EFE/EPA/YONHAP
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Mercado internacional fecha sem sentido único com aumento das restrições para conter a covid

Inglaterra, Escócia e Alemanha decretaram novos lockdowns, para evitar que a variante do coronavírus se espalhe ainda mais rapidamente; apesar da tensão, dia foi favorável para o petróleo

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de janeiro de 2021 | 07h30
Atualizado 05 de janeiro de 2021 | 19h14

O mercado internacional opera sem sentido único nesta terça-feira, 5, após o endurecimento das medidas de isolamento em vários países europeus, para tentar frear o avanço de casos da covid-19 e também a disseminação da nova variante do vírus. Nesse cenário, as Bolsas da Europa fecharam em queda, mas as da Ásia subiram, após uma decisão favorável vinda do mercado acionário americano. Nova York também teve ganhos, com a ajuda da alta do petróleo.

O mercado já estava fechado na última segunda-feira, 4, quando o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, anunciou que a Inglaterra vai entrar em um novo lockdown, este pelo menos até o fim de fevereiro, para evitar que a nova cepa do coronavírus, esta ainda mais contagiosa, se espalhe ainda mais rapidamente pelo país. A mesma decisão foi adotada pela Escócia e pela Alemanha, que ficarão fechadas até o final deste mês. 

Enquanto isso, a pressão continua sendo pela imunização. "Os países superestimaram a capacidade própria de distribuir vacinas", disse nesta terça o diretor executivo do Programa de Emergências em Saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS), Mike Ryan. Hoje, a Bélgica anunciou que apenas metade das 600 mil doses previstas para chegar ao país em janeiro serão entregues pela Pfizer, devido a um "problema logístico". 

Além da preocupação com a covid, o andamento da eleição para o Senado americano também chama atenção, com democratas e republicanos disputando voto a voto na Geórgia, Estado que pode dar o controle da Casa para um dos dois partidos. Para Joe Biden, o controle do Senado  passa a ser crucial para eventuais novos pacotes de estímulo fiscal e também para pautas almejadas pelo partido, como a elevação de impostos e regulações.

Petróleo 

Na contramão do clima misto do mercado, os contratos de petróleo fecharam em forte alta nesta terça, após a Arábia Saudita decidir cortar em 1 milhão de barris por dia (bpd) a produção da commodity em fevereiro e março. A confirmação do corte foi feita nesta tarde pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) e deve compensar o aumento recente na produção feito pelo Casaquistão e pela Rússia.

A notícia favorece os contratos de petróleo, pois ajuda a regular a oferta do ativo no mercado, já que com a pandemia, a demanda caiu consideravelmente e os estoques cresceram em todo mundo. Com isso, o barril do WTI para fevereiro fechou em alta de 4,85%, a US$ 49,93, enquanto o Brent para março subiu 4,91%, a US$ 53,60 o barril. Pelo mundo, ações das petroleiras subiram, com destaque para a alta de 7,07% da petroleira BP. Em Nova York,  ExxonMobil teve alta de 4,82%, Chevron de 2,70% e ConocoPhillips, de 5,74%.

Bolsas de Nova York

No começo da manhã, os índices americanos chegaram a cair de olho no andamento das eleições para o Senado, mas, com o apoio da alta do petróleo, as perdas foram revertidas.  O índice Dow Jones fechou em alta de 0,55%, o S&P 500 subiu 0,71% e o Nasdaq avançou 0,95%.

Entre os destaques, estão os papéis da Boeing, com alta de 4,40%, recuperando-se em grande medida de um tombo no dia anterior. Entre os bancos, Goldman Sachs subiu 2,24% e Citigroup, 2,54%.

Bolsas da Europa

Com o avanço da covid em solo europeu, os índices fecharam praticamente em queda generalizada, a não ser por Londres, que subiu 0,61% depois do governo anunciar que, para aliviar o novo fechamento total da economia, um novo pacote fiscal de 4,6 milhões de libras será lançado. A Bolsa de Lisboa também subiu 0,31%

Ao contrário da Bolsa inglesa, o índice pan-europeu Stoxx 600 fechou em baixa de 0,19%, enquanto a Bolsa de Paris cedeu 0,44% e a de Frankfurt, 0,55%, principalmente após um dado alemão apontar para a perda de vagas no mercado de trabalho local recentemente. MilãoMadri perderam 0,52% e 0,10% cada.

Bolsas da Ásia

Após a Bolsa de Valores de Nova York recuar e decidir não mais excluir três empresas chinesas do setor de telecomunicações de sua listagem, o mercado asiático conseguiu fechar em alta, com destaque para os ganhos dos papéis de comunicação, que tiveram altas de até 8%. Na China continental, os índices de ShenzhenXangai subiram 2,15% e 0,73% cada, enquanto em Hong Kong, o índice Hang Seng subiu 0,64%.

O sul-coreano Kospi teve ganho de 2,57% e o Taiex, de Taiwan, avançou 0,66%. Na contramão, a Bolsa do Japão fechou com queda de 0,37% e a de Sydney de 0,03%, diante do avanço de casos da covid no mundo. Por lá, ainda há o temor de Tóquio entrar em estado de emergência, devido ao avanço da doença na capital japonesa./ MAIARA SANTIAGO, EDUARDO GAYER E GABRIEL BUENO DA COSTA

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