Susan Walsh/Reuters
Susan Walsh/Reuters

Bolsas da Ásia e Europa fecham em alta à espera de decisão do BC americano; Nova York cai

Como era esperado pelo mercado, o Federal Reserve optou por manter sua política monetária pró-estímulos inalterada, com juros entre 0% e 0,25% ao ano

Redação, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2021 | 17h15
Atualizado 28 de abril de 2021 | 18h25

As Bolsas de Ásia e Europa fecharam em alta nesta quarta-feira, 28, à espera da decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) sobre a política monetária dos Estados Unidos, que veio somente quando esses dois mercados já estavam fechados. Como era imaginado, a entidade optou por mantê-la inalterada, até atingir as metas esperadas para a inflação e o desemprego. Na contramão, os índices americanos caíram.

O banco central americano reconheceu que os indicadores econômicos dos EUA melhoraram com o avanço da vacinação, mas descartou uma mudança antes de 2022. Os dirigentes do Fed reconheceram a melhora da economia e o aumento da inflação nos Estados Unidos, mas classificaram a pressão nos preços como "transitória". Com a decisão, os juros do país continuam entre 0% e 0,25% ao ano - a consultoria Pantheon Macroeconomics não vê um reajuste antes do segundo semestre do ano que vem.

O presidente do Fed, Jerome Powell, também disse que o cenário é animador - mas não para tanto. Em coletiva, o executivo disse que o quadro econômico dos EUA "ainda não é de progresso substancial, como foi observado nos últimos quatro meses, mas esperamos chegar lá", para justificar o fato da entidade monetária optar por não reduzir ainda as compras mensais de US$ 80 bilhões de títulos do Tesouro americano. Logo após a declaração, os rendimentos dos papéis públicos com vencimento para dez e trinta anos inverteram o sinal e passaram a cair em Nova York.

Na agenda de indicadores desta quarta, o índice de confiança do consumidor para maio na Alemanha recuou de -6,1 em abril a 8,8 em maio, segundo o instituto GfK. O instituto notou que o aumento nos casos da covid e a necessidade de apertar restrições à circulação no país pesaram sobre a confiança do consumidor. Sobre a pandemia, a rápida alta de casos na Índia continuou a ser monitorada de perto pelos investidores.

Bolsas de Nova York

Apesar da decisão do Fed - que ajudou a segurar os ganhos do mercado de títulos do Tesouro dos EUA, grande ameaça do mercado acionário -, os índices de Nova York fecharam em baixa, de olho na temporada de balanços corporativos. O S&P 500 chegou a bater novo recorde intradia, mas terminou com queda de 0,08%. Dow Jones e Nasdaq caíram 0,48% e 0,28% cada.

Entre os resultados do primeiro trimestre, a Boeing divulgou seu sexto prejuízo trimestral consecutivo, com sua ação caindo 2,89%. O Spotify também decepcionou e registrou queda de 12,32%. Para hoje, são esperados os balanços de Apple, Ford e Facebook.

Bolsas da Europa

No continente europeu, balanços importantes estiveram no radar, como os de Deutsche Bank, Lloyds e Santander, com resultados acima do esperado. Em resposta, o índice pan-europeu Stoxx 600, que concentra as principais empresas da região, fechou em alta de 0,02%, enquanto a Bolsa de Londres subiu 0,27%, enquanto Frankfurt avançou 0,28% e Paris teve ganho de 0,5%.

Os índices de Madri e Lisboa tiveram ganhos de 0,49% e 0,10% cada, mas Milão foi na contramão e recuou 0,06%.

Bolsas da Ásia

Na Bolsa de Tóquio subiu 0,21%, enquanto a de Hong Kong avançou 0,45%. Os índices de XangaiShenzhen subiram 0,42% e 0,83% cada. Na contramão, a Bolsa de Seul cedeu 1,06% e Taiwan teve modesta baixa de 0,16%, à espera da decisão do Fed.

Na Oceania, a bolsa australiana ficou no azul, com alta de 0,44%, após dados de inflação mais fracos do que o esperado provavelmente jogarem mais para frente ainda a possibilidade de o banco central local - conhecido como RBA - voltar a elevar juros.

Petróleo

O petróleo fechou em alta nesta terça-feira, ainda em reação ao compromisso reafirmado ontem pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) de conter a oferta da commodity energética, devido ao avanço da covid em importantes países asiáticos, como Índia, Japão e Turquia

O barril do WTI para junho avançou 1,46%, a US$ 63,86. O Brent para julho, por sua vez, subiu 1,38%, a US$ 66,78 o barril. O mercado monitorou ainda o avanço de 90 mil barris no estoque de petróleo dos Estados Unidos na semana, segundo dados do Departamento de Energia. O resultado veio abaixo do estimado por um instituto americano. /MAIARA SANTIAGO, GABRIEL BUENO DA COSTA E IANDER PORCELLA

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.