Koji Sasahara/AP
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Mercado internacional fica sem sentido único em dia de decisão do Fed sobre juros dos EUA

Banco central americano manteve a taxa em até 0,25% ao ano, mas traçou um cenário pouco otimista para a economia dos EUA; Ásia subiu após FMI elevar projeção de crescimento da economia global

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de janeiro de 2021 | 07h30
Atualizado 27 de janeiro de 2021 | 19h21

Os mercados internacionais voltaram a fechar sem sentido único nesta quarta-feira, 27, em dia de decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), sobre a taxa de juros dos Estados Unidos. Nesse cenário, as Bolsas da Ásia fecharam majoritariamente em alta, enquanto o mercado da Europa caiu, de olho na imunização contra o coronavírus.

Na última terça-feira, 26, a entidade elevou sua projeção de crescimento da economia global em 2021, de 5,2% para 5,5%, graças às campanhas internacionais de vacinação contra a covid-19 e a aprovação de estímulos econômicos no fim do ano passado em países desenvolvidos.

No entanto, a vacinação, considerada a chave para a retomada econômica, começa a ser alvo de incertezas na Europa. A comissária  da União Europeia para Saúde e Segurança Alimentar, Stella Kyriakides cobrou hoje a farmacêutica AstraZeneca a cumprir o contrato com o bloco para a entrega dos imunizantes. Em comunicado, ela disse que "expressa séria preocupação" diante da intenção da companhia de entregar "consideravelmente menos doses nas próximas semanas do que o combinado e anunciado".

De olho nesse cenário, de avanço do vírus e de dificuldades na imunização, problemas que acontecem em todo mundo, o Fed decidiu manter as taxas de juros da economia americana entre 0% e 0,25%. A entidade monetária também disse que ainda vai demorar até que as metas para a inflação e o desemprego sejam atingidas nos EUA. O anúncio veio apenas com o mercado europeu e asiático já fechado.

Bolsas de N0va York

Após o anúncio da manutenção da taxa de juros, pesou nos índices a fala do presidente do Fed, Jerome Powell, que adicionou cautela ao cenário, ao dizer que ainda há um "longo caminho" para atingir as metas de inflação e emprego. Além disso, pela primeira vez em muito tempo, Powell não disse que a economia americana precisa de mais estímulos, mas sim, apontou que as atuais medidas de apoio já estão surtindo o efeito desejado. Já os dirigientes do Fed constataram que o ritmo de recuperação dos Estados Unidos se moderou recentemente.

Com isso, os índices americanos, que já vinham registrando perdas devido a balanços negativos, despencaram de vez. O Dow Jones recuou 2,05%, o S&P 500 cedeu 2,57% e o Nasdaq caiu 2,61%. Dentre as empresas que divulgaram balanço hoje, Boeing recuou 3,97% e AT&T caiu 2,05%. As ações da Microsoft, cujo resultado corporativo saiu ontem, subiram 0,25%.

Bolsas da Ásia

No continente asiático, dados mostraram que a China, segunda maior economia do mundo, continua em recuperação. Em dezembro, o lucro de grandes empresas industriais do país deu um salto anual de 20,1%, ganhando força em relação ao acréscimo de 15,5% visto em novembro. No acumulado de 2020, o lucro industrial chinês avançou 4,1%. As Bolsas chinesas de Xangai e Shenzhen subiram 0,11% e 0,28% cada.

A Bolsa de Tóquio teve alta de 0,31%, enquanto Taiwan subiu 0,27%. Na contramão, os índices da Coreia do Sul e de Hong Kong realizaram lucros, fechando com quedas de 0,57% e 0,32% cada. Na Oceania, a Bolsa australiana voltou do feriado no vermelho, com recuo de 0,65%.  

Bolsas da Europa 

No continente europeu, as reviravoltas na imunização e também no avanço de casos da covid, continuam pesando na economia. Segundo o instituo Gfk, o índice de confiança do consumidor da Alemanha caiu de -7,5 pontos em janeiro, para -15,6 pontos em fevereiro. Em resposta, a Bolsa de Frankfurt cedeu 1,81%.

O índice pan-europeu Stoxx 600 teve baixa de 1,16%, enquanto a Bolsa de Londres cedeu 1,30% e a de Paris, 1,16%. Milão, Madri e Lisboa tiveram baixas de 1,47%, 1,41% e 2,12% cada. 

Petróleo 

Os contratos futuros de petróleo fecharam sem sinal único, por um lado impulsionados pela redução inesperada de 9,91 milhões de barris nos estoques nos Estados Unidos na última semana, mas por outro, pressionados por restrições ao setor impostas por Joe Biden. Hoje, o democrata determinou a suspensão de vendas de petróleo e gás em propriedades públicas e reduziu a concessão de subsídios à produção de combustíveis fósseis.

Com isso, o barril do WTI para março avançou 0,46%, a US$ 52,85, enquanto o Brent para abril caiu 0,20%, a US$ 55,53 o barril./ MAIARA SANTIAGO, EDUARDO GAYER E MATHEUS ANDRADE

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