alta. Desde a semana passada, em Nova York, alguns analistas previam um cenário sombrio para o mercado financeiro, que vinha num ritmo de crescimento acelerado, com alguns investidores, mais otimistas, acreditando que o pior já havia passado. O problema, segundo os analistas, é que a economia americana, embora não tenha entrado em depressão, ainda apresenta números fracos. E, segundo já se especulava no mercado há alguns dias, a posição dos principais bancos e hedge funds era de venda.De acordo com analistas, o governo enfrenta dificuldades para reaquecer o consumo, responsável por 70% do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA. Endividados, os americanos estão relutantes em consumir. As vendas no varejo se retraíram em julho, assim como o índice de confiança do consumidor.Para complicar, pesquisas indicam que os americanos adotaram um novo padrão de consumo, menor do que antes da crise, e mais próximo do de países europeus, podendo persistir mesmo depois de eliminarem suas dívidas.Antes da crise, os americanos poupavam pouco. Em alguns casos, consumiam bem além de suas rendas. Companhias de cartão de crédito, por exemplo, anunciaram ontem um aumento na inadimplência. No setor imobiliário, a execução de hipotecas de casas bateu recorde em julho. Economistas afirmam que, se não fosse o programa de estímulo, a economia americana teria apresentado queda bem mais acentuada do que o 1% do segundo trimestre - resultado que surpreendeu positivamente. No longo prazo, será preciso ocorrer uma retomada do consumo. O Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), ao anunciar a manutenção da taxa de juros entre zero e 0,25%, na semana passada, divulgou comunicado indicando que a economia americana, apesar de começar a sair da recessão, ainda está enfraquecida. O consumo baixo dos americanos afeta países da Ásia, como a China, porque os Estados Unidos são o principal destino de suas exportações. Apesar disso, diferentemente do que acontece na economia americana e na do G-7, que devem apresentar uma contração média de 3,5% neste ano, os países asiáticos devem crescer cerca de 5% em 2009.A queda nas bolsas ontem provocou ainda uma demanda maior pela segurança do iene e do dólar. As duas moedas se valorizaram em relação às de outras partes do mundo, incluindo o real, que fechou em queda de cerca de 1%. A busca por títulos do Tesouro dos Estados Unidos também aumentou ontem. Preços de commodities e do petróleo apresentaram queda com o temor de prolongamento da crise internacional.Embora as bolsas tenham caído, algumas boas notícias alimentaram as perspectivas de recuperação da economia americana. O índice de confiança medido pela Associação dos Construtores de Casa/Wells Fargo subiu de 17 para 18 pontos em agosto. Esse é o maior nível desde junho de 2008.Segundo David Crowe, economista-chefe da entidade, "a sensação é que o pior já passou". O setor imobiliário foi um dos mais atingidos pela crise. A produção industrial de Nova York também cresceu, segundo o Fed.

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