Eugene Hoshiko/AP
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Mercado internacional fecha sem sentido único com avanço da covid e estímulos nos EUA

Investidores voltaram a ficar cautelosos nesta terça-feira com o avanço da doença no mundo, que tem resultado em medidas ainda mais duras de isolamento

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de janeiro de 2021 | 07h30
Atualizado 12 de janeiro de 2021 | 19h14

O mercado internacional fechou sem sentido único nesta terça-feira, 12, ante preocupações dos investidores com o avanço da covid-19 no mundo, que tem gerado uma nova onda de medidas mais duras de isolamento nas principais economias do mundo. Além disso, também preocupa a crise política instaurada por Donald Trump nos Estados Unidos.

Com o aumento cada vez mais preocupante dos casos da doença, apesar do andamento da imunização em alguns países, os investidores acompanham preocupados a adoção de novos bloqueios e restrições à circulação para conter o avanço da covid-19. A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, cogitou hoje que serão necessárias mais "8 a 10 semanas" de lockdown para diminuir a disseminação do vírus. Clima parecido também foi visto na Ásia com o fechamento total de várias localidades, como a Malásia.

Além da crise causada pelo vírus, também preocupa a crise institucional que foi instaurada nos EUA pelo atual presidente, Donald Trump. O republicano enfrenta forte pressão para deixar o cargo e pode ser submetido, ainda nesta semana, a um novo processo de impeachment, por incentivar apoiadores a invadirem o Capitólio.

No entanto, é também do país americano que veio outra notícia que ajudou a sustentar os ganhos em alguns índices. Segundo o senador democrata Chuck Schumer, o Congresso está aberto para debater mais medidas de estímulos fiscais e a ideia é que o novo programa de incentivo fiscal do governo Joe Biden seja analisado e aprovado logo no começo do mandato.

Bolsas de Nova York

As bolsas de Nova York fecharam o pregão em alta, em um movimento de recuperação das perdas registradas no pregão de ontem, mas ações dos setores de tecnologia e comunicações limitaram os ganhos dos índices acionários. Dow Jones subiu 0,19%, o S&P 500 avançou 0,04% e o Nasdaq ganhou 0,28%.

As ações da Chevron subiram 1,90%, enquanto as da Apple cederam 0,14%. Já os papéis da Boeing avançaram 0,78%, a US$ 208,41, mesmo depois de a fabricante  de aviões informar que entregou apenas 84 aeronaves de passageiros às companhias aéreas em 2020, uma queda de quase 90% em relação ao pico em 2018.

Bolsas da Ásia

A espera por novos estímulos nos EUA garantiu um pregão otimista para o mercado asiático, a não ser pela Bolsa de Seul, que caiu 0,71% e de Taiwan, com 0,37%, de olho no avanço do coronavírus no mundo. Movimento parecido foi visto na Oceania, onde a Bolsa australiana teve recuo de 0,27%.

Na China, as Bolsas de Xangai e Shenzhen tiveram altas de 2,18% e 1,86%, enquanto a de Hong Kong avançou 1,32%. O mercado de Tóquio teve alta de 0,09% e a 

Bolsas da Europa

Na Europa o clima foi de queda, com exceção do índice pan-europeu Stoxx 600, que subiu 0,05%. Frankfurt caiu 0,08%, apesar de ficar no azul durante boa parte do pregão, com a alta das ações das montadoras. Londres teve recuo de 0,65%, após o presidente do Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) dizer ser muito cedo para discutir novas medidas de estímulo para a economia britânica.

A Bolsa de Paris teve baixa de 0,20%, amparada, assim como a alemã, pelas ações do setor automobilístico, que impediram uma queda ainda maior do índice francês. Milão, Madri e Lisboa cederam 0,33%, 0,14% e 0,21% cada. Na Itália, preocupou ainda a renúncia do primeiro-ministro Giuseppe Conte.

Petróleo

Os contratos futuros de petróleo fecharam com ganhos hoje, apoiados pela queda do dólar, o que tende a deixar os contratos do óleo mais barato para os detentores de outras divisas. Com isso, o cenário foi positivo mesmo em meio a dúvidas sobre a retomada na demanda, diante de novas ondas da covid-19 e de restrições para conter o quadro.   

WTI para fevereiro fechou em alta de 1,84%, a US$ 53,21 o barril, enquanto o Brent para março avançou 1,65%, a US$ 56,58. Além do dólar, segundo a Capital Economics, o corte voluntário anunciado pela Arábia Saudita continua apoiando o ativo. Para a Capital, os preços devem ganhar força ao longo deste ano: ela projeta que o barril do Brent chegue ao fim de 2021 em US$ 60, diante da gradual retirada de medidas de lockdown e do estímulo à atividade em geral e a viagens, por exemplo./ MAIARA SANTIAGO, GABRIEL BUENO DA COSTA E GABRIEL CALDEIRA

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