Bolsas caem no mundo todo; dólar tem a maior alta em 3 anos

Bolsas de todo o mundo fecharam em queda com o aumento da aversão ao risco. No Brasil, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) acompanhou a tendência e, às 16h30, estava em 36.649 pontos, baixa de 2,87%. Durante o dia, o Ibovespa - que mede o desempenho das ações mais negociadas na Bolsa - chegou a cair mais de 5%. O dólar comercial fechou cotado a R$ 2,2890, em alta de 3,67%, a maior variação desde 26 de maio de 2003. O risco Brasil - taxa que mede a desconfiança do investidor estrangeiro em relação à capacidade de pagamento da dívida do País - subiu para 275 pontos base.Investidores estão preocupados com o cenário de pressão inflacionária que seria contido apenas com a alta dos juros. Nesta manhã, em entrevista em Viena, o diretor-gerente do FMI, Rodrigo Rato, observou que os bancos centrais precisam reduzir o estímulo monetário em virtude do risco inflacionário. Para o mercado, quando as taxas sobem, o mercado acionário perde atratividades. Os investidores iniciam um movimento de ações, o que provoca a que dos preços desses ativos.Na Ásia, a maior parte das bolsas fechou com queda acima de 2%, algumas delas depois de terem amargado forte desvalorização, como a indiana, onde o índice de referência chegou a despencar 10%. Também na Europa, o movimento foi de queda das ações. Em Madri, a bolsa caiu 6,40%; em Milão, 3,76%; em Paris, 2,65%; e em Frankfurt, 2,22%.Na Bolsa de Tóquio, os papéis da mineradora Sumitomo Metal fecharam em baixa de 3,9% e os da Showa Shell Sekiyu, de petróleo, recuaram 3,5%. Na Bolsa de Hong Kong, o índice Corporativo Chinês, composto em sua maioria por ações de companhias chinesas relacionadas ao setor de commodities metálicas e de petróleo, caiu 5,6%.A Bolsa de Moscou fechou com desvalorização de 9%, a maior queda desde os problemas com a petrolífera Yukos. Entre as mais punidas pelas vendas hoje estiveram a Gazprom (-12%), a Surgut (-15%) e a Sberbank (-13%). Praga caiu 5,9% e Budapeste, 3,9%, com vendas lideradas por ações de commodities. Na Turquia, a Bolsa de Istambul fechou em queda de 7,6%. Nos países latinos, a Bolsa de Buenos Aires caiu perto de 7%, enquanto a do México abriu em queda de 3,5%.Em Nova York, o Nasdaq, bolsa que negocia ações do setor de tecnologia e Internet, registrou perdas maiores. Às 16h24 (de Brasília), o Nasdaq recuava 0,64% e o Dow Jones, índice que mede o desempenho das ações mais negociadas na bolsa de Nova York, operava com leve alta de 0,09%.Nervosismo deve continuar nos próximos diasO diretor para mercados emergentes da Goldman Sachs, Paulo Leme, acredita que a oscilação que tem afetado os mercados internacionais e o doméstico deve prosseguir ao longo desta semana. Segundo ele, o grau de incerteza do mercado financeiro hoje está muito maior, não só por causa do aumento da inflação americana na margem e arrefecimento do crescimento dos Estados Unidos na margem, como também devido à preocupação em relação a trajetória dos juros americanos. Uma amostra de que os parâmetros da "Era Greenspan" mudaram. Para Leme, o Federal Reserve (banco central dos Estados Unidos) enfrenta hoje um dilema com os juros. "A sinuca é: se agora a taxa de juro depende de expectativas de inflação e agora o mercado está subindo as expectativas de inflação, não fica claro o que o Fed terá que fazer em junho e no final do ano. Portanto, o mercado está começando a cobrar um prêmio de risco devido a essa incerteza de menor crescimento e maior inflação. Então, o mercado deve continuar muito volátil", avaliou, em entrevista ao Broadcast Ao Vivo. O diretor acredita, porém, que o mercado deve se reacomodar e estabilizar em 2, 4 ou 6 semanas. "Mas com uma maneira de operar diferente, com maior volatilidade e talvez com uma menor demanda na margem para ativos de maior riscos, nos quais incluímos os emergentes", explicou.Paulo Leme, no entanto, mantém sua expectativa para a próxima reunião do Fed. "Apesar do aumento da inflação e da cifra de core inflation, que foi bastante alta na semana passada, o Fed não subirá as taxas de juros em junho", disse. Segundo ele, somente após os dados norte-americanos dos próximos 2 ou 3 meses é que será possível avaliar se o aperto monetário realmente irá parar com os juros em 5%.

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