Kazuhiro Nogi/AFP
Kazuhiro Nogi/AFP

Mercados ficam sem sinal único em semana marcada pela aversão ao risco

Ásia e Nova York conseguiram acumular alguns ganhos nesta sexta, ainda que modestos, enquanto a Europa teve boa parte de suas bolsas fechando predominantemente em baixa

Sergio Caldas, O Estado de S.Paulo

11 de setembro de 2020 | 07h00
Atualizado 11 de setembro de 2020 | 19h49

Os mercados internacionais ficaram sem sentido único nesta sexta-feira, 11, com Nova YorkÁsia e Europa sem rumo definido após fatores internos pesarem nas negociações. Com os investidores pouco interessados em irem às compras, a falta de apetite por riscos continuou forte na sessão de hoje.

No mercado europeu, o Brexit deixou os índices tensos. As dificuldades no diálogo entre Reino Unido e União Europeia e a ameaça de impasse e eventual judicialização das divergências continuam. Segundo a Reuters, o bloco deve tomar uma decisão sobre os próximos passos nas difíceis negociações no fim de setembro, mas a possibilidade de um rompimento sem acordo fica cada vez maior.

Já em Nova York, dúvidas sobre a valorização das techs, incertezas sobre a eleição nos EUA e a falta de acordo em Washington por um novo pacote fiscal pesaram no sentimento do investidor nesta semana. Por lá, as ações das gigantes do setor continuam realizando lucros e o movimento pesa diretamente nas ações de outras empresas de tecnologia pelo mundo.

Bolsas da Ásia 

o mercado asiático teve um dia favorável, após as perdas recentes. Os índices chineses Xangai Composto e Shenzhen Composto subiram 0,79% e 1,64% cada enquanto o japonês Nikkei teve ganho de 0,74% e o Hang Seng se valorizou 0,78% em Hong Kong. Já o sul-coreano Kospi teve alta marginal de 0,01% e o Taiex registrou modesta baixa de 0,12% em Taiwan. A bolsa australiana encerrou com baixa de 0,83%, impactada queda das ações de tenologia locais.

Bolsas da Europa 

Com o Brexit, alguns dados relevantes ficaram em segundo plano da Europa. A produção industrial do Reino Unido cresceu 5,2% em julho ante junho, acima da previsão de alta de 4%. Na Alemanha, o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) ficou estável em agosto, na comparação anual, como esperado. Por lá, o Stoxx 600 fechou em alta de 0,13%, mas a bolsa de Londres caiu 0,48% e a de Frankfurt recuou 0,05%, enquanto Paris subiu 0,20%. Milão ficou estável, mas Madri e Lisboa tiveram baixas de 0,80% e 0,33% cada.

Bolsas de Nova York

Hoje, Dow Jones fechou com alta de 0,48% e o S&P 500 teve ganho de 0,05%, mas o índice tecnológico Nasdaq encerrou com baixa de 0,65% - na semana, os índices acumulam perda de 1,66%, 2,51% e 4,06% cada. Por lá, os papéis de Apple cederam 1,31%, os da Microsoft caíram 0,65% e os da Amazon perderam 1,85%. 

"De fato, foi uma semana estranha para os mercados de ações globais, com grandes movimentos e divergências", afirmam analistas do banco de investimentos americano Brown Brothers Harriman (BBH), ao ressaltarem que o mercado acionário dos EUA foi o mais afetado.

Petróleo 

Os contratos futuros de petróleo fecharam sem direção única hoje, mas encerraram a semana com perdas superiores a 6%, após uma sequência de sessões marcadas pela aversão ao risco, na esteira da indefinição a respeito do Brexit e do avanço dos estoques nos Estados Unidos. Ontem, o Departamento de Energia (DoE) americano informou que os estoques de petróleo no país subiram 2,033 milhões de barris na semana passada, surpreendendo analistas ouvidos pelo Wall Street Journal, que previam recuo de 1,2 milhão de barris

Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril do petróleo com entrega prevista para outubro encerrou em alta de 0,08 %, a US$ 37,33, mas teve recuo semanal de 6,13 de 6,13%. Já o do Brent para novembro recuou 0,57%, a US$ 39,83, cedendo 6,60% em relação à última sexta-feira./COLABOROU MAIARA SANTIAGO

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