Bolsas caíram ontem em NY e Europa

Ações de empresas de energia seguiram a queda dos preços do petróleo, depois que a AIE anunciou que liberará 60 milhões de barris de petróleo das reservas de emergência 

Clarissa Mangueira, da Agência Estado,

24 de junho de 2011 | 08h14

As bolsas dos EUA fecharam em direções divergentes ontem, após uma sessão volátil, à medida que uma mistura de dados econômicos fracos e uma intervenção surpresa da Agência Internacional de Energia (AIE) no mercado de petróleo competiram com os relatos de um novo plano de austeridade grego pela atenção dos investidores.

O índice Dow Jones fechou em queda de 59,67 pontos (0,49%), em 12.050,00 pontos. O Nasdaq encerrou em alta de 17,56 pontos (0,66%), em 2.686,75 pontos. O S&P-500 fechou em queda de 3,64 pontos (0,28%), em 1.283,50 pontos. O NYSE Composite fechou em queda de 47,76 pontos (0,59%), em 8.054,08 pontos.

As ações de empresas de energia seguiram a queda acentuada dos preços do petróleo, depois que a Agência Internacional de Energia (AIE) anunciou que liberará 60 milhões de barris de petróleo das reservas de emergência para substituir a perda das exportações de petróleo da Líbia.

Os papéis da Exxon Mobil tiveram um dos piores desempenhos entre as blue chips do índice Dow Jones, com declínio de 1,7%. A Chevron também recuou 1,7%.

Embora os preços mais baixos do petróleo sejam um fator positivo para os consumidores, participantes do mercado disseram que o declínio da commodity para perto de US$ 91 por barril exigiu que um número maior de investidores se desfizesse de ativos mais arriscados para cobrir suas inesperadas perdas.

Na New York Mercantile Exchange (Nymex), os contratos de petróleo bruto para agosto fecharam a US$ 91,02 por barril, em queda de US$ 4,39 (4,60%). Na Intercontinental Exchange (ICE), os contratos do petróleo Brent para agosto fecharam a US$ 107,26 por barril, em baixa de US$ 6,95 (6,09%).

"Os investidores também foram desencorajados após dados mostrarem que o número de trabalhadores norte-americanos que entraram pela primeira vez com pedido de auxílio-desemprego subiu 9 mil, para 429 mil, após ajustes sazonais, na semana até 18 de junho, informou o Departamento de Trabalho dos EUA. Os economistas ouvidos pela Dow Jones esperavam queda de 7 mil solicitações.

No final da sessão, as bolsas se recuperaram de suas mínimas com as notícias de que o governo grego tinha fechado um acordo com a União Europeia (UE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre um pacote de austeridade de cinco anos.

Mas o mercado europeu fechou antes da notícia e os índices encerraram o dia em baixa. Na Bolsa de Londres, o FTSE-100 recuou 98,61 pontos, ou 1,71%, para 5.674,38 pontos. Em Paris, o CAC 40 perdeu 83,58 pontos, ou 2,16%, para 3.787,79 pontos. Na Bolsa de Frankfurt, o Xetra DAX fechou em baixa de 128,75 pontos, ou 1,77%, a 7.149,44 pontos. O IBEX 35, da Bolsa de Madri, recuou 283,60 pontos, ou 2,77%, para 9.942,60 pontos. Em Lisboa, o PSI 20 teve queda de 116,57 pontos, ou 1,63%, para 7.030,95 pontos.

Entre os destaques negativos estavam as ações do setor bancário: Santander (-4,8%), BBVA (-5,5%), Unicredit (-4,9). Os papéis das mineradoras também recuaram: Vedanta Resources (-7%) e Glencore International (-4,8%). No setor de energia, Shell e BP perderam igualmente 2,2%.

Além do petróleo, pesaram os indicadores chinês e da zona do euro. Número divulgados na China mostraram que o Índice Gerente de Compras (PMI, em inglês) HSBC caiu para 50,1 em junho, o menor patamar em 11 meses, de uma leitura final de 51,6 em maio, de acordo com a HSBC Holdings.

Já o Índice Gerente de Compras (PMI) dos países-membros da zona do euro caiu para 53,6 em junho - o menor nível desde outubro de 2009 -, de 55,8 em maio.

No mercado de câmbio, o euro, que tinha sido atingido a mínima intraday de US$ 1,4125, afetado pelos temores sobre o crescimento global e a dívida da Grécia, conseguiu reduzir suas perdas após os relatos do acordo.

No final da tarde em Nova York, o euro caía para US$ 1,4257 de US$ 1,4356 na quarta-feira. A moeda também recuava a 114,78 ienes, de 115,26 ienes ontem. O dólar operava em 80,50 ienes, de 80,30 ienes. A libra era negociada em US$ 1,6000, de US$ 1,6071 na quarta-feira.

Os preços dos títulos do Tesouro dos EUA subiram, com a correspondente queda nos juros, depois que os temores sobre a dívida da zona do euro e a desaceleração econômica dos EUA levaram os investidores a buscar o refúgio seguro dos bônus norte-americanos.

No fechamento em Nova York, o juro projetado pelos T-bonds de 30 anos estava em 4,152%, de 4,222% ontem; o juro das T-notes de 10 anos estava em 2,889%, de 2,981% ontem; o juro das T-notes de 2 anos estava em 0,338% - o mais baixo neste ano e perto da mínima histórica de 0,316% registrada no dia 4 de novembro -, de 0,366% ontem.

No mercado de metais, o cobre encerrou em queda, afetado pelas perspectivas sombrias para a economia global. Na Comex eletrônica, divisão de metais da New York Mercantile Exchange (Nymex), o contrato do cobre para julho caiu US$ 0,0490, ou 1,20%, a US$ 4,0390 por libra-peso. Na London Metal Exchange (LME), o metal fechou abaixo de US$ 9.000 a tonelada pela primeira vez em duas semanas. O contrato do cobre para três meses declinou US$ 55,00, ou 0,6%, para US$ 8.955,00 a tonelada.

Entre os metais preciosos, o ouro recuou após a decisão da AIE de liberar petróleo das reservas estratégicas intensificar as expectativas dos investidores de uma inflação mais baixa em meio a desaceleração do crescimento econômico. O fortalecimento do dólar também pressionou o metal. O contrato do ouro para agosto caiu US$ 32,90, ou 2,12%, a US$ 1.520,50 a tonelada. As informações são da Dow Jones.

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