Eugene Hoshiko/AP Photo
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Mercado internacional fecha sem sentido único de olho títulos públicos dos EUA

Apesar de investidores estarem preocupados com a possibilidade da inflação americana sofrer um repique em 2021, BC americano minimizam os riscos inflacionários

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de março de 2021 | 07h30
Atualizado 03 de março de 2021 | 20h22

Os principais índices do exterior fecharam sem sentido único, preocupado com a possibilidade da inflação americana sofrer um repique em 2021, diante da recuperação econômica aliada aos estímulos fiscais propostos pelo governo de Joe Biden. Essa leitura, porém, contradiz dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), que minimizam os riscos inflacionários e não esperam mudança na política monetária da entidade para frear o movimento de venda dos títulos do Tesouro americano.

Nesse cenário, o mercado pouco reagiu à divulgação do Livro Bege do Fed hoje, que relatou uma recuperação apenas modesta na maior parte dos distritos analisados pela instituição. O documento ainda revelou que as empresas americanas seguem otimistas com o cenário futuro da economia, esperançosas pela distribuição em larga escala de vacinas para a covid-19.

Na agenda de indicadores, chamou atenção o relatório de criação de empregos pelo setor privado dos Estados Unidos, que registrou resultado para fevereiro bem abaixo das expectativas. Com os sinais vindos do mercado de trabalho, a alta do índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) de serviços do mesmo mês foi apenas monitorada pelo mercado, assim como a queda do índice de atividade do setor para igual mês, medido pelo Instituto para Gestão da Oferta (ISM, na sigla em inglês).

Na China, o índice de gerentes de compras de serviços recuou de 52 em janeiro para 51,5 em fevereiro, enquanto o composto - que também engloba indústria - diminuiu de 52,2 para 51,7 no mesmo período. Embora permaneçam acima da marca de 50 que indicam expansão da atividade, ambos os PMIs chineses estão em seus menores níveis em dez meses. 

Na Europa, os índices de gerentes de compras composto e do setor de serviços da zona do euro de fevereiro avançaram acima das leituras prévias. Os PMIs do Reino Unido no período também avançaram, e apenas o dado de serviços da Alemanha registrou contração no mês passado.

Bolsas de Nova York

O índice Dow Jones fechou com perda de 0,39%, enquanto o S&P 500 recuou 1,31%. Já o Nasdaq encerrou o pregão em queda mais acentuada, de 2,70%. O resultado de hoje se somou ao de ontem para marcar o pior desempenho em duas sessões seguidas do Nasdaq nos últimos seis meses, segundo a Dow Jones Newswires. O índice foi pressionado por ações de grandes empresas de tecnologia, como Apple, em baixa de 2,45%, Microsoft, de 2,70%, Alphabet, de 2,57% e Facebook, de 1,39%.

Bolsas da Ásia 

Menos afetada pela tensão no mercado de títulos públicos dos EUA, os mercados asiáticos ficaram no azul. A Bolsa de Tóquio subiu 0,51%, enquanto a de Hong Kong teve alta de 2,70% e a de Seul, de 1,29%. A Bolsa de Taiwan registrou ganho de 1,66%. 

Na China continental, a Bolsa de Xangai teve alta de 1,95%, e a de Shenzhen, de 1,30%. Na Oceania, a Bolsa australiana avançou 0,82% em Sydney.

Bolsas da Europa

No mercado europeu, os índices ficaram sem sentido único. O índice pan-europeu Stoxx 600, que reúne as principais ações da região, encerrou com ganho de 0,05%, enquanto a Bolsa de Londres subiu 0,93%, a de Paris teve alta de 0,35% e a de Frankfurt avançou 0,29%.

Em movimento contrário, a Bolsa de Milão contraiu 0,16% hoje, após a Itália registrar queda de 1,9% do Produto interno Bruto (PIB) do 4° trimestre de 2020, além de recuo anual de 6,6%. Madri caiu 0,32% e Lisboa cedeu 2,11%.

Petróleo 

Os contratos futuros de petróleo fecharam em alta hoje, observando as possíveis tratativas da reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+). A informação de que alguns importantes integrantes do grupo teriam interesse em manter a produção inalterada em abril, contrariando a percepção entre analistas de que haverá redução de cortes, impulsionou os preços da commodity. Nos EUA, a publicação dos dados sobre estoques semanais mostraram grandes variações, repercutindo os impactos das condições climáticas no sul do país.    

O WTI para abril fechou em alta de 2,56%, cotado a US$ 61,28 o barril, enquanto o Brent para maio subiu 2,19%, a US$ 64,07 o barril. /GABRIEL CALDEIRA, MATHEUS ANDRADE E MAIARA SANTIAGO

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